Por quê?
Melina Guterres  


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16/08/2011 04:13
Uma certa loucurinha vale à pena


Às vezes acho que dentro de mim habita uma louca.
Não uma louca em sã consciência, até porque se assim fosse, não seria louca. Seria no máximo uma tentativa de....
O louco explode de raiva, de emoção, de tesão, de amor e ódio pela vida.
O louco não enxerga nada a sua frente, ele só sente. Seu coração bate tão forte que o cega.
O louco surta, pira, ri, chora, inventa, cria, se joga, se consome e consome outros.
O louco aprende.
Às vezes não entendo esse meu lado ainda infantil como diriam alguns estudiosos da mente, mas... Eu tenho que lidar com ele, o meu louco interior.
É duro demais ser certinho o tempo todo, ter tanta responsabilidade, ser pai e mãe sem ter filhos, ter que estar presente quando todos precisam, é duro ser "tão" útil.
Mais duro ainda é não conseguir dar conta dos problemas do mundo, ou melhor, daqueles que a gente ama, ou dos que se aproximam pedindo apoio, e os da gente... Mas mais duro é saber que sentem a nossa falta e não podemos estar presente em todos os cantos, em todos momentos. Talvez se não eu não fosse tão voluntariosa, minha loucura não seria tão intensa. Talvez a frustração maior dessa louca que me habita é ser apenas uma.
Já me falaram que eu devo ser mais egoísta. Eu tento, mas dói, dói tão profundamente que surto. Acho que o meu lado louco ama demais e isso só poderia ser realmente louco, porque com certeza é incomum e incrivelmente desaprovado todo dia.
Também é duro ser amada, porque quem ama exige a nossa presença e isso também dói a -ponto de gerar certa culpa, como se cada movimento nosso fosse uma forma de abandono.
Talvez eu deva dizer aos que me amam - um simples deixe-me ir, deixe-me viver, deixe-me errar, deixe-me aprender... Não se preocupem tanto assim.... Eu preciso crescer.



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



30/08/2010 17:34
apenas isto:


Os dias pareciam frios
Os dias pareciam sofrer de falta de luz
Os dias pareciam noites
E as noites invernos
Sem fogueiras

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (2)



08/05/2010 09:46
Para o amigo Z.

VERMELHO


Ele partiu
Foi ver o mar do alto de uma montanha
Ninguém à volta...
O sopro do vento
Frescor do clima
A brisa chegava alto
Era sal..
Gostinho de paz

Se propôs:
Aqui sou...
meu canto
meu mundo
Não, eu não atenderei ao telefone
Desligo-me daquela cidade,
País,
Pressão.

Sou...
Em uma frase por e-mail comunicou:
Não me procurem,
Eu preciso criar!

Um turbilhão de emoções
Um tempo de louvor
Um tempo de amor
Não, não olhou
Para trás
O mundo muda com ele
Escolheu..
Nascer de novo em si
Alto disse:
Agora, vou respirar!

Sentou na varanda
E viu a vida...

Uma nova vírgula ao invés de ponto
E os pássaros voavam,
O sol caia,
Vermelho
Encostado ao mar no horizonte
Um minuto de silêncio
Contemplava a natureza,
E o vermelho caia sobre as novas páginas...

Escrevia o artista.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (4)



08/05/2010 07:51
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TOLOS



I

Do céu vem pedras
No chão há pedras
Paredes, muros, palavras...
Mãos..

Que venham as pedras...

Mas cuidado com o louco,
Este insiste em jogar flores,
Mais cuidado com o mago,
Tão perigoso quanto,
É alquimista,
Transforma flores em sementes

Mas recolham suas pedras
Quando cruzarem com os ingênuos,
Filhos de magos e loucos,
Estes geram frutos...

Não sejamos tolos,
Eles não acreditam em pedras...

II

E estão cercados de bons e maus administradores
Que asseguram sua proteção,
Os bons enfrentam tempestades
Os maus deixam estragar uma colheita

Mas...
Filhos de loucos com magos,
não se cansam de plantar,
Ingênuos,
são na essência,
unicamente
coração,
por isso
dão frutos,
não pedras


III

Lobos e leões
Os cercam,
Um vento forte surge,
Em silêncio se despedem os tolos
A tempestade se aproxima
O fruto vinga
Leões e lobos o devoram
O ingênuo?
Foi plantar em outra terra
Mais preparado
Mais próspera
Sem animais,
Ele aprendeu
A fazer a cerca.

IV

E os tolos
Defendem-se através de palavras
Os ingênuos nada falam
Bastam em suas mãos os calos
Nas vestes sementes
Só o cego não vê,
Mas este tem o tato
Do discurso está fadado
Ele sente


V

Num suspiro, aliviado (após tantas vozes)
O cego pede silêncio e questiona:
E tu ingênuo, o que tens a dizer?
Ele então responde:
Pudera voltar acreditar no que um dia ouvi e abracei.
Mas? – pergunta o cego
- Não acredito em discursos!

VI

Um silêncio toma conta
Do lugarejo
Os tolos se retiraram com suas pedras
Os animais desistiram de esbarrar na cerca do novo plantio
E o cego foi levado a casa
Pelo ingênuo

VII


O povo se reune
O ingênuo não era ingênuo
Quem era este então?
Um louco responde:
O cidadão!
Como ninguém acredita em loucos...
Pedras no louco...

VIII

O cego ao ouvir o barulho,
Perguntou:
O que jogam no louco?
Pedras – respondem
E o que ele joga?
Flores
Por que cego? – pergunta algum tolo
Alcancem-me as flores, pois devo estar louco
Mas ninguém joga pedras num cego – insiste o tolo
Ele então responde:
Prefiro as pedras à cegueira.
O tolo, então, pronuncia:
Cuidado com o cidadão!!!,
Este é altamente perigoso,
Acaba de dar ao cego,
A visão!






Melina Guterres





Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



30/03/2010 17:45
sonho poético...



Ontem acordei pensando no sonho que tive pela noite, pensava, pensava aí resolvi escrevê-lo, já que me entendo escrevendo... foi então que compreendi o sonho...

SONHO:
29 de março de 2010.

Eu deitada dormindo, alguém se aproxima e começa a contar a história de alguém em forma de conto.

Um homem chegou a uma divindade e perguntou:
- o que é fé?
a divindade então lhe disse:
- vá e faça esse trabalho que depois te respondo.
Ele então fez todo o trabalho e voltou.
- o que é fé?
A divindade lhe deu outro trabalho e ele voltou novamente.
E assim foram diversas vezes o homem só questionava após cumprir o serviço que lhe era dado. Aceitava cada trabalho sem questionar e o cumpria-o todo.
Com o passar dos tempos, fora envelhecendo e adoecendo.
Então ao voltar de mais um trabalho, provavelmente o último daquela jornada...
Ele foi até a divindade, já sem a curiosidade da juventude...
Não lhe questionou nada, simplesmente se aproximou, encostou o dedo nesta. A divindade surpresa não esperava o atrevimento.
Ao encostar o homem sentirá o mesmo frescor da juventude, seu corpo saudável... sorriu e sem nada dizer, partiu para cumprir um novo trabalho, agora o que ele mesmo quisesse. Ele estava curado e livre de sua própria dúvida. Tornou-se divino.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



24/03/2010 14:01
Pense!!

DROGAS


Parte II



Drogas x Religião?
Drogas = ideologia
Religião = ideologia
Drogas + religião = ideologia²
Drogas = Religião?




"Ideologia é um termo que possui diferentes significados e duas concepções: a neutra e a crítica. No senso comum o termo ideologia é sinônimo ao termo ideário (em português), contendo o sentido neutro de conjunto de ideias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas. Para autores que utilizam o termo sob uma concepção crítica, ideologia pode ser considerado um instrumento de dominação que age por meio de convencimento (persuasão ou dissuasão, mas não por meio da força física) de forma prescritiva, alienando a consciência humana". (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ideologia)




Há bandeiras que todos gostam de erguer, mas há aquelas que parecem inconvenientes socialmente. Certa vez um conhecido passou uma noite inteira dando discurso do quanto os ácidos são bons. O conversa só parou quando perguntei se ele estava disposto a me levar ao hospital caso eu experimentasse e tivesse alguma reação alérgica. Tive que dizer diversas vezes que sou alérgica a tudo que contém ácido (é fato). Algum tempo depois me perguntou se meus amigos gostavam...
Não, não se trata de traficante, é apenas mais um apaixonado. Drogas tem disso, pessoas apaixonadas por elas que erguem bandeiras a favor, estimulando, querendo que todos experimentem... Me lembra até certos religiosos que ficam querendo convencer a todos a conheceram a igreja que freqüentam. A fase da “empolgação” é a maior propaganda e dependendo de quem e como ela venha.... o “vendedor” vende o “peixe”.... Na verdade ele vende um conceito e talvez uma forma de sentir-se menos sozinho na descoberta, “despertar”, encontro com o espírito santo ou qualquer ácido ou santo ou, ou, ou....
O negócio é a “ideologia”. Cazuza cantava “Ideologia eu quero uma pra viver”... E quem não quer?
Karl Marx já dizia “A religião é o ópio do povo”, aí já dá pra sacar que alguma coisa em comum as duas coisas tem, né?




Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



07/03/2010 12:49
Se o “careta” é chato, o usuário é um “mala”!


DROGAS


Parte I



...cansada de discursos sem grandes resultados e da mesma retórica de quem defende e usa...Aff!



Um assunto delicado, mal tratado, muitas vezes negado, as drogas. Talvez o governo, escolas, entidades tentem da sua maneira tratar ou prevenir muitas pessoas em relação ao consumo alertando sobre os efeitos, danos físicos... mas em relação ao comportamento? A perda do caráter, isso tudo se enquadra na palavra vício? Talvez, mas por que não aprofundar mais...
Vemos todos os dias na televisão o efeito do crack, as famílias muitas vezes fazendo seus filhos prisioneiros em casa já no desespero de não se saber mais o que fazer... isso é um absurdo? “Que pais são esses?” julga a sociedade.... mas muitos não sentem de perto o efeito comportamental de um usuário de crack.
Mas não vamos tão longe... quer coisa mais chata do que ao reunir amigos na própria casa pedindo para “fumar um” (maconha) na sua casa, sendo que você não usa e não gosta.. Metade da noite vira uma chatisse, uma insistência, argumentos mil. Pronto a noite já virou um saco, o que era pra ser divertido, vira debate e tu fica parecendo a chata, careta e grossa a ponto de dizer: aqui não, fumem em outro lugar ou vão embora. Ta aí o povo sai todo, quando voltam tão em outra “vibe”, uma que você não está, mas suporta por que são teus amigos. Quando parece tudo tranqüilo, volta o tema, um não bastou pra galera, querem fumar outro e outro.. ainda mais quando estão em grupo. Aí tu começa a se irritar, pensar porque não saiu com outra turma, porque não foi pra o bar, boteco, balada, leu o livro que começou, trabalhou em algo seu ou dormiu cedo. Começa a sentir “maezona”de um bando de “crianças” e não é isso que tu quer sentir. Pensa” Cadê o “semancol” desse povo?, porra!”.
A noite que já tava chata, vira uma merda... Não se consegue desenvolver qualquer tema, o povo louco pra fumar e tu sente-se a carcereiro (a). A noite acaba, ou melhor a galera vai cedo embora e tu dorme de cara e aliviada.. ainda pensando se não foi chata.
Agora vamos piorar um pouco a situação.. tu vai tomar um banho, quando volta o ventilador ta a mil, a tua cadela só dorme e tu questiona: fumaram aqui? Deram a maconha pra cadela? Eles riem de ti como se fosse uma doida. Aí tu fica sentindo-se mal por desconfiar.. mas quando acorda no dia seguinte a cadela ta só jogada, sente-se mal por pensar que eles de certa forma te traíram, não poder confiar mais neles... mas fica pensando se ela só não esta cansada da farra do dia anterior. Não sabe mais o que pensar, não tem certeza de nada...
Piorando um pouco mais..., umas duas noites anteriores um desses amigos, chega na tua casa chorando todos os problemas e dizendo que não consegue resistir a qualquer droga que lhe ofereçam, admite a própria fraqueza aos prantos como quem pede ajuda porque não sabe mais como fazer a vida ter sentido. Então antes de você se reencontrar com ele, avisa aos amigos usuários de maconha sobre o caso e pede para não se falar no tema quanto menos falar em usar... Mas quando todos se encontram.. Os que só usam maconha, ficam falando mal de cocaína, mas esquecem ou não sabem que pra quem usa ou já usou esta, ficar recordando pode despertar vontade, logo o assunto já está na maconha.... Então, o que antes pedia ajuda, parece ser o que mais te incomoda para abrir uma exceção para "fumar um" e a turma que tu alertou sobre o fato, alimenta. Enfim, aí acontece tudo que acima foi dito....
Depois ainda dizem que maconha não causa dependência. Acho que ta na hora de mudar os focos das campanhas.. o “careta” pode ser um chato, mas puta que pariu o usuário esse sim é um MALA!

Acrescentando... o fato de fumar cigarro e beber álcool, algumas vezes tornando-me uma “mala” também, não impende de eu dizer que outras drogas me incomodam, não me impede de dizer até aqui pode, mais não. E também não quer dizer que isso seja um falso moralismo. Apenas é uma questão de escolha e respeito. Cada um com as suas drogas.
O que me preocupa quanto as ilícitas não é a questão de saúde pública nem quantos milhões o governo gasta tentando prevenir, remediar, combater o tráfico, mas quanto o nível de depedência que podem provocar em relação ao uso daqueles que eu chamo de amigos, até quando poderei chamá-los assim?

Por enquanto eu só posso continuar dizendo “Na minha casa, não!”
Uma coisa é a galera se reunir numa sexta, sábado para tomar uma cerveja, vinho. Agora na casa de quem fuma, cheira, etc... as reuniões podem ser constantes, em diversos casos, sem dia e hora certo... pode até ser numa segunda a tarde, terça de manhã e por aí vai.
Gosto da casa cheia, as pessoas me visitarem pra tomar um chimarrão, para ver filme, para jantar, para ouvir musica, para debater, conversar, para beber também, posar, sair... mas acima de tudo, o fato de virem por gostarem de mim é única coisa que me interessa.
O resto, é degradante.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



04/03/2010 10:45
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NOSTALGIA



Março chegou com chuva e uma frente fria. Bom para começar a trabalhar... e também recordar do chocolate quente, vinho tinto, churrasco, roupas de invernos, cobertas, chimarrão, avós em volta da lareira, jogo de cartas na madrugada enrolados em algum cobertor, pantufas, meias de lã, geada da manhã, serra, vapor quando se fala, luvas.. hummm que saudade do frio, que saudade de casa...

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



01/03/2010 01:50
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CARNAVAL



O carnaval nas ruas do Rio de Janeiro é de fato um acontecimento.. dá pra entender porque todo mundo para de fato nesse período por aqui. A cidade além de cheia de turistas exibe máscaras, fantasias a qualquer hora, manhã, tarde, noite... Milhares de blocos espalhados em diferentes bairros. Sair sem um mínimo de fantasia, óculo diferente que fosse, seria uma afronta. E pra quem esquecesse, muito vendiam tiaras coloridas, chapéus, etc pelas ruas.
Sim, uma cidade da alegria. Sai todos os dias e noites, inclusive na quarta-feira de cinzas, aliás o único dia que vi dois homens brigando... assim que percebidos, formou-se um circulo ao redor e em coro: Uuuuuu, uuuuu . Os homens intimidados e surpresos param de brigar e olharam surpresos a todos que continuavam: Uuuuuu.... As vais fizeram com que parassem sem qualquer outra interferência e um novo coro surgiu: “beija, beija, beija”. A briga acabou. Nem na Lapa da madrugada eu vi briga. Lá me recordo da bateria em frente ao bar Antônio´s, esquina com a Rua Lavradio, um multidão reunida, uma linda bandeira brasileira erguida ao alto e novo coro: “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”... de arrepiar.
E em Santa Teresa, no último dia do bloco “Carmelitas”, ao sol quente do meio-dia, os moradores pegavam mangueiras de suas casas ou apartamentos e jorravam água na multidão que vibrava e agradecia.
Vi pessoas com celulares e máquinas digitais em qualquer canto. O metrô era uma festa, reunia quem ia para Sapucaí ou para blocos. Vi um time de futebol brilhante, com suas lantejoulas e purpurinas. Vi travestis, nas mais lindas plumas... Vi gente alegre, feliz de todas as partes do Brasil e mundo interagindo. Vi brasileiro vestido de escocês e escocês admirado.... E vi no centro ao final de uma festa crianças brincando, um menino se escondia dentro de caixa de papelão, a muralha do outro que fingia atirar para qualquer canto.... parecia divertido se não fosse pela pobreza que se apresentava e o que estavam a reproduziam... ao menos eles riam.
Será que se o carnaval acontecesse pelo menos 1 vez por semana ou mês, mudaria o que estas crianças reproduziam em suas brincadeiras? Será que o carnaval mudaria o olhar deles, como muda a minha?
Acordei aos 7 anos com a mesma vontade de abraçar o mundo, acordei aos 7 anos no corpo de 27. Levantei e fui abraçar o mundo. Era um sonho, após a quarta-feira de cinzas.

A vontade que fica: interagir mais.....

P.S (para quem me conhece): Sim, mais e mais do que eu já interajo... rs
Agora sim, que começa 2010!
Muitos abraços!

Ah.....
E a música que mais tocou neste carnaval diz:

“Chora, não vou ligar
Chegou a hora
Vai me pagar
Pode chorar pode chorar (mais chora!)
É, o teu castigo
Brigou comigo
Sem ter porquê
Eu vou festejar, vou festejar
O teu sofrer, o teu penar
Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão
La laia, la laia
La la la”
- Festejar -

E engraçado... uma das quais mais se vibrava e interagia...
Talvez porque “dores”, todos tem em comum...
Eu?
Pulei, cantei, vibrei, cansei e fiquei
“com pureza da resposta das crianças....”
Livre!

música em: http://letras.terra.com.br/jorge-aragao/144648/



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



06/02/2010 04:18
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EXPECTATIVAS...ALHEIAS



Cheguei no Rio e algumas pessoas nem me perguntaram “como foi de viagem?”, vinham direto com “e aí viu o ex?”. Foi então que me dei conta... de algo que eu já desconfiava... nunca falei tanto de uma pessoa e pra tanta gente. Se um dia a figura aparecer no Rio capaz de ter comitiva esperando no aeroporto.. uns apenas por curiosidade, outros pra quererem estrangular... Como disse um amigo meu esses tempos... “me dá o endereço desse cara que vou lá dar uma surra nele”... será que era só pra me fazer parar de falar da criatura?
Saí da última visita ao sul decidida não tocar nem mais no nome dele... mas não teve jeito tive que matar a curiosidade dos amigos daqui “Não, eu não vi ele. Não quis. Seria pior...” As respostas foram diferentes e engraçadas geralmente acompanhadas de gargalhas... alguns diziam que não acreditavam, outros queriam saber se eu tinha conhecido a namorada dele, há também aqueles que queriam notícias de algum barraco, de um reencontro amoroso e por aí vai...
Foi tanta expectativa que até me assustei...Bom pelo menos.. descobri que curiosidade sei gerar...um dia quem sabe eu me torne autora de novelas....Depois dessa eu não duvido de mais nada.
Bom, gente, e esse é o final da história. hehehe

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



06/12/2009 19:51
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GRÊMIO x FLAMENGO
(depois do jogo)



Agora são exatamente 19h15. Resolvi dormir, aguentei "virada" até quase a hora do jogo e pensei "se é pra ficar vendo, não saber na hora pra que time torcer... ficar dividida, não vou. Chega de sofrer esse ano por "não saber pra que lado vai", vou dormir que ganho mais"
...Mas então...acordo então ao som do hino do Flamengo, muita gritaria e fogos, impossível voltar a dormir.
São 19h23, os vizinhos ainda estão gritando em coro "mengo", cornetas tocam, buzinas, cantam, gritam.. comemoram.
Abro o e-mail e tenho uma resposta importante relacionada a trabalho, gravações de um programa que teremos em breve. Ligo pro "amigo-chefe" e ele:
- Pô justo agora?
- E aí como foi o jogo?
- O Flamengo ganhou é claro
- Isso eu já percebi, mas de quanto?
- 2 x 1... mas o Grêmio não entregou, jogou mesmo!
Depois continuamos falando de trabalhol.
Mas fiquei feliz de saber que o time lutou, era o que imaginava que fosse acontecer....
Mas como eu previa...o Maracanã tremou...
Agora o carioca que não é flamenguista que aguente! hehehe
Ai como é bom estar fora da Terra da gente nessas horas!! rss

Internamente comemoro triplamente...
1. por saber que o Grêmio não entregou, mas lutou.
2. por não ter que ouvir mais adiante nenhum colorado se "gabamdo" de mais um título.
3. por ter muita gente feliz e comemorando onde estou.

Agora vem as loucuras básicas pós jogos importantes de futebol, como conta uma amiga que acaba de chegar em casa "Na rua o povo tá doido já, um cara do nada quebrou uma garrafa, jogando ela no chão"...

Melhor voltar a dormir...Depois me informo mais sobre como foi o jogo.

Um dia ainda vou no Maracanã na torcida do Flamengo só pra ver qual é a sensação e aqui poder contar. hehehe
---

Acrescentando às 20h07 a fala de um amigo gaúcho gremista que vive aqui: "Inter campeão, era só o q faltava Assisti o jogo com a camisa do Grêmio num boteco cheio de flamenguista hehehehe"

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



06/12/2009 12:12
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GRÊMIO X FLAMENGO


(antes do jogo)


Há algum tempo venho observando as diferenças culturais que presencio todos os dias...mas compreendê-las ou admirá-las talvez seja de fato algo que venha com o tempo. Não sei se saberia falar da minha terra agora, o Rio Grande do Sul, não tenho esse olhar de quem “veio de fora”. Vou comentar algumas particularidades de onde estou, o Rio de Janeiro, especialmente, neste momento, sobre o futebol.
Se dizem que o Brasil é o país do futebol, o Rio deve ser a capital. Não há um dia de jogo em que os bares, dos mais simples aos mais requintados, não tenha uma televisão, mesas lotadas em silêncio observando ou alegremente vibrando. Sempre há uma quarta ou domingo que escuto algum vizinho gritar o nome do seu time na janela. Talvez alguns não concordem, mas acho que a maioria do carioca é flamenguista. A gritaria, fogos, animação em dia de jogo do Flamengo é sempre maior. E quem não é, tem pavor.
Outro dia um taxista botafoguense, fez um trajeto falando mal do Flamengo... mas ele mesmo reconhecia... “quando aquela torcida entra não tem igual, é muito forte”, dizia. Outro dia vi num bar, uma senhora idosa, bebendo algumas caipirinhas, falando com todos na volta. Ela gritava, ela resmungava, ela xingava, ela vestia a camisa do Flamengo (não que não haja outras de outros times que façam o mesmo, mas a que eu vi...)
Hoje à noite, véspera de jogo, na rua o assunto não podia ser outro. Até o gaúcho colorado que quis se manifestar quase comprou briga. O garçom teve que intervir. Eu como gremista, só posso dizer... “tinha que ser colorado..” rs.. vai se manifestar lá no Beira-Rio... Aqui? Hoje? o Maracanã é Rubro-Negro! E é loucura dizer que não.
Mas o que mais me chamou atenção, foram os três flamenguistas de uma mesa, cantando alegremente e corretamente o hino do Grêmio. Foi sensacional, aliás é sensacional como o futebol é capaz de mexer com as pessoas, de uni-las ou separá-las.
Nunca me interessei muito por futebol, mas confesso que desde que vim alguma coisa está mudando. Acho que nunca vi um povo tão apaixonado. Tanto que pela 1ª vez na vida, estou ansiosa por um jogo, o de hoje Grêmio x Flamengo, onde os jornais estampam na capa as palavras da torcida do Flamengo “Grêmio, deixa o Flamengo ganhar”!
“A semana tinha tudo para ser tranquila pelos lados do estádio Olímpico, não fosse pelo interesse direto do Internacional no duelo entre Grêmio e o líder Flamengo. Sem qualquer ambição no Campeonato Brasileiro, o Tricolor gaúcho virou peça importante na definição do título. Se vencer ou empatar com o Rubro-Negro, e o Colorado derrotar o Santo André em casa, a taça vai para o Beira-Rio. Tão logo o quadro se desenhou, no fim da rodada passada, a torcida gremista se mobilizou na internet. Era o início da campanha “Grêmio, entrega!”. (http://globoesporte.globo.com/Esportes/Futebol/0,,CCF30698-9825,00.html)
Fico aqui dividida pensando se quero ver o Grêmio perder... Mas começo a me lembrar das tantas vezes que os colorados vieram me “pirraçar” por ser gremista, do um ex-namorado colorado fanático que tentava me fazer “virar a casaca”, do quanto tive que ouvir esses anos todos no sul... e que estou até feliz de termos um certo poder nas mãos.
Hoje acho que prefiro comemorar entre os flamenguistas, até porque.. não seria nada tranquilo sair de azul por aí... Ou será que nos bares, nas ruas, em casa não estarão gremistas e flamenguistas abraçados?
Bom, ainda é de manhã, os fogos começaram cedo, já dá pra ouvir alguns torcedores na rua, o carioca já está com amigos no churrasco frente ao Maracanã, o MSN está lotado de frases sobre o jogo.
Eu? Em casa ansiosa pra ver a vizinhança gritar.. ou será que me junto ao povo do boteco da esquina? Agüento acordada até lá? E na hora de ver será que conseguirei torcer para o Flamengo? Será que a torcida gremista terá uma faixa dizendo “Grêmio entrega”? A do Flamengo com certeza...
Enfim... nem sei se quero ver o jogo.... sofrer sem saber pra que lado.... rss
Mas... pela movimentação que acompanho....
Só pra vocês saberem.... que se acaso o Grêmio perder... pode ser que NÃO tenha entregado o jogo, pois como dizem “quando o Flamengo entra em campo aqui, o Maracanã treme”!
Pra encerrar de vez esse texto, acabo de receber no cel a mensagem de um amigo vascaíno “Tomara que teu Grêmio faça uma graça hoje. Bjs”

É... guerra é guerra! rsss
Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



30/11/2009 03:35
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VINIL


A primeira escolha...



Lembro-me que quando criança adorava ir ao mercado (por que será que isso hoje mudou? Rss)
Eu ainda não sabia escrever direito. Mas lá estava ele na prateleira, ao meu alcance. Não, não era um brinquedo... era um vinil. Preto com uma boca enorme vermelha. Gostei da capa, insisti tanto que meus pais compraram.
Abro-o curiosa pensando o que poderia ouvir nele... mas então a surpresa... um idioma que não entendia nada...
Mas havia uma canção que começava com um assobio, era a que eu mais gostava. Ficava tentando imitar aquele som. Até sentia uma certa compaixão pelo cantor.. pois a voz dele parecia “triste”.. A canção acalmava meu lado inquieto. Passava horas ouvindo sempre a mesma música.
Mais tarde vi que o disco fez sucesso entre alguns adolescentes que circulavam pela minha casa. Fiquei feliz de ter escolhido “algo legal”.
Hoje por acaso.. escuto novamente a canção e me lembrei daquele tempo. Meu primeiro vinil (que escolhi) tinha o símbolo do rock na capa, a música que mais gostava era do Guns N’ Roses. Seria eu precoce?
Fui procurar a tradução da letra pela primeira vez. Identifiquei-me em algumas partes e a ouvi diversas vezes... recordando aquele momento criança frente ao aparelho de som com a mesma inquietude de hoje.
Lembro do ditado “não se compra um livro pela capa”, bom pelo menos arriscando, naquele momento eu me dei bem. Aprendi a curtir o “brinquedo”.
O disco nem sei existe mais lá em casa, a música está por aí, a memória escrita.

A música chama “Patience”(Guns N’ Roses ), sua primeira frase diz se “Derramei uma lágrima...”. Foi escrita em 1988. Eu tinha 6 anos.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



24/11/2009 08:01
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DESAFIOS





O rapaz saiu ao mundo tentar encontrar com ele mesmo. Deixou tudo, largou tudo... e me questionou “e você o que faz ?”... Fiquei pensando como uma pergunta tão simples poderia me fazer questionar tanto.. Talvez porque dessa vez veio de alguém que seguiu o seu espírito livre...
Seria um absurdo lhe contar sobre um sonho que tive? Que me fez impulsionar uma antiga vontade? Falar sobre intuição? Sobre paixão? Esperança e algo maior que nem sei explicar ao certo...
Seria estranho dizer que estou seguindo o meu coração, uma vontade súbita que não consegui fugir mais... uma estranha certeza de que estou onde devo estar e sem ter razões para isso.
Talvez eu seja apenas teimosa.. tipo “cabeça dura” que quando coloca uma idéia na cabeça ninguém tira... do tipo que vai descobrir sozinha, que prefere experimentar a vivência do que ouvir conselhos por aí.. Que só escuta o que quer... que sabe que bater a cabeça na parede é apenas mais uma lição básica, mas que isso não mata... pode até desequilibrar um pouco, mas não derruba de vez.
Que vive intensamente a alegria, as tristezas e que estas às vezes parecem maior que a própria alma de tão insuportáveis que podem vir a ser... mas que acredita que existem simplesmente para nos testar? Para saber o quanto “a alma não é pequena”... ou é..
Seria estranho eu lhe dizer que só tenho medo do futuro, do presente e passado não.. Que o meu passo é incerto pois a cada dia estou descobrindo-o.
Que não tenho vontade de seguir a multidão, fico atrás criando o meu canto, enfeitando-o, fixando-me... para quando quiser voar com o vento.
Talvez eu veja pouca televisão. Talvez eu fale coisas sem nexos, talvez eu as pense também. Pode ser que para muitos a minha incerteza não tem sentido... e talvez não tenha.. O que interessa é que eu gosto disso.. de ir sem saber exatamente pra onde, de seguir a maré do meu coração e desbravar a vida como ela é.... e se caio...é porque sei que preciso me levantar para o próximo passo que deve ser tão desafiante quanto..
Que entendo que tudo vem para nos preparar para algo maior, mais desafiante...e que esse frio na barriga me assusta mas me move também. Que eu não tenho um grande sonho maior do que ter a minha imaginação livre para ir e vir de onde eu quiser...que ela é que me inspira.. é o sol, a minha água, comida... Que o meu mundo é lunático! Que faço piada do cotidiano quando posso, que debocho da vida com ela mesma... que não sei onde estão as amarras... mas jamais esquecerei onde estão as raízes...
Que às vezes “chuto o balde” e fico esperando para ver o que irá acontecer só de “birra” com a lentidão de certas situações... que confio demais em todo mundo e que a minha cadela queria brincar com o pessoal que veio me assaltar. Ela é muito parecida comigo, disso não tenho dúvida.
Sou meio amante do mundo e meio frustrada, sou uma revolução. Modesta? Não! Arrogante? Jamais!
Eu procuro me “enturmar” em todas as tribos, não saberia escolher uma.. gosto da possibilidade de pertencer a todas e nenhuma. Sou um desafio para a psiquiatria ou apenas para mim mesma... tenho certeza que este último é bem pior... afinal sou obrigada a conviver comigo até mesmo dormindo quando sonho... às vezes queria fugir e me esconder num canto escuro e vazio.. o nada.
Me acordo pensando qual a merda que fiz que tenho que rever? Ou seja eu me revejo todos os dias.. às vezes é isso que gera frustração... Aí quando acho que está tudo parado demais, sinto uma necessidade de “pirar” um pouco e sentir algo diferente, novo talvez... Preciso ser desafiada todos os dias porque acho que sou uma caçadora de emoções fortes, intensas que façam me lembrar o quanto estou viva, o quanto sou “rebelde” e o quanto ser comum é chato... mas jamais faria algum esporte radical... o que me tenta são os desafios emocionais, o cotidiano, uma boa trama, uma boa história, livro, peça de teatro, filme, música, um final de semana intenso cheio de novidades, uma idéia, frase, etc...
Não tenho rotina, também não sei se quero.. talvez eu viva menos que o normal. Mas quem entende como eu sinto tudo? E como esse tudo é pra mim... intenso muitas vezes sem sair de casa.
Não, não quero um mar de rosas... eu vim pra guerra e a guerra sou eu mesma!
Você me inspirou rapaz...
Talvez nessa vida eu nunca conclua a sua frase “todos somos atores nesta fascinante jornada da vida, oxala todos entendêssemos o nosso papel nesta edificante narrativa”...
Ser ator nessa vida pra mim é a inconstância...
Não sei se quero entender o meu papel... eu vim para viver e talvez narrar a jornada... entendê-lo? Pra que? Acho que seria perigoso, eu estagnaria. Eu temo saber...
Mas te confesso que desconfio... e só de pensar... tremo na base. A responsabilidade me assusta.
Vou andando que nem cavalo cego.
Sou a carta zero do tarô, o louco.



O LOUCO NO TARÔ - “O louco é um dos nomes dados a esse eterno viajante em busca de si mesmo. Conhecido outrora como o bobo, este arcano pode estar tanto no começo quanto no final num jogo de tarô. Com ele aprendemos estar pronto para um novo começo como também darmos um salto quântico ou seja dar uma reviravolta em nossa vida. Em suas diversas representações este personagem é simbolizado como um homem na forma de um coringa ou simplesmente um andarilho que segue pelo caminho que é muitas vezes desconhecido. Um cão sempre acompanha em sua jornada, talvez seja a voz de sua consciência o impelindo ar ir de encontro a uma nova realidade ou o acompanhando sempre. Sem medo, olha para frente e caminha em direção os seu sonhos e ideais. Pois parece confiar na voz que vem de dentro do seu coração. E é o que cada um deveria aprender a escutar e valorizar mais.” - RANDLER MICHEL- Astrólogo e Tarólogo in http://fusaocosmica.blogspot.com/2007/09/o-louco.html


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (11)



24/11/2009 04:41
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CONVITES CULTURAIS


Sábado, dia 28 a atriz Débora Almeida estará no IBAM com a peça "Sete Ventos", onde fala sobre a vida de mulheres negras. Ela sozinha no palco, prende a atenção. Faz rir e chorar... Me emocionei assistindo... acho que vale a pena conferir.

Também está em cartaz Fernando Ceylão, o precursor do stand up comedy no Brasil, com o espetáculo "Comédia no título". Ceylão aborda diversas situações do cotidiano com muito humor. Faz rir do começo ao fim.
Ele está em cartaz no SESC de Copacaba e no Teatro dos Grandes Atores na Barra. Para receber convite amigo deste espetáculo, basta dizer na bilheteria que foi indicado por mim (Melina Guterres).
E não deixem de conferir a Exposição do Carlos Vergara, está no MAM. Simplesmente maravilhosa.

Mais informações sobre os espetáculos e exposição em:

apanelacultural.blogspot.com


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (2)



26/10/2009 07:29
A FLOR É UMA FLOR!


FLOR
"Tal mãe, tal filha... tal dona, tal cadela... tal Melina, tal Flor"



Minha vida noturna sempre foi muito sociável. Faço questão de conhecer, conversar, escutar diversas pessoas. Depois que a Flor (minha cadela) apareceu, a vida diurna também tem sido muito sociável. Muitas pessoas param, a abraçam, beijam-na, algumas me contam suas histórias, o que adoro. Estamos sempre aprendendo ao ouvir. E a Flor é tão alegre, sociável. Sem distinções ela traz um pouquinho de felicidade ao porteiro, ao vendedor ambulante, ao morador de rua, ao segurança de restaurante, hotel, a madame, a moça que passeia com mãe, ao moço que caminha com a sogra, as senhoras, senhores, ao garoto de chinelo de dedo, ao que veste armani, ao sambista, roqueiro, travestis, prostitutas, taxistas, crianças, casais heteros, casais gays, brasileiro, estrangeiro, negro, branco, mulato, amarelo.. etc... ela simplesmente vai cheirando seus pés, pede colo, ganha abraços, distribui muitos beijos....eu simplesmente deixo a coleira solta... Como é bom ver as pessoas sorrindo! Ela consegue fazer isso, para que segurar a coleira?
A Flor gosta de gente, é muito parecida com a dona dela.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (4)



02/09/2009 17:05
DICA:
!
Esses dias assisti na Globo News uma entrevista com p jornalista Andrew Keen. Recomendo!

"O futuro do jornalismo é a plataforma multimídia"


“Para ser jornalista de verdade é preciso ter dois atributos. O mais antigo e principal deles: a curiosidade, um desejo de entender o mundo. (...) O outro atributo para ser jornalista de verdade é dominar a tecnologia. O texto ta acabado como um produto isolado. Quem quer ser jornalista deve entender como se usa uma câmera, como se usa um microfone, como se tira fotos,etc. O futuro do jornalismo é a plataforma multimídia. (...) Se você quer ser jornalista hoje não pode ter medo da tecnologia. (...) Eu abomino a idéia de que não sejamos pagos pelo nosso trabalho criativo.”

Andrew Keen, jornalista autor do livro “O Culto do amador: como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores“ em entrevista a Jorge Pontual.

http://especiais.globonews.globo.com/milenio/2009/08/26/sob-o-jugo-do-amadorismo/


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (2)



22/08/2009 05:55
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Pontes



O filho no colo do pai enxugava lágrimas, o casal de velhinhos andava de mãos, o menino pedia dinheiro pra comer, o rapaz da padaria olhava feio, a mulher passava cheia de sacolas, o casal de namorados se beijava. Nos meus olhos a humanidade, no meu coração um breve contentamento... muitas histórias pra contar...
O diretor de cinema disse, “tens o dom... somos extraterrestres... tu do espaço eu do centro da terra...”. Encontros e reencontros.. papo de dois loucos, sem idade, sem intenções, sem nome e sobrenome... apenas uma conversa de alma. Uma boa troca e muitas lágrimas, dores expostas, dores aliviadas... sensibilidade mútua e o triste fardo daqueles que sentem demais.
Histórias!!!
Daquele que começa, daquele que encerra... histórias daqueles que contam histórias...
E porque não perguntar ao senhor sentado na mesa ao lado se ele é artista?
Não, não foi uma conversa qualquer...
É talvez de fato tenha sido um encontro intergaláctico de dois mundos que já sonhavam juntos. Agora eles construíram uma ponte.
E o telejornal no dia seguinte encerrava com o rei:
“Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi...”

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



12/08/2009 10:37
cinema:


Pré-estréia do longa Manhã Transfigurada


Milímmetros e Pandora convidam:

Sessões de pré-estreias de Manhã Transfigurada, de Sérgio de Assis Brasil (in memorian) no Rio de Janeiro e São Paulo.O filme que lançou Manuela do Monte.
Livremente inspirado na obra de Luiz Antonio de Assis Brasil, e baseado em fatos reais, a adaptação para o cinema iluminou a obra, que originalmente se passa no século XVIII. Para Luiz Antonio, na narrativa houveram licenças e liberdades que são necessárias e criaram novas perspectivas dentro da trama. "...o filme melhorou meu livro."

Em uma época em que grandes propriedades são sinônimo de poder e a igreja representa a autoridade moral, a jovem Camila (Manuela do Monte) é levada a casar-se com um rico estancieiro para resgatar a posição social de sua família. Camila é aprisionada com sua dama-de-companhia Laurinda (Denise Copetti) e recebendo apenas as visitas do Padre Ramiro (Paulo Saldanha) e do sacristão Berbardo (Rafael Sieg), envolve-se em um triângulo amoroso marcado por paixões que desafiam fé e razão.

Elenco

Manuela do Monte ................... Camila
Rafael Sieg ............................. Bernardo
Paulo Saldanha ........................ Padre Ramiro
Denise Copetti ......................... Laurinda
João Pedro Gil .......................... Capitão Miguel
Mariza Rodrigues ...................... Siá Chica
Nara Maia ................................ Dona Bárbara
Pedro Freire Junior (in memorian)..... Senhor Martinho

Rio de Janeiro
Dia 18 de agosto de 2009 (terça-feira), às 21h30min.
Unibanco Arteplex Botofogo
Praia de Botafogo, 316
Botafogo-Rio de Janeiro-RJ
Confirmar presença pelo email:adrianamiranda@cinnamon.com.br
Confirmando seu nome irá automaticamente para uma lista(ingresso sujeito a lotação da sala)

São Paulo
Dia 19 de agosto de 2009 (quarta-feira), às 21 horas.
HSBC Belas Artes
Rua da Consolação, 2423
Confirmar presença pelo email:adrianamiranda@cinnamon.com.br
Confirmando seu nome irá automaticamente para uma lista (ingresso sujeito a lotação da sala)


Manhã Transfigurada
www.milimmetros.com/manhatransfigurada

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



09/08/2009 04:32
teatro


TÁ AFIM DE IR AO TEATRO????



Quero convidar a todos para assistirem a peça Alguém entre Nós, uma comédia romântica sobre como é a chegada de um filho na vida de um casal, ou seja, o período de gravidez.
Para receber o convite amigo (R$ 15,00) basta dizer na bilheteria que foi indicado por mim (MELINA GUTERRES). Sei que vão rir e refletir muito!!!

Este convite vale até o dia 16 de agosto, domingo!

Em cartaz na Casa da Gávea:
Sexta e Sábado às 21h
Domingo às 20h

Direção: Silvio Guindane
Texto: Regina Antonini
Elenco:
Naura Schneider
Milena Toscano
Fernando Dolabella
Roney Villela


Bom espetáculo!!!!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



10/07/2009 08:53
e.t

Alliens

Se por não puder ver....
pensares que estou caindo....
e por acreditares nisso...
também cair....
cuidado.....
pois um dia pode se surpreender...

por favor, por mim...
não caia

sou de outro planeta...
não esqueça...



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



08/07/2009 16:42
APENAS UMA MÚSICA:

TUDO QUE SOU



Trechos da música TUDO QUE SOU de Aline Calixto:



“Nada de ser mais ou menos
Eu sou sempre tudo o que sou
(...)
É preciso viver, pra saber esperar
O que é que se pode dizer
Do que é
Preciso calar
O que é sempre comum
Do que nunca vai se misturar
Qual a prata
De Oxum e qual é a de Iemanjá

Tem sempre a hora Da gente ter aonde ir... ou...
Cair fora sem ninguém pedir
Quem sabe de si não demora
E só fica onde tem que
Ficar
(...)
É preciso unir,
Pra saber separar
O que é que se pode medir
Do que é preciso pesar
O que é sempre o que é
Do que nunca vai se revelar
Qual a concha da fé
E qual é que
Não dá pra rezar”



No momento tô achando tudo engraçado, a vida, o mundo, os acontecimentos... às vezes temos que rir para não chorar mesmo...
Em menos de um mês.. me queimei feio, bati o nariz, machuquei o pé e agora pra piorar fiquei sem voz, dor de garganta... O que é isso gente??? Alguma praga??? Vai duvidar né...
Bom... em relação ao emocional... melhor nem comentar...
Enfim...
Acontece que nesse mês... algumas músicas pareciam dizer exatamente o que eu estava sentindo e me apeguei nelas... Mas de um tempo pra cá... encontrei a que está representando pra mim uma certa "cura"... devido a uma singela saberia em sua letra que fala em diferenciar "do que é sempre comum, do que nunca vai se misturar" ou então "do que é sempre o que é, do que nunca vai se revelar".... ou seja, fala de aceitação.
Ficamos esperando que algo ou alguém nos surpreenda... mas esse esperar pode ser eterno... porque “sempre vai ser o que é...comum”. Então o negócio é mesmo aceitar que de “aventureiros” de verdade, o mundo tem pouco.

Desde que vim ao Rio as pessoas geralmente me dizem... “Nossa, como você é corajosa, sair de casa sozinha e mudar de cidade”. Outro dia, entre gaúchos “retirantes” conversávamos sobre isso. Parece que todos já escutaram o mesmo. Ficamos ali refletindo o que poderia haver de tão corajoso nisso, simplesmente fazemos escolhas através de nossos sonhos e objetivos de vida.
Volta meia, recebo incentivos, até de pessoas que não conheço... mas sabem um pouco de mim... e as palavras não mudam “és corajosa, tem talento, quero que saiba que torço pelo seu sucesso”, algo sempre bom de se ouvir, ler...

O que discutíamos é que talvez para estas, sair do comum, arriscar-se é algo tão distante que para elas viramos “super heróis”. Projetam em nós o que tem vontade de fazer, mas tem medo. Nos tornamos uma referência, caso um dia precisem fazer escolhas assim.

Mas voltando a música... acho que quando saímos buscando outros horizontes, estamos indo atrás do “que vai se misturar, vai se revelar”... cansamos do comum e do que nunca vai mudar.

E nos surpreendemos, porque no caminho descobrimos que nos tornamos o que buscamos.


Para ouvir a música TUDO QUE SOU:
www.alinecalixto.com.br/
www.myspace.com/alinecalixto


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (20)



30/05/2009 03:05
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Amor incondicional... dói!!!!


Foram sorrisos
Foram alegrias
Foi um tempo vivido
Com paixão
Com amor
Com coragem
Com vida

Uma alma cruzou
O meu caminho
Me escolheu
Protegeu
E trouxe-me
Um espelho

Uma alma cruzou
O meu destino
E percebeu o que me
Fazia ter brilho no olhar

Uma alma
Acreditou em mim
Por ela me apeguei
Mandou-me seguir
Lutar...
Dizia que meus...
Sonhos eram bonitos
Demais para somente a ela
Encantar...

Uma alma
Viu minha alma
Sabia mais eu
Que sempre estive de partida
Que era essencial
Lembrar-me da
Necessidade de voar

Uma alma
Me fez ver
Me fez crer
Me abriu asas

Uma alma cruzou
O meu caminho
Conduziu-me
Já posso
Reconhecer-me
No espelho

Uma alma
Me tocou
Me fez sofrer...
Por perceber
Que apenas cruzou
Para em mim acreditar

Uma alma cruzou
O meu caminho
Fez-me feliz
E seguiu...

Dói aprender a voar...

Uma alma,
Amo e me ama incondicionalmente!
De uma alma,
A vida me separa...

Uma alma,
Carrego no meu olhar...

P.S:
Puta que pariu!!!! por que tem que ser só no olhar???
Caminhos...
Enfim...
Deus quer que eu desvende o mistério da vida também?
Olha...
Por enquanto descobrir o amor condicional já tá de bom tamanho!

Poesia dedicada a Ricardo S. W.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (6)



16/05/2009 03:29
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Genocídio

Chegou em casa, largou o casaco com raiva. Foi até a cozinha, serviu um copo da água, puxou uma cadeira e sentou-se. Não conseguia parar de pensar no traidor ou traidora que o colocara naquela situação. Sentia apenas raiva, seus músculos estavam rígidos, seu punho fechado e a batida sobre a mesa fez tanto barulho que acordou o bebê do andar de cima.
Saiu porta a fora resmungando, falando mal do mundo. Não entendia porque vivia cercado de tantas situações confusas, nebulosas. Porque algumas pessoas se afastaram, porque seu carro estava estragado, porque lhe diziam ou deixavam de dizer certas coisas. E pensou então que só poderia haver um traidor ou quem sabe até um encosto, mas não acreditava nessas coisas, era sem dúvida um traidor que não lhe abandonava, perseguia sempre em sua vida. Tinha que ser alguém bem próximo, quem sabe até seu pai, irmão... insistia em seus pensamentos e xingava o dito cujo sem nome.
- seu idiota, traidor, cachorro, filho da puta, onde tu te meteu? Vem aqui mostrar teu rosto!
Já cansado, começa a chorar sozinho sentado no sofá, nada estava dando certo. Suas escolhas pareciam estáticas em cima do muro. Seu relacionamento acabou, seu trabalho pagava pouco, no fim do mês tinha mais contas que dinheiro. Seus dias pareciam contados, mas ele tinha alguns amigos... quem seria o Judas?
Costumava conhecer muitas pessoas todos os dias, algumas poucas lhe faziam bem, outras só pensavam em si mesmas. Estava desolado, sentia-se usado, sujo, quase um inútil... se não fosse por seus talentos volta meia reconhecidos por alguém. Mas nem isso ajudava, a situação não estava para peixe.
Qual seria a solução? Matar-se? Mas tinha medo da dor e do tal julgamento final. Afinal suicidas vão para o inferno, foi assim que aprendeu desde criança. Nunca acreditou em espíritos, mas o temor às sombras existia.
Chegou a se ver amarrado nos trilhos e um trem vindo em alta velocidade, mas lembrou de alguns filmes e já estava em cima dos vagões tentando matar seu traidor. O trem corria, eles lutavam, até o inimigo, depois de muito esforço, cair e o trem passa por cima.
-Eca! Sangue! Não...não
Mudou, pensou em morrer tomando remédios, mas sendo alérgico a maioria deles, provavelmente não dormiria, iria passar tão mal que ele mesmo chamaria a ambulância. Mas seria interessante envenenar aquela gostosa que conheceu outro dia, ela era a culpada da sua crise. Ela e o chefe, o puxa-saco do chefe, o mala do vizinho, aquele cara do colégio que quebrou o seu óculos, a guria que lhe deu o primeiro fora.... todos aqueles que lhe magoaram.
- Aff, seria um genocídio! – pensou.
Levantou-se, foi até o banheiro pegar um tranqüilizante, ao fechar o espelho, viu sua vida num raio de segundo, viu no espelho seu traidor. Ele morrera cedo. Quantas vezes se matou? Quantas vezes tentou?
Lá estava ele, o homem descobrindo que tem sombra!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



13/04/2009 09:23
LUTO

Chocolates & perdas

Uma semana santa difícil.....


NO RJ...
Antes dos chocolates chegarem, ela se ia para outro mundo, distante por alguns bons anos de mim. Ela se ia, mas ficava o sorriso, a disposição, a vontade de seguir em frente, de lutar por um mundo melhor... e ela morreu lutando. Partiu, me fez chorar... a mãezinha que adotei por uns meses e me adotou. Já sabia meu bolo preferido, ele não faltava em casa. O famoso presunto de frango que descobrimos, estava sempre a mesa. Os elogios eram constantes quando eu lavava a louça, ou melhor, quando ela permitia. O cinzeiro já estava separado e se eu precisasse de cigarro, ela poderia ter buscado quando voltava do trabalho. Quando eu esquecia de comprar, ela entendia meu sofrimento...ex-fumante, eterna militante.
Didi desbravou mundos, Brasil, ditadura. Quando jovem, precisou alterar identidade, fugir do país. Exilar-se. Sempre acreditou que poderia fazer mais e o fez durante toda sua vida. Aos 64 anos acordava às 5h da manhã, pegava dois ônibus até o trabalho, 2h de viagem. Voltava para casa no fim da tarde. “Hoje luto dentro do sistema”, dizia.
Uma apaixonada pela “causa”...nos últimos anos, atuava como assistente social. Sempre uma nova história, uma nova luta. Corria atrás de todos os possíveis serviços para ajudar os mais necessitados, não era de ficar numa sala parada, mas no corredor do hospital perguntando se já foram atendidos... e ela mesma atendia.
Poucas vezes se vê um sorriso de quem chega satisfeito de um trabalho duro. Ela chegava! Ainda com energia para se preocupar se eu havia comido, que tinha pão fresco e presunto de frango na geladeira. Independente, ninguém poderia fazer nada por ela, volta meia chegava com uma sacola de compras. Aposentar-se? Jamais! A anistia precisava reconhecer sua luta. Mas essa linda mulher, não podia mesmo era parar...simplesmente porque sabia o quanto era necessária.
Ao referir-se sobre a juventude... dizia “Era um monte de gente jovem que tinha um sonho e foi atrás dele”... nunca cansou-se... sonhou e fez... jamais envelheceu!
Deixou o mundo melhor do que quando veio...

NO RS...
Antes dos chocolates chegarem... mais uma perda. Lá no sul, um jovem colega parte junto com seu pai, que tentou salvá-lo em um rio. Ainda é difícil de acreditar que nessa vida não veremos mais quem se vai.
Mais uma pessoa do “bem”... não chegou a ser um amigo íntimo, mas até onde conheci, uma boa parceria...
Um guri de sorriso no rosto, bem disposto de uma tranqüilidade incomum. De piadas agradáveis, adorador da cultura, do tradicionalismo...ele parecia observar o mundo a sua volta e não julgar, exceto pelo seu time, campeão do mundo, o Internacional, sempre o melhor...
Só posso falar do que ele me passava e de meus sentimentos em relação a esta perda... dos meus amigos, conhecidos que tiveram uma relação mais próxima... da falta que ele fará na noite, no dia, em Santa Maria, por onde andou e a quem leva uma lembrança dele.
Para mim é difícil não associar as duas perdas da semana de páscoa. O Ceratti não viveu tanto quanto a Didi, mas carregava o mesmo sorriso, uma certa inquietude e tranqüilidade, revolta e pacificação, um bem querer... . Fazia bem por onde passava, para quem encontrava. Me fazia bem saber que existia...

"Em maio passado, na última reportagem da série em que acompanhou uma cavalgada da 13ª Região Tradicionalista, ele escreveu: – Redescobri a beleza da simplicidade, reencontrei costumes que às vezes ficam de lado, como o verdadeiro companheirismo, e passei a dar mais valor para a amizade. Terminei a cavalgada feliz, não só pelos novos amigos, mas, principalmente, por ter me reencontrado com a nossa cultura." - Andréia Fontana - Diário de Santa Maria - 13/04/2009


E lá se foram eles antes dos chocolates... Duas almas de brilho próprio...
Deixando saudades, histórias para contar, lembrar, com a certeza que não passaram em vão por nem um minuto em nossas vidas.



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



01/04/2009 12:50
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Ao som da alma

Entre cinema e realidade, uma reflexão sobre a amizade


Criar ultimamente não tem sido é fácil. Mas uma amiga sem querer me motivou. Descubro por acaso, algo que esta escreveu sobre mim em seu blog. E eu por descuido, não percebi antes. O fato é que me fez refletir sobre um tema que nunca consigo terminar de escrever: a amizade.
E hoje percebi, o quanto simples palavras podem fazer diferença... Me lembrei do filme “Não estou lá” de Todd Haynes, sobre a vida de Bob Dylan. Em resumo, o cantor, em uma fase de sua vida diz que a música não precisa ter sentido, uma razão de ser e ao artista não cabe o “peso” de um “pai”, educador... somente ser artista. E talvez, esse dês-compromisso, é que faça fluir o que de fato é verdadeiro, e por isso, capaz de tocar, emocionar.
Fazendo um paralelo com a amizade, acredito que “verdadeiros amigos” possuem esse sentimento libertador de artista. Assim como a arte, ela não é uma obrigação, é uma dedicação pessoal, uma escolha. A ligação é de alma, não física.
O filme “Não estou lá” já diz “As muitas vidas de Bob Dylan” e é interpretado por diferentes cores e atores em referencia as fases do cantor. O que de certa forma, coloca algo bem próximo, as constantes transformações e evoluções do ser humano.
Nem sempre se vive no mesmo “tempo”, ou possuí mesmos conceitos, conselhos, pontos de vista, etc... Uma verdadeira amizade requer grande paciência. Ela pode desafiar, exigir grandes esforços e enfrentamentos sociais ou não.
Poderia fazer mil referências sobre o que é amizade sem compreender esse “camaleão” que habita em todas as pessoas e acabar criando mais utopias que realidade, algo que existe por demais.
Há alguns anos alguém me pediu para escrever sobre “amigos”, mas nunca achei o que criei bom suficiente para passar adiante. E o que há por aí, não inspira, fantasia.
Amizade aos meus olhos, transcende as razões, o bom senso talvez... ou seria o senso comum?
No fundo o que parece simples, é complexo de se falar. As razões que unem as pessoas podem surgir da superficialidade, mas não se mantêm por estas. Nem sempre se entende porque a afinidade é maior ou menor. Mas existe algo bem clássico, que se chama conduta. Ora divide, ora aproxima, no entanto as ditas “crises” podem ser superadas se estes se colocam disponíveis. Por isso é difícil classificar. A amizade depende de quem a vive e de como costuma torná-la real. Se transcende o “eu” para torna-se fielmente “nós”... seres humanos cheios de falhas, erros e acertos, qualidades e defeitos, guerreiros, sobreviventes em tempos de guerra e paz, capazes de se ajudarem, dedicarem, amarem, perdoarem verdadeiramente o outro... estarem juntos para “o que der e vier”...Bom... aí, é nesse nível, se encontram os amigos imperfeitos porém reais e confiáveis.
E eles podem ser muitos em um ou diferentes círculos. Não necessariamente apenas 1 ou 2 como dizem, pois tudo depende de como cada um se coloca no mundo... Da forma de agregar, cultivar, aceitar e admirar o outro como realmente ele é. E no fundo isso é o que todos buscam - Acreditar que se certas frases ainda fazem sentido como “um por todos e todos por um” sem que chamas atinjam.
E assim... como a artista que se entrega a própria arte, emocionando seu público.. As palavras, ações sinceras e despretensiosas de um verdadeiro amigo...sempre tocam.

Agradeço a todos os meus amigos antigos e novos que com suas palavras, e-mails, atitudes tornam possível este texto. Em especial, a motivadora... nas suas breves e despretensiosas percepções de mim em:
http://tedetudoqforcoisa.blogspot.com/2008/05/essa-mente-brilhante.html

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (14)



19/02/2009 12:32
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Cabo de Guerra

Eu tenho um homem
Ele pode ser o melhor deles
Ele tem um mundo
Eu outro
Ele tem um olhar
Eu outro
Nenhum caminho está errado
São diferentes
Bom pra um...
Ruim pra outro...
Vice-versa
Mas fica o amor no trânsito
Como no meio
Como não se desgruda
Parece brincadeira de corda
Aquela da infância
Em que duas forças
Contrárias batalham
Nenhuma negativas
Nós no meio!
Tentando viver
Permanecer juntos
Mas é inevitável
A corda cede, parece arrebentar
E cada um seguir seu mundo
Um pouco vencido
Um pouco derrotado
Um tanto triste
Um tanto feliz
Pela brincadeira
Pelo tempo naquele meio
Vivido
Pelo acréscimo
Pela amizade
Amor nascido
Eternamente
Presente
Almas!
Encontros!
Gêmeas...
Com compromissos diferentes....


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



13/02/2009 21:36
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Retorno

O espírito inquieto
fica em tédio
diante
da falta de cultura

O lado compulsivo
transforma cerveja em vinho
sente a ausência do teatro

Boêmia nata
as noites são mais longas
a espera mais distante
voltar para casa
o verdadeiro lar
é o que quer...

Um mundo mais colorido
O espírito se vê útil
Na sua realidade lúdica

...Retorna para sua tribo



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



06/02/2009 03:31
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Em algum lugar...

Algum lugar longe dos preconceitos
Longe dos antigos conceitos
Algum lugar se renova,
Distante do entendimento
Da razão
Reciclagem

Entre o certo e o errado,
O fim e o começo,
O céu e o inferno,
O bem e o mal,
O finito e infinito...

“Entre” está:
Um novo começo
Uma nova história
.. imparcial.

Um lugar perto da verdade!

Decisões...

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



03/02/2009 06:01
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Ciclo

Uma porta
Um mundo aos poucos
Se monta

A casa
A árvore
Raízes

O suor
A enxada
O olhar

O eterno construir
Cada andar
Cada escada
Janela
E portas...

Recomeçar
Plantar,
Colher,
Administrar

Uma porta
Um mundo aos poucos
Se monta...

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



20/01/2009 16:39
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DISCURSO DE POSSE DE BARACK OBAMA





Retirado da Revista Época:
20/01/2009 - 10:43 - Atualizado em 20/01/2009 - 15:54
ÉPOCA traduz a primeira declaração do 44º presidente dos Estados Unidos
André Fontenelle


Barack Obama:

Obrigado
(Obama, Obama)
Meus compatriotas,

Aqui me encontro hoje humilde diante da tarefa diante de nós, agradecido pela confiança depositada por vocês, atento aos sacrifícios feitos por nossos ancestrais. Agradeço ao presidente Bush pelos seus serviços a esta nação, assim como pela generosidade e pela cooperação mostradas durante esta transição.

Quarenta e quatro americanos, até hoje, prestaram o juramento presidencial. Suas palavras foram ditas durante a maré ascendente da prosperidade e nas águas calmas da paz. Mas frequentemente o juramento é prestado em meio a nuvens crescentes e tempestades ruidosas. Nestes momentos a América foi em frente não apenas graças ao talento e à visão daqueles no poder, mas porque nós, o povo, permanecemos fiéis aos ideais de nossos antecessores e aos nossos documentos fundadores.

Foi assim e deve ser assim com esta geração de americanos.

Estamos no meio de uma crise que é agora bem compreendida. Nossa nação está em guerra contra uma rede de violência e ódio de longo alcance. Nossa nação está bastante enfraquecida, uma consequência da ganância e da irresponsabilidade de alguns, mas também da nossa incapacidade coletiva de tomar decisões difíceis e preparar a nação para uma nova era. Lares foram perdidos; empregos foram cortados; empresas destruídas. Nossa saúde é cara demais; nossas escolas deixam muitos para trás; e cada dia traz novas evidências de que a forma como usamos a energia fortalece nossos adversários e ameaça nosso planeta.

Estes são os indicadores de uma crise, tema de dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo, é o solapamento da confiança por todo o nosso país. Um medo persistente de que o declínio da América seja inevitável, e que a próxima geração deva ter objetivos menores.

Hoje eu lhes digo que os desafios diante de nós são reais. São sérios e são muitos. Eles não serão superados facilmente ou num curto período de tempo. Mas saiba disso, América: eles serão superados. (aplausos)

Neste dia nós nos unimos porque escolhemos a esperança e não o medo, a unidade de objetivo, e não o conflito e a discórdia.

Neste dia viemos proclamar o fim de nossas chorumelas e falsas promessas, as recriminações e os dogmas desgastados, que por tempo demais estrangularam nossa política.

Ainda somos uma nação jovem, mas, nas palavras das Escrituras, chegou a hora de deixar de lado as coisas infantis. Chegou a hora de reafirmar nosso espírito resistente; de optar pela nossa melhor história; de levar adiante esse dom precioso, essa nobre ideia, passada de geração em geração: a promessa divina de que todos são livres, todos são iguais e todos merecem a chance de lutar por sua medida justa de felicidade.

Ao reafirmar a grandeza de nossa nação, compreendemos que a grandeza não é um presente. Deve ser conquistada. Nossa jornada nunca foi aquela de atalhos ou de quem se contenta com pouco. Nunca foi o caminho dos fracos de coração – daqueles que preferem o ócio ao trabalho, ou buscam apenas os prazeres da fortuna e da fama. Foi, isto sim, o dos que correm risco, dos que fazem, dos que executam coisas – alguns célebres, mas mais comumente homens e mulheres obscuros em seu trabalho, que nos levaram pelo longo e áspero caminho da prosperidade e da liberdade.

Por nós eles empacotaram suas pequenas posses mundanas e viajaram pelos oceanos em busca de uma nova vida.

Por nós eles trabalharam em coindições ruins e se estabeleceram no oeste; suportaram o estalar do chicote e araram a terra dura.

Por nós eles lutaram e morreram em lugares como Concord e Gettysburg; na Normandia e em Khe Sahn.

Mais de uma vez esses homens e mulheres lutaram, se sacrificaram e trabalharam até que suas mãos estivessem em carne viva para que nós vivêssemos uma vida melhor. Eles viram uma América maior que a soma de nossas ambições individuais; maior que todas as diferenças de nascença ou riqueza ou partido.

Esta é a jornada que continuamos hoje. Ainda somos a nação mais próspera e mais poderosa na face da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos que no início desta crise. Nossas mentes não são menos inventivas, nossos bens e serviços não são menos necessários que na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade permanece intacta. O tempo de deixar as coisas como estão, ou de proteger pequenos interesses e adiar decisões desagradáveis, esse tempo certamente passou. A partir de hoje, temos que nos levantar, sacudir a poeira e começar de novo o trabalho de refazer a América.

Para onde quer que olhemos, há trabalho a fazer. O estado da economia exige ação, ousada e rápida, e nós vamos agir - não apenas para criar novos empregos, mas para estabelecer novas fundações para o crescimento. Construiremos as estradas e pontes, as linhas elétricas e digitais que alimentam nosso comércio e nos unem. Recolocaremos a ciência em seu devido lugar, e usaremos as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade de nosso atendimento de saúde e reduzir seu custo. Usaremos o sol, os ventos e o solo para abastecer nossos carros e fazer funcionar nossas fábricas. E transformaremos nossas escolas e universidades para atender as exigências de uma nova era. Podemos fazer tudo isso. E faremos tudo isso.

Ora, alguns questionam a escala de nossas ambições. Sugerem que nosso sistema não pode tolerar planos demais. Suas memórias são curtas. Pois esquecem o que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem obter quando a imaginação se une a um objetivo comum, e a necessidade à coragem.

O que os cínicos não conseguem entender é que o chão moveu-se sob seus pés. Que as disputas políticas vazias que nos consumiram por tanto tempo não servem mais. A questão que se deve perguntar hoje não é se o governo é grande demais ou pequeno demais, mas se funciona - se ajuda as famílias a encontrar empregos com salários decentes, assistência que possam pagar, aposentadorias dignas. Onde a resposta for sim, nossa intenção é seguir em frente. Onde a resposta for não, os programas serão cortados. E aqueles que administram os dólares da população terão que assumir suas responsabilidades: gastar com sabedoria, mudar os maus hábitos, fazer negócios à luz do dia. Porque só então poderemos restaurar a confiança que é vital entre um povo e seu governo.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



20/01/2009 16:37
DISCURSO DE POSSE DE BARACK OBAMA
Texto:
(segue)

Tampouco a pergunta diante de nós é se o mercado é uma força do bem ou do mal. Seu poder para gerar riqueza e expandir a liberdade não tem igual, mas esta crise nos fez lembrar que, sem um olhar atento, o mercado pode sair do controle - e que uma nação não pode prosperar por muito tempo se favorece apenas os prósperos. O sucesso de nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance de nossa prosperidade; e da nossa capacidade de levar as oportunidades a todos os corações desejosos - não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para nosso bem comum.

Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre nossa segurança e nossos ideais. Nossos pais fundadores, diante de perigos que mal conseguimos imaginar, elaboraram uma carta para assegurar o império da lei e os direitos do homem, uma carta difundida pelo sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abandoná-los em nome da praticidade. Assim, a todos os outros povos e governos que estão assistindo hoje, das maiores capitais ao vilarejo onde meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de toda nação e todo homem, mulher e criança que busca um futuro de paz e dignidade, e que nós estamos prontos para liderar uma vez mais.
(aplausos)

Lembrem-se que as gerações anteriores encararam o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças resolutas e convicções duradouras. Elas entenderam que nosso poder, por si só, não pode nos proteger, nem nos autoriza a fazer tudo como queremos. Em vez disso, elas sabiam que nosso poder cresce quando usado com prudência; que nossa segurança emana da justeza de nossa causa, da força do nosso exemplo, as sóbrias qualidades da humildade e do comedimento.

Somos os mantenedores desse legado. Guiados por esse exemplo uma vez mais, podemos superar estas novas ameaças, que exigem um esforço ainda maior, uma cooperação e uma compreensão ainda maiores entre as nações.

Começaremos de forma responsável a deixar o Iraque para seu povo, e forjaremos uma paz duramente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e ex-inimigos, trabalharemos incansavelmente para reduzir a ameaça nuclear e fazer recuar o espectro de um planeta em aquecimento.

Não pediremos desculpas por nosso modo de vida, nem fraquejaremos em nossa defesa, e para aqueles que buscam atingir seus objetivos induzindo ao terror e massacrando inocentes, dizemos a vocês que nosso espírito é mais forte não pode ser quebrado; vocês não sobreviverão a nós, e nós os derrotaremos. (aplausos)

Pois sabemos que a colcha de retalhos de nossa herança é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus - e ateus. Somos formados de todas as línguas e culturas, trazidas de todo canto desta Terra; e porque provamos o fel amargo da Guerra Civil e da segregação, e emergimos desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos deixar de acreditar que os velhos ódios um dia passarão; que as linhas tribais logo dissolver-se-ão; que à medida que o mundo se torne menor, nossa humanidade em comum revelar-se-á; e que a América deve exercer seu papel no surgimento desta nova era de paz.

Ao mundo muçulmano: buscamos uma nova trilha adiante, baseada em interesses mútuos e respeito mútuo. Àqueles líderes mundo afora que buscam semear o conflito, ou pôr no Ocidente a culpa pelos males de suas sociedades: saibam que o povo os julgará por aquilo que vocês podem construir não pelo que vocês destruírem. Àqueles que se agarram ao poder por meio de corrupção e trapaças, e que silenciam opositores: saibam que vocês estão do lado errado da história; mas que estendermos a mão se vocês estiverem dispostos a descerrar seus pulsos.

Aos povos das nações pobres: comprometemo-nos a trabalhar ao lado de vocês para que suas fazendas floresçam e águas limps possam fluir; para alimentar corpos esfomeados e mentes famintas. E àquelas nações como a nossa, que gozam de relativa abundância, dizemos que não podemos mais aceitar a indiferença ao sofrimento fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem pensar nos efeitos disso. Pois o mundo mudou, e precisamos mudar junto com ele.

No momento em que divisamos a estrada que surge diante de nós, lembramo-nos com gratidão daqueles bravos americanos que neste exato momento patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, assim como os heróis caídos que repousam em Arlington murmurarão até o fim dos tempos. Nós os homenageamos não apenas porque são os guardiões de nossa liberdade, mas porque eles encarnam o espírito do serviço; uma disposição para encontrar sentido em algo maior que eles mesmos. Neste momento, um momento que definirá uma geração, é exatamente este espírito que devemos ter dentro de todos nós.

Pois, por mais que os governos possam e devam fazer, no fim das contas é na fé e na determinação do povo americano que esta nação confia. É a gentileza de socorrer um estranho quando um dique é destruído, a generosidade dos trabalhadores que aceitam reduzir sua jornada de trabalho para que um amigo não perca seu emprego, que nos fazem superar os piores momentos. É a coragem do bombeiro que atravessa uma escadaria cheia de fumaça, mas também a disposição de um pai para criar um filho, que decidem afinal a nossa sorte.

Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que nosso êxito depende – honestidade e trabalho duro; coragem e ética; lealdade e patriotismo; essas coisas são antigas. Essas coisas são verdadeiras.
Elas têm sido a força silenciosa do progresso ao longo de nossa história. O que se exige, então, é um retorno a essas verdades. O que se exige de nós agora é uma nova era de responsabilidade - um reconhecimento, por parte de todo americano, de que temos deveres para conosco, para com nossa nação e o mundo, deveres que não devemos aceitar de mau grado, mas sim agarrar com alegria, firmes na percepção de que não há nada mais satisfatório para o espírito, mais definidor de nosso caráter, que nos darmos o máximo de nós mesmos em uma tarefa difícil.

Este é o preço e a promessa da cidadania.

Esta é a fonte de nossa confiança – a noção de que Deus nos pede que definamos um destino incerto.

Este é o significado de nossa liberdade e de nosso credo - razão pela qual homens, mulheres e crianças de todas as raças e religiões podem reunir-se em celebração nesta magnífica avenida, e a razão pela qual um homem cujo pai, menos de 60 anos atrás, não poderia fazer um pedido num restaurante local, pode agora comparecer diante de vocês para prestar um sacratíssimo juramento.

Marquemos, pois, este dia, com a lembrança, daquilo que somos e do quão longe chegamos. No ano do nascimento da América, no mês mais frio do ano, um pequeno grupo de patriotas juntou-se diante de fogueiras que se apagavam às margens de um rio congelado. A capital fora abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado de nossa revolução parecia mais incerto, o pai de nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo:

"Façam saber ao mundo futuro... que nas profundezas do inverno, quando nada a não ser a esperança e a virtude poderiam sobreviver.. que a cidade e o país, alarmados por um perigo comum, ergueu-se para vencê-lo".

América. Diante de nossos perigos comuns, neste inverno de dificulades, lembremos estas palavras atemporais. Com esperança e virtude, vamos enfrentar uma vez mais as correntes geladas e suportar quaisquer tempestades que surgirem. Que os filhos de nossos filhos possam dizer que, quando fomos testados, nos recusamos a permitir o fim desta jornada, que não viramos as costas nem fraquejamos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande dom da liberdade e o entregamos em segurança às gerações futuras.

Muito obrigado. (aplausos)



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20/01/2009 16:21
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20/01/2009 16:07
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19/01/2009 22:20

Pensem o que quiserem!!!


Notícia retirada do site www.comunique-se.com.br

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Grupos de Fiéis da Renascer tentam impedir cobertura com agressão

Carla Soares Martin, de São Paulo



Maria Manso, da Rede Globo; Heloísa Gomide, da Globonews; Sílvia Damasceno, da Record; Daniel Lian e Francisco Palitos, da Jovem Pan. Estes foram alguns dos profissionais agredidos por grupo de fiéis da Igreja Renascer em Cristo que, descontrolados pelo desabamento da sua sede mundial, na Avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, tentavam impedir a cobertura da mídia.

“Fomos um dos primeiros a chegar (equipe da Rede Globo). Maria (Manso) estava relatando o incidente quando nós (repórter César Menezes e equipe) estávamos buscando uma casa para narrar, de cima, o desabamento. Fiquei sabendo que estavam batendo, dando soco na Maria e vim correndo. Quatro homens fizeram uma roda e deram socos nela. Gritavam que não queriam a mídia lá”, relata o jornalista da TV Globo.

Maria Manso ficou “chocada”, conta César Menezes. A equipe da Globo ficou tão receosa que começou a fazer as entradas, para o Fantástico, a quatro quarteirões do incidente. Heloísa e Sílvia contam que também foram empurradas.

A população se estendia a sete quarteirões ao redor da Igreja Renascer por volta das 19h, quando a equipe de resgate tentava realizar seu trabalho. Havia muitos populares; os quarteirões estavam lotados; as lojas fechadas. Fiéis da Igreja se dividiam em modos de ação. Alguns clamavam a Jesus para que os "maus-elementos", que não estavam lá na hora do resgate de boa-fé, fossem embora e deixassem a equipe dos Bombeiros e enfermeiros trabalharem. Muitos foram convocados para ajudar, levando água para quem estava trabalhando e consolando fiéis que tinham vítimas no local. Outros, com medo de que a imprensa fizesse um trabalho "contra" a Igreja Renascer, agrediram os jornalistas como método de prevenção. Vira-e-mexe, um grupo de cerca de dez pessoas ultrapassava o cordão de isolamento da Polícia Militar e tentava fazer um cordão humano na frente da igreja como forma de manifestação da fé e, também, numa clara oposição aos jornalistas.

Marcelo Moreira, da TV Bandeirantes, apesar de não ser agredido, bateu boca com os fiéis, buscando defender o seu trabalho. Pedia, insistentemente, para que a polícia retirasse aqueles fiéis e era prontamente atendido. Conta à reportagem que o jornalista free-lancer Paulo Teixeira também foi agredido e teve sua câmera roubada.

Daniel Lian, repórter da Jovem Pan, passou o pão que o diabo amassou. Foi um dos primeiros do veículo rádio a chegar. “Eu tomei tapa. Um fiel desligou meu telefone”, conta Lian. O técnico de áudio e externas Francisco Palitos, ao tentar ultrapassar o cordão de isolamento com os equipamentos de áudio, também levou. “Levei soco, cotovelada, empurrão”.

O que pensa a população sobre a mídia?
O fato é que, no meio de tanta gente, para um seleto grupo de fiéis da Igreja Renascer a imprensa não era bem-vista, era odiada. A repórter do Comunique-se tenta falar com um grupo de fiéis. Uma delas atende prontamente. Um casal, contudo, responde agressivamente. “Por favor, nos deixe em paz”. Ao fundo, ouve-se uma voz: “A mídia só noticia; não ajuda nada”. Os fiéis estavam perplexos com o que aconteceu e não sabiam como agir. Muitos lamentavam, outros oravam, outros agrediam.

Desabamento deixa dez mortos
O desabamento do teto da sede mundial da Igreja Renascer deixou dez mortos e 93 feridos. Na hora do incidente, às 18h50, cerca de 400 fiéis estavam na Renascer. Era intervalo de culto. Em 99, segundo o Estadão, o Contru, órgão que regula o uso de imóveis em São Paulo, havia lacrado a sede da Igreja Renascer por problema no teto, que estava corrompido por cupim. Na época, o fundador da Igreja, Estevam Hernandes, disse que o problema havia sido resolvido. Hernandes está nos Estados Unidos, onde cumpre pena por entrar irregularmente US$ 56 mil naquele país.

(*) Atualizada às 12h49.




Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



24/11/2008 13:12
Curta-metragem de Melina Guterres:
Sempre às Quartas leva 4 "vento norte" no SMVC


Sione Gomes leva prêmio de melhor atriz como Estelita

O curta SEMPRE ÀS QUARTAS levou 4 troféus "Vento Norte" na Mostra Regional competitiva do Festival de Vídeo e Cinema de Santa Maria - SMVC!

- Atriz: Sione Gomes, "Sempre às quartas".
- Trilha sonora original: Gerson Rios Leme, Pirisca Grecco, Pedro Ribas por "Sempre às quartas".
- Desenho de som: Gerson Rios Leme, por "A história de Antemar Manuzo" e "Sempre às Quartas"
- Menção Honrosa: Alexsandro Pedrolo pelo cuidado técnico em "Sempre às quartas".

Esclarecemos que a trilha original do curta é de GERSON RIOS LEME.
PIRISCA GRECCO criou a valsa "Toda quarta-feira" para a cena do CTG. Pedro Ribas participa nessa.

Parabéns aos premiados e a toda equipe, elenco, patrocinadores e apoiadores do curta!

mais do curta:
http://semprequartas.blogspot.com/

sobre o festival:
www.smvc.org.br

notícia sobre as premiações:
http://www.clicrbs.com.br/jornais/dsm/jsp/default.jsp

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



19/11/2008 04:53
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Notícias... CURTINHAS:

- O curta foi lançado aqui no Rio foi ótimo!
Essa semana ele está competindo no Festival de Vídeo e Cinema de Santa Maria, sábado acontece as premiações.
Eu? nervosa é claro!! Talvez menos ou mais por não estar lá... vai saber.. rsrs
Mais do curta no blog dele (hehehe): http://semprequartas.blogspot.com

- Estou fazendo a preparação de elenco de um curta e atuei semana passada em outro. Acordei as 6h30 da manhã, cheguei em casa lá pela 0h. Fiz duas personagens, uma bem diferente da outra e adorei... o diretor também disse que gostou... eu só acredito vendo depois tudo pronto. hehehe Mais sobre esse no blog: http://curtaa2.blogspot.com

- Amanhã, ou melhor hoje, quarta, 19, sai o primeiro resultado de uma especialização que tentei por aqui. Talvez mais uma das razões que explicam eu ainda estar acordada.

- tá chega de curtinhas!! cansei passei o dia escrevendo roteiros e ainda tenho mais um pra aprontar pra logo... pelo menos esse me pagarão p isso... ooo coisa boa!! fazer o que gosta e ser remunerada por isso.

Tô bem sim, ótima, feliz só que com saudadesss
faz parte!
;)

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (2)



08/11/2008 05:20
...

A MENINA DA NOITE...




É uma sexta-feira à noite, estou em casa. "Colada" a um bairro boêmio. O final de semana é sempre agitado. Não é de hoje que sentada no computador escuto conversas de quem passa na rua.
Sim!! aqui soa um eco! Até o latido do cachorro retumba nas conversas do telefone (eu estou no 2º andar de um prédio).
O avião passa, o carro, a moto... argh... cada uma mais barulhenta que a outra... Também tem os miados dos gatos no cio. As pombas que não fazem barulho, mas atrapalham no trânsito.
Enfim... já ouvi muito conversa daqui estando em casa em um final de semana...
Hoje algo me chamou mais atenção... uma menina dizia em alto e bom som para uma amiga:

- Eu não tenho um pai, eu nunca tive um, eu não sei o que isso!

Ela pega o telefone e liga para a sua mãe e logo vem uma conversa da qual não faz tanto eco...
Fiquei pensando naquela menina, quem seria ela? Por que ela dizia aquilo daquela maneira?
Sim! Parecia uma verdade e não um conflito de adolescente em crise. Ela dava a “real” e ligava no meio da madrugada para sua mãe como quem justifica a hora ou algo do gênero.
Não vi a menina, nem fui até a janela para tentar ver. Mas aquela frase e tom de voz ficaram, e fiquei a pensar... O que seria alguém sem pai? Tentei imaginar... mas jamais compreenderia o tamanho, o sentido, a experiência daquela voz da menina.
Ela foi... e eu fiquei...

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (2)



03/11/2008 11:31
A ÚLTIMA!!!
Cinema/Vídeo:


CURTA “SEMPRE ÀS QUARTAS” EM IPANEMA
Terça-feira o curta será exibido no Terça em Movimento do Conversa Fiada


O curta (ficção) SEMPRE ÀS QUARTAS (11’35’’) de Melina Guterres será exibido nesta terça-feira, dia 4, às 22h, na noite cultural do TERÇA EM MOVIMENTO, no 3º piso do bar e restaurante Conversa Fiada de Ipanema.

SEMPRE ÀS QUARTAS é uma produção gaúcha de Santa Maria-RS, fala sobre solidão, romance, fantasias, expectativas e esperanças. Foi escrito no intuito de gerar reflexão e dúvida. Francisco, personagem central, é um homem de 80 anos, que coloca poesia em sua vida, recria seus dias e é capaz de viver um grande amor ou quem sabe inventar um. O suposto aniversário desse amor, narra o dia.

Melina Guterres, diretora e roteirista, é jornalista, realizou o curta durante o Curso de Jornalismo. Ela trabalha com produção de cinema e vídeo desde de 2002. Em 2007, começa atuar como roteirista e diretora. No momento vive no Rio de Janeiro.

SEMPRE ÀS QUARTAS, é um curta digital e acaba de fechar uma parceria com a produtora Vestígio Filmes do Rio de Janeiro cujo o objetivo é realizar o transfer, ou seja, transformar o digital em película, podendo assim concorrer em Festival de Cinema a nível nacional e internacional, restritos a película de 35mm.

Sinopse do curta:
É quarta-feira, aniversário de Estelita, o grande amor de Franco, um homem romântico de 80 anos que sempre está a escrever cartas a ela, a quem visita sempre às quartas.
Neste dia, ele resolve se preparar melhor para o encontro. Precisa dizer verdades guardadas durantes anos e, fazer um pedido.
Quem é esse homem? E que história de amor é essa?
Fantasia e realidade se fundem.
O que de fato é verdade na vida de Franco?

***

Mais sobre o curta: http://semprequartas.blogspot.com/
Mais sobre a diretora: http://melinaguterres.blogspot.com/


Com funciona no dia:

O Conversa Afinada é o 3º piso do bar e restaurante Conversa Fiada - (Rua Vinicius de Moraes n°75, quase esquina com a Visconde de Pirajá), onde há o TERÇA EM MOVIMENTO, uma noite cultural de todas as terças-feiras, a partir das 21h, em que acontecem exibições de curtas, esquetes teatrais, poesias e bandas. É realizado por Daniel Fontes e Ronan Horta.

Valores:
Com nome na lista:
Até às 21h livre
Após esse horário:
Masculino: R$ 10,00
Feminino: R$5,00
Sem nome na lista:
Masculino - R$ 20,00
Feminino – R$ 10,00
Masculino depois das 23h - R$ 30,00

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



02/11/2008 12:14
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FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS
Abertura dia 30/10, quinta-feira. Foto: Melina Guterres

O Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro - Curta Cinema 2008 está acontecendo! Começou nesta quinta-feira, 30 e vai até o dia 9 de novembro. Mais de 300 curtas serão exibidos nos cinemas Odeon Petrobras, CAIXA Cultural, Ponto Cine, Lonas Culturais e Cinemaison.


CONFIRA A PROGRAMAÇÃO E MAIS DO FESTIVAL EM:

http://www.curtacinema.com.br


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



27/10/2008 07:43
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Sim...Uma visão "meio" romântica sobre o jornalista




Eis que hoje ao me candidatar para um anúncio de vaga para jornalista, havia uma pergunta básica, daquelas que perguntamos aos mais experientes no começo da faculdade e respondemos para os bixos quando estamos quase nos formando.
Mas enfim, fiquei pensando que resposta daria para uma possível contratação. Poderia caracterizar que nem os anúncios: ter boa dinâmica, conhecimentos gerais, blá, blá, blá.
Então pensei:
- *** (alguns palavrões)... O jornalismo é a profissão que escolhi para minha vida! ***(mais alguns palavrões) e é tão desvalorizado.

A gente acorda e dorme jornalista, pensa como jornalista. Vê em tudo uma pauta, uma reportagem, um documentário. Escreve na internet, no word, no caderno, no guardanapo, no celular... em qualquer lugar e quase sempre.
A gente analisa o mundo criticamente, lê livros, revistas, jornais diariamente. Conversa com as mais diferentes pessoas, vive e escuta tudo que é tipo de história (acho que todo jornalista tem um dom de “ouvidor” ou psicólogo - as pessoas chegam, reclamam, anunciam-se, contam a vida, etc... E ficamos feliz por elas se manifestarem).
A gente faz notícias, faz reportagens, escreve contos, crônicas, comentários, críticas, roteiros, etc. É apresentador, repórter, diretor, produtor, realizador... Somos um pouco de tudo o tempo todo e ganhamos muito pouco!
Aí vem a pergunta:
“Quais as características de um bom jornalista?”
*** (palavrões) - Tu pára e pensa em tudo que se fez até hoje na área e se imagina daqui a uns 20, 30 anos... como a grande maioria, ralando muito e ainda com aluguel para pagar. -

E dá uma vontade danada de responder:
- *** (vocês já sabem o que significa isso). O dia que “tu andar com os meus sapatos” vais descobrir o que é um jornalista. O dia em que souberes que carregamos o mundo nas costas e no peito poderás ter uma leve noção do que é ser bom. E se continuares querendo ser um nas circunstâncias atuais... bom aí vais perceber que uma pessoa boa, tu és.
Agora quando tu virares noites escrevendo, lendo, fazendo notícias, reportagens e qualquer porra (cansei dos ***) sem receber hora extra ou sem ter um trabalho... O fizer porque simplesmente esse “movimento de alma” está intrínseco, que faz até de graça porque dá prazer, alimenta, te sustenta em outros sentidos... Bom aí quem sabe possas ser um bom jornalista...(claro, se agüentar o tranco) e então, descobrir a resposta da tua pergunta.
Para mim o jornalista é uma pessoa que desenvolveu uma aptidão: a curiosidade ... e querendo ou não, jamais se livrará dela, porque é ao desvendá-la e comunicá-la que habita toda a sua esperança, ideologias, utopias de viver em um mundo melhor... Afinal o jornalista é aquele que tudo vê, conta e registra...
Bush mata.
Saddam vira mártir.
Bons jornalistas são silenciosamente calados e/ou enterrados... enfim... Incomodam!!!


A resposta que dei a pergunta do anúncio:

Sinceramente... Para mim um bom jornalista é aquele que está sempre em busca, realizando e questionando. É um indagador nato que jamais se acomoda. Está em constante movimento. É aberto a novas idéias, circula com naturalidade pelos mais diversos mundos, pessoas. E destes, leva tudo que é possível em seu trabalho e vida. Poderia caracterizar por itens, mas acredito que o jornalista realmente bom, assim o é, porque o jornalismo, além da sua profissão, é sua natureza...

(não tinha mais espaço para continuar)


Não, não tenho esperanças nesta vaga... Só não tinha como dar outra resposta.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (43)



26/10/2008 05:08
.


UM OU UNS

Uma página em branco e muitas idéias.
Um olhar aguçado
Um momento único em vários.

Em tudo, uma novidade,
Um conceito,
Um retrato..
Um movimento,
Uma intenção,
Revolução.

*

E...

E ele chega em casa
E em casa ele se sente
E ele vibra

No chuveiro,
Se sente vivo,
Parece que havia
Esquecido disto

Dorme
Acorda
Com um
Querer mais
Com um
Viver mais

E ele ri,
Chora,
O tempo perdido
&
Comemora
O despertar

Chega em casa
E em casa ele se sente
...vibra,
Comemora,
Agradece
O dia a mais...

Esquece do resto
Para por aí
Envelheceu
Amadureceu
Cresceu

O tempo lhe tem valor
Acorda...
Não quer mais dormir

Trrrrimmmm
É o despertador
Ele vibrou!



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



20/10/2008 07:24
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...


Perguntam,
Aqui e lá:
Como é que vai ficar?

Fazem suposições
Acreditam que a distância
Vai separar

Tentam lá,
Tentam cá,
Desacreditar

Acho que não amam
Nunca amaram...
Talvez um dia
Possam ter a felicidade
De saber...

E dos mesmos questionamentos
Que fazem
Sofrer...

E então perceber ...
O quanto “mala” foram
Um dia!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (2)



20/10/2008 06:21
EXPERIÊNCIAS-RJ:


A HORA DE DECIDIR...

Acabo de escrever sobre as “palavras” e me lembrei de algo que escuto muito aqui no Rio, que os cariocas são mentirosos, adoram passar “171” e em relação a trabalho que tem que se cuidar muito para não se meter em uma fria.
É engraçado chegar num lugar e de repente se ver recomeçando uma vida. Conhecendo outras pessoas, estar num ambiente diferente, perto do mar, longe das montanhas, perto das favelas, longe dos balneários.
Me sinto um pouco a prova, teste... longe de casa, família, namorado, amigos mas em busca do que sempre quis para minha vida, ou seja, viver onde estou e trabalhando com comunicação, cinema, TV, teatro, artes.
Fiquei esperando pelas respostas do mestrado, foram negativas. Pensei em voltar, mas de repente algumas coisas começam a surgir... a possibilidade de trabalhar numa produtora, de conseguir alguns contatos, de exibir meu curta numa Escola de Cinema e a de morar temporariamente no Rio de Janeiro dividindo apto. com uma pessoa que tem os mesmos interesses profissionais que eu e já vive por aqui há alguns anos.
Era a hora de voltar para casa?
Desde então, acompanhei o Festival de Cinema, tenho conhecido pessoas que atuam na área cultural, tenho feito contatos, tenho encaminhado currículos e também a ido a diversos aniversários, porque nunca conheci tanta gente libriana (rrssrs).
Vi uma pós em jornalismo cultural numa universidade pública daqui com inscrições abertas.. estou pensando em tentar... mas já me falaram que, assim como foi nas outras, será muito concorrido.
Também já escutei para não estipular um prazo para ficar, porque realmente nada é fácil... “as coisas não acontecem de um dia para o outro”, “é preciso tu ficar, imagina se te chamam para uma entrevista e tu não estás aqui”, etc..
É fácil... não é em nenhum lugar.... como diz meu namorado, “é melhor tu ficar e tentar de tudo, depois se não der, voltar”.
Outro dia, ainda em Niterói, pós resposta de reprovação do último mestrado, perdida sem saber o que fazer, escuto na rádio uma música (a mesma tocou agora enquanto escrevo), uma das poucas que ainda sei tocar no piano das aulas que tive na infância.
A música* dizia “Vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” – pensei comigo, é isso!
Lamentei na hora toda a minha saudade, sofrimento de estar a distância para então continuar tentando e ... no futuro, não pensar... como diz outra música ( Ilusion de Julieta Venegas):

“Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi”


---
*
Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores
Geraldo Vandré
Composição: Geraldo Vandré

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...
Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...
Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (2)



20/10/2008 03:47
...


PALAVRAS



Como dizem: Na vida se encontra pessoas e pessoas!

Algumas se dizem amigas...
Mas se encontram apenas em bares
Outras, em projetos, trabalho, casa, festas e também em bares
Algumas recebem apoio nos piores momentos
As mesmas podem ter a capacidade piorar um pior momento
Algumas se falam todos os dias
Outras falam delas..

Algumas entendem uma situação
Outras debocham
Algumas têm vontade de crescer
Outras nem aceitam quem as tem

Algumas pessoas são capazes de iluminar uma vida
Outras de trazerem sombras e dúvidas
Algumas pessoas falam demais
Outras de menos

Há quem fale na hora certa
Há quem não fale nada
Há quem fale apenas merda
Há quem ria, ache graça
Há quem chore, sofra (por causa disto)
Há quem se incomode
Há quem não ligue
Há quem apenas diga que não

Eis que a boca
Pode ser um lixo
Ou uma floresta de flores
Palavras podem vir de um bêbado
Podem vir do sóbrio..
Mas indiferente...
Podem vir verdades,
Bondades,
Mentiras,
Maldades,
...Elas vem de quem as habita
Eis a única verdade...

É por estas... que se diferencia
Quem quer o bem..
...de...
Quem quer qualquer coisa...


Um ditado popular: "Vale mais a pena ser um sábio calado do que um papagaio mal informado"
Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



17/10/2008 04:13
EXPERIÊNCIAS-RJ:


Acabo de escrever para uma colega e amiga e percebi que as suposições são as mesmas, ou seja, que eu vou voltar bronzeada para o sul.... mas só chove aqui!!! Meu biquíni ta na gaveta há tempos, não usei nenhuma vez até agora.
Divido minha estadia aqui em duas fases, antes e durante as tentativas de mestrado(1) e durante e pós isso. Hehe (2).


ENQUANTO EU LIA:


Antes, tive uma experiência maravilhosa convivendo com uma família de amigos meus e de minha madre. Gente inteligente, culta (até demais.. que me sentia burra), que lutou quando tinha que lutar, que colocou a ideologia acima de todas as coisa, que segurou a guerra nas mãos, combateu censura, ditadura e hoje, depois dos 60 anos, tem muitas, muitas histórias para contar e ainda carregam gírias no vocabulário. Eis aí a minha primeira casa, família adotada que já sinto saudades também.
Li, escrevi, vi e discuti filmes por lá... eu sabia que ia para um retiro intelectual... mas não esperava encontrar tanto apoio, diversidade e afetos. Espetacular!
Mas a saudade de casa pesa, e as horas no computador com o namorado, família, amigos... aiii que divisão! Ler ou conversar?
Em um mês eu tive 7 livros.. “pequenos”.. alguns de 600 páginas para estudar.(rsrsrs)
Sai o número de candidatos, 108 para 12 e 215 para 20.... – “me fudi” – pensei!
Depois de um tempo vi que “me fudi” mesmo! É não rolou... cheguei a passar na primeira fase de um deles.. mas na segunda... Enfim... o que dizem por aqui é que tem que entrar como ouvinte um ano ou semestre antes para conhecer os professores e tal ... etc.. aquela coisa toda que acontece em todo Brasil.
O que eu levo dessa tentativa de mestrado? .. os livros!!! Hehehe Ah é claro, o projeto que um guerrilheiro me ensinou a fazer. Reprovei foi é nas provas teóricas!
Talvez eu seja um boa ouvinte...ou contadora de histórias.. teórica.. não sei.
Essa experiência toda por aqui, tem imagens e sons... uma rádio de MPB... maravilhosa, cantos de pássaros, barulhos de carros ... brigas dos vizinhos... os amigos do buteco da esquina cantando no karaoque, a moça da venda que comprou cigarros mentolados porque todo dia eu ia lá perguntar se tinha (era a venda mais próxima), o pessoal da farmácia, do xeroz, da lotérica (é eu tentei ganhar na mega sena).
Mas enfim... vamos adiante...
Uma semana antes de fazer a primeira e última prova de uma das universidades “me mudo” para casa de um amigo de infância... hoje tão mudado. Colocamos as conversas em dia, as brigas e discussões também. Foi ótimo!
Mas o mais difícil no inicio do trajeto Niterói e Rio foi me localizar. Cidade grande é foda! Quase 2 horas sentadinha num bus de linha. Percebi que muita gente dorme no percurso... Depois de um tempo..comecei a cochilar.
Niterói na orla é muito bonito. A vista da ponte também... mas ao chegar no Rio de longe já se vê uma nuvem amarela sobre a cidade. Os lugares um tanto abandonado, um descaso (detalhe: eu estou indo para o centro e não zona sul – aquelas que aparecem na novelas). O centro durante a semana lota, a noite e finais de semana, não se reconhece, parece uma cidade literalmente fantasma.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



16/10/2008 09:23
CONTO:


FUTEBOL AO SOM DE RAUL


Algumas pessoas encontram a coragem ao romperem com seus próprios conceitos. Eis a história de Maira, mais uma mulher entre tantas que precisam apenas tomar uma decisão para ser feliz na vida.

Maira precisava organizar as idéias, colocá-las numa prateleira, todas empilhadinhas e escolher uma, focar a vida.
Mas se dispersava com qualquer barulho da rua, não conseguia concentrar-se. Dizia a si mesma que precisa decidir... subia nas escadas dos livros, tentava fazer brilhar alguma idéia bendita. Pedia conselhos, ouvia todos... mas não compreendia... afinal quem a entenderia... se nem ela entendia. Buscou nas experiências alheias, relatos e nada... nada vinha.... só uma pressão maior... o tempo se esgotava a cada hora, cada dia, minuto. Maira pirava sozinha. Certo dia comprou um cigarro (ela não fumava), uma bebida (ela não bebia) e um pouco de maconha (ela não usava drogas, era careta mesmo!) e foi para casa.
Começou pelo cigarro, deu uma boas baforadas e umas boas risadas, rompia com toda a educação da escola, da família, do governo, da “puta que o pariu” que dissesse que fumar fazia mal. Naquele momento, pra ela, fazia bem.
Pegou um copo e serviu a bebida, lembrou de um namorado que adorava um trago, brindou a ele.
- Salve o idiota! – gritou depois de mais uns goles (ela não gritava)
Por sorte conseguiu comprar um baseado já fechado, afinal ela não precisa de nenhum inteiro. Alguns “pegas” já levavam Maira há um outro estado de consciência.
Ligou a TV, passava algum jogo de futebol. Divagou sobre 22 “retardados” correndo atrás de uma bola. Até que então se deu conta, que era disso que precisava, marcar um gol! E vibrar a sua vitória!
Nunca prestou atenção tanto ao futebol como naquele dia. Precisava elaborar estratégias, ser zagueira, meio-campo, atacante e goleira, afinal tomar um gol estava fora de cogitação.
Passou a organizar o time, ser a técnica de si mesma... . Ao som de Raul “controlando a minha maluques, misturada com a minha lucidez”, traçava seus próximos objetivos, tentava ficar maluca, algo que nunca se permitira.
No dia seguinte, acorda com ressaca, os cabelos piores do que costume. Ainda bem que moro sozinha – repetia a si mesma. Liga o rádio e lá vem Raul de novo.... “tente outra vez...”.
- Porra (ela não falava palavrão) Raul! Eu a recém comecei... a pensar diferente!
Maira desandou, caiu em choro. Aquele maluco dizia tudo que parecia certo... Mas ela que era a “certinha” que fazia tudo “conforme o regulamento” estava ali em prantos, desesperada por uma decisão que parecesse mais plausível... e com a certeza de que de “certa”, virou “louca”... porque “louco é quem me diz que não é feliz”.
Cansada de jogar na defensiva, desligou o rádio (rompiam-se conceitos, decisões). E antes que começasse o “segundo tempo”, partiu para o ataque. Saiu da gaveta, uma nova Maira... e nem foi preciso empilhar tantas “fitas”.
Continuou "careta" como sempre foi (não curtiu a ressaca)...mas capaz de cometer "loucuras", quebrar "padrões". - Foi ela, atrás do que sempre quis pra sua vida! -
- Antes tarde do que nunca – dizia Maira quando abriu a porta de casa decidida.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



09/10/2008 08:27
"TERÇA EM MOVIMENTO" em Ipanema


Pré-pauta:

Em breve vou escrever aqui, neste espaço (post) mesmo, sobre a "Terça em Movimento", uma noite cultural que acontece todas as terças aq no Rio no 3 º piso do bar/restaurante Conversa Fiada em Ipanema. Fiquei bem surpresa com a iniciativa e quantidade de jovens fazendo ou no mínimo interessada em cultura. Curtas, esquetes teatrais, recitais de poesia, bandas... etc.. tudo numa noite só e lotada! mto legal! Adorei!
Dps eu conto mais...
Vou dormir que o dia amanheceu e eu com ele escrevendo...


***

Na verdade não tenho muito mais o que falar...o bom é ir e conferir.

Na próxima terça, 14/10, vai rolar:


CURTA: AVENTURAS --- UM FILME DE Wallaceh Meirelles

POESIA: EXPRESS PLUS MATER JAZZ FESTIVAL

ESQUETE TEATRAL: Marcos Baô

MÚSICA: Wiliam Gafieira--- forró pé de serra

DJ: MAURICIO !!!!

A PARTIR DAS OITO DA NOITE NO CONVERSA AFINADA VINICIUS DE MORAES 75 REPUBLICA LIVRE DE IPANEMA


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (2)



09/10/2008 06:45
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Festival de Cinema do Rio de Janeiro

Rodrigo Santoro e Martina Gusman, elenco de "La Leonera" durante estréia no Odeon

fotos: Melina Guterres


Toda experiência tem um contexto. Não consigo pensar nos filmes do Festival sem lembrar das figuras da Lapa. Não posso falar dos artistas sem observar o vendedor de rua com camisa estampada aberta frente ao tapete vermelho.
Falar do mundo de “dentro” e de “fora”... tanto que escrevo esse texto depois de relatar algumas experiências na Lapa (posts anteriores).
Bom, o Festival de Cinema do Rio, maior do continente, exibe do dia 25 de setembro a 9 de outubro, 350 filmes em 30 salas de cinema, longas e curtas de diversos gêneros de 60 países. O preço é acessível, R$ 13,00, para estudantes R$ 6,50.
Assistir um filme na sua estréia é muito interessante, porque as pessoas que trabalharam nele estão ali, esperando o retorno do público. No final se tem a possibilidade de encontrá-las e dizer quanto o filme o tocou... ou não. Para os diretores, elenco, etc...e espectador, acredito que é uma experiência única, em que se tem de fato, por uns instantes, uma concreta troca.
Pelo que percebi nas estréias nacionais a convivência com os artistas é mais acessível e menos mitificada.
Comecei a minha maratona na sexta, 3, e ainda estou nela.... Faço um breve comentário de alguns dos filmes que já assisti.
Vamos a eles...


DOCUMENTÁRIOS

Destaco dois documentários, longas, belíssimos, um internacional, outro nacional e de contexto totalmente diferentes.

- Procedimento Operacional Padrão, de Errol Morris - Sobre fotografias na guerra do Iraque de jovens soldados americanos com presos de guerra. Coloca como foram julgadas pela justiça as fotos e quais foram consideras como crime ou procedimento padrão. Deixa claro que apenas “os pequenos” foram julgados, o que foi mostrado pela mídia, é apenas a ponta de um grande iceberg.
Um filme sério e esteticamente bonito, que deve, no mínimo ser visto por todos que fazem ou pretendem fazer comunicação.

- Loki – Arnaldo Bastita, de Paulo Henrique Fontenelle - Conta a história do músico e compositor, desde dos Mutantes aos dias de hoje. Sensível, no tom do personagem, o filme arranca lágrimas. Aquele que quando termina você não pensa se deve ou não ser aplaudido em pé, simplesmente é impulsionado a isso. Loki, no final, recebeu palmas em pé por 10 minutos.

FICÇÃO

LONGAS - INTERNACIONAIS

- Katyn, de Andrzej Wajda - Com uma fotografia linda, olhar poético e um tema extremamente pesado, o filme trata de um massacre na Polônia pelos nazistas. Tem um foco diferenciado, o enredo fica em segundo plano. É interessante observar essa diferença. Uma grande produção fora do “padrão”, só acrescenta.

- La Leonera, de Pablo Trapero - Mostra uma narrativa concentrada, focada num único personagem. Gostei do filme, só achei que poderia ser melhor cortado, parece que faltou “ritmo”. O diretor trabalha muito com o silêncio. As trilhas estão em poucos trechos e não acompanham a narrativa. Diversas seqüências de cenas “solas” da atriz, que com certeza se não fosse muito boa como é, não teria tanto mérito.
É um filme de atores, ou melhor, da atriz. Os demais personagens são secundários e aparecem muito pouco, inclusive Rodrigo Santoro.
O filme é lento, pausado, silencioso e muito inteligente. Não acho que seja para as “massas”, é “cult” e possivelmente limitado a esse público. Para quem é ator ou pretende ser é um grande objeto de estudo, pois a atriz leva o filme e com muita emoção. Santoro também está muito bem.

CURTA

- Mais Uma História No Rio, de Raul Guterres – Do diretor que trabalhou no filme Turistas (crítica ao filme neste blog em 12/12/2006), o curta baseado em fatos reais, diferentemente de Turistas, coloca de fato, uma realidade brasileira... E com um mérito, algo que há tempos sinto falta na narrativa de filmes “sociais” brasileiros, a capacidade de um personagem em desvantagem (vítima) compreender a realidade do outro (agressor) e perdoar. O curta sai do senso comum, vira o jogo e traz o inesperado, embora use um corte clássico e elenco “globais”. Quem quer que se seja este personagem na vida real, traz uma esperança e Guterres foi feliz em transformar isso em cinema.
O cinema é interessante por também revelar a capacidade de um cineasta evoluir, se superar e transformar conceitos ao expor-se cada vez mais em suas obras.

- Domingo de Páscoa de Pedro Amorim – A rotina de uma prostituta num “ponto” em uma das ruas do Rio. Tem algumas associações interessantes. Gosto das imagens que revelam, o que me parece, o pesadelo de uma criança, com o cotidiano em que esta convive. Mas acho que o roteiro poderia surpreender mais já que trabalha em cima de uma história “batida”.

- Cotidiano, de Joana Mariani - Sem fala e trilha o curta reflete o cotidiano de uma dona de casa. Com uma bela fotografia amarelada, lembra em alguns momentos, Central do Brasil. No final fiquei em dúvida quanto a história, mas a diretora conseguiu mostrar o quanto pode ser “duro” e/ou chato o cotidiano. Aliás, a forma de utilizar o tempo no cinema tem essa capacidade... Um minuto pode parecer uma hora para o espectador.


LONGAS - NACIONAIS

- Praça Saens Peña, de Vinícius Reis - O diretor retrata o cotidiano, lembra um pouco o termo “a vida como ela é”.
O filme mistura linguagens ficção e documental. Conta a história de um professor que é contrato para escrever um livro sobre o bairro Tijuca. O filme se desenvolve no que isso provoca em sua vida familiar. Um ótimo roteiro, nem preciso dizer que me identifiquei, principalmente quando o personagem/escritor empolgado com o que esta conquistando, conseguindo escrever tenta fazer com que todos da família o escutem, leiam. Hahaha. Gostei muito do filme, é um daqueles que levo para casa.

- Verônica, de Maurício Farias - O filme me lembra um pouco Central do Brasil, pela personagem “carregar” um menino. Andréa Beltrão (protagonista) lembra também um pouco de Júlia Roberts em Erin Brokso.., pela força e personalidade do personagem. É um filme de ação que provavelmente terá público. Linguagem fácil, bonita, rápida, com boa história e atuação dramática maravilhosa de um atriz, até então, muito conhecida pelo humor.


LIVE CINEMA



Live Cinema, cinema feito na hora..ao vivo


Não posso deixar de falar do curioso “Live Cinema”, que ocorreu a 0h de sexta-feira, 3. Mas o que é isso afinal, Cinema ao vivo? - Nos perguntávamos toda hora antes de entrar.
É o seguinte, o diretor e um DJ, montam o filme na hora em que ele esta passando, através de um banco de dados com imagens e trilhas do filme. Selecionam na frente do espectador, o que naquele momento irão exibir. Não se tem um filme convencional pronto, só partes dele.
Foram exibidos dois curtas e um longa-metragem.

- Kaamos e Naturology (curtas), de Mia Makela
Os dois curtas, eram feitos com apenas imagens e sons, algo parecido com vídeo arte, mas capaz de despertar uma atividade sensorial em que se parece estar dentro do filme. Algo quase tocável. Me lembrou aqueles filmes futuristas que tratam sobre realidade virtual, pensei na hora, acharam o começo disso!


- Ressaca (longa), de Bruno Viana
Depois rodou um longa brasileiro com um roteiro interessante, imagens, trilha, atores, diálogos... mas assistir foi um pouco cansativo. O interessante era saber que no dia seguinte se poderia ver o mesmo filme, só que diferentemente contato, ou seja, com uma outra edição... feita na hora.




http://www.flickr.com/photos/melinazg/page2/ - Algumas fotos do Festival

Mais informações sobre o Festival e os filmes em: http://festivaldorio.com.br/site2008


.........
Pós premiações, confira os vencedores da Premier Brasil:


VOTO POPULAR

- Melhor Longa ficção: Apenas o Fim, de Matheus Souza
- Melhor Longa documentário: Loki, Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle
- Melhor Curta – Urubus têm asas, de André Rangel e Marcos Negrão

JÚRI OFICIAL - Presidido por Wieland Speck e composto Camila Pitanga, Jorge Duran e Lita Stantic.

Melhor longa-metragem de ficção: Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte
Melhor longa-metragem documentário: Estrada real da cachaça, de Pedro Urano
Melhor direção ficção: Matheus Nachtergaele (A festa da menina morta)
Melhor direção documentário: Helena Solberg (Palavra (En)cantada)
Melhor ator: Daniel de Oliveira (A festa da menina morta)
Melhor atriz: Caroline Abras (Se nada mais der certo)
Melhor curta de ficção: Blackout , de Daniel Rezende
Melhor curta documentário: 69 – Praça da Luz, de Carolina Markowicz, Joana Galvão
Prêmio especial do júri: Jards Macalé – Um morcego na porta principal, de Marco Abujamra, co-direção de João Pimentel
Menção honrosa: Apenas o Fim, de Matheus Souza


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



09/10/2008 04:00
LAPA-RJ (Parte 1)


SEXTA-FEIRA:
Entre o trânsito de carros e pessoas
- Sexta, a noite mais movimentada -


Sexta-feira, esquina da Rua Riachuelo com Lavradio, Lapa – Rio de Janeiro – Brasil. Já passara das 3h da madrugada, alguns bares recolhem as mesas que ficam na calçada. A senhora loura que passava vendendo incensos, sentou-se numa mesa e ria sozinha. Na esquina, movimento. O passageiro de um táxi abria a porta do carro, meio ao congestionamento, vomitava na rua.
“Bombadinhos” e travestis iam e vinham. Dentro do bar, balões, festas, era aniversário. Menos de 20 minutos, um acontecimento: dois homens discutiam, o carro da polícia, trancava a rua por uns instantes. O policial, um moço jovem, dizia que os prenderia se não parassem. Prisão por causa de uma briga em pleno centro da boêmia carioca? Só podia ser brincadeira, os caras continuaram discutindo. As buzinas de quem estava preso no trânsito aumentava, o policial avança com o carro. A discussão perdeu a força devido a pressa de quem ainda queria fazer festa. Cada um foi para um lado.
Mais uma circulada meio a muvuca, paredes e calçadas molhadas, o fedor público. Sim, “mijo” para todo lado. Pior era quando respigavam nos pés porque não havia calçada sem grandes poças.
No entanto, no posto, frente aos bares, dentro dos bares, entre os vendedores ambulantes, na rua... meio aos milhares de copos plásticos espalhados no chão, carros e pessoas circulando se tinha uma diversidade, digna de um estudo antropológico.
Onde há anos atrás se ouvia chorinhos, hoje há o funk, pagode, samba, disco, etc. Dos meninos de 4 à 12 anos, alguns vendem doces outros pedem esmola, comida. Famílias, casais, solteiros dos mais diferentes estilos e classes reunidos. No bar, a cerveja a R$ 4,50, do vendedor de rua, dois latões por R$ 5,00. O lado hetero, o lado gay, o lado “chique”, o lado popular, o “mundo” e o sub-mundo se encontravam ali na Lapa pra quem quiser compreender, julgar ou simplesmente observar...
Mais uma briga, agora devido a um acidente banal no trânsito. Dois homens saltam de seus carros, frente aos arcos. O povo todo se reúne para assistir. O que já estava congestionado de vez, agora definitivamente para. Não há mais polícia, mas há quem tenta apartar a briga. Não vejo socos, nem chutes... o trânsito volta a andar.
Eis aí, poucas horas de uma madrugada na Lapa. Rumo a casa, a reflexão.... a noite continua com suas histórias para contar.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



09/10/2008 03:59
LAPA-RJ (Parte 2)



SÁBADO:
Chorinho e o amor esperto
- Uma noite mais leve -


Já não está tão cheio quanto ontem. Menos barulho, menos pessoas... mas a boêmia continua. Local da noite, um clube tradicional. No palco uma banda que parecia mais uma orquestra. Diversos instrumentos do pandeiro, bateria ao saxofone. O som, chorinho, gafieira... samba de raiz. Os jovens e a “velha guarda” na pista, dançando.
O senhor negro vestindo um paletó branco, simpático, cumprimenta a todos. Mais tarde, dorme sentado na cadeira sozinho. O casal jovem energético, dança todos os estilos. O vestido da moça roda, os passos se completam, eles dão um show... silencioso.
No banheiro, um gato dorme sobre a mesa. Ao seu lado, mais um, pede carinho. A arquitetura, lembra os clubes que eram freqüentados pelos nossos avós. É um lugar família, tradicional que sobrevive e conserva a cultura local, brasileira.
Quando a banda para de tocar, as luzes acendem. Alguns resistem e continuam a dançar a música do DJ. A maioria se despende e vai embora com um sorriso largo no rosto. O boteco, frente a uma boate, aguardava seu público, que quando sai, trás com ele, as pombas. Estas, acima, nos fios do poste de luz, brindavam alguns clientes com “a sorte”.
Do banheiro feminino saí um homem duas vezes maiores que eu. Reclamo. Ele incha o peito, me assusto. É agora que eu apanho!!!
- Assim não pode o que? – diz ele num tom agressivo
Para descontrair começo rir de louca ou nervosa.
- Você, estava no banheiro feminino.
Ele ri e diz:
- É que aqui somos todos meninas.
De fato, o bar é realmente deles ou melhor “delas”
Ao retornar a mesa, abaixo das pombas, conto o fato a meu amigo, um senhor ao lado, escuta e ri. Puxa uma cadeira, senta em nossa mesa. Começa a contar a vida.
Carioca, noivo de uma baiana há três anos. Gosta da noite, é boêmio assumido e apaixonado pela mulher. Mostra a foto dela e diz que ela prefere dormir a sair.
Menos de 10 minutos. Aparece uma morena vistosa com roupas justas, maquiagem e cabelos arrumados.
Sim, era a mulher dele. Senta-se também na mesa, é extremamente simpática. Arrumada, marca a presença. Diz que não se importa que o seu companheiro saia, sabe que é um boêmio nato e jamais impediria-o de fazer o que gosta. Mas também não marca bobeira, mulher esperta! ... De 45 anos mas com rostinho de 30... e dois filhos nas costas, sendo um de 25 anos.... dos quais o companheiro assume como seus.
O casamento será em dezembro na Bahia, em Porto Seguro. Fomos convidados. Eis aí mais uma história nas ruas da Lapa para quem quiser e se permite viver.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



07/10/2008 12:18
LAPA-RJ (Parte 3)



SEGUNDA-FEIRA:
Perto dos arcos, na esquina da Ladeira
- A Noite é pra quem é da casa! -



Miguel, Fernando, Evanir
Foto: Melina Guterres


Após sair da estréia do último filme de ficção nacional no Festival de Cinema do Rio de Janeiro. Paramos na esquina da Joaquim Silva com a Ladeira de Santa Tereza. Com um isopor, Fernando vende bebidas há mais de 20 anos no mesmo local. Um cantor de hip hop, conhecido como Miguel da Lapa, ainda sem disco, sem sucesso, mas com talento. Antes, Juan, que faz origamis, divulgava o fotolog. Com este, alguns jovens, uma senhora cantava “Brasil mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim”. Miguel com música de sua autoria, sobre "criolo" e liberdade... as interpretava. De repente passa a choque (polícia) e suas armas para fora do vidro, metralhadoras direcionadas para cima. Cinco dentro de um carro, quatro metralhadoras passando do meu lado, tremo as pernas, me assusto, para os moradores locais, nada demais... comum.
Em seguida, sobe Evanir, um morador de rua negro dizendo que a choque o parou, achando que é bandido, mas “por sorte” um policial reconheceu-o como um trabalhador. Ele tem uma deficiência na perna, diz que já passou 1 ano e meio internado em tratamento. Evanir vestia a roupa do hospital, meu amigo questiona, que então diz ter levado tudo que possível quando saiu.
Evanir é crítico de cinema e teatro mas só sabe ler, não escreve. Inventa versos na hora, basta dar-lhe uma palavra. Tem um conhecimento cultural inacreditável. Divaga sobre Grécia, Roma, pós-Roma, etc, etc... sobretudo da realidade brasileira, a dele. Diz que não usa nenhuma droga e por isso tem memória boa. Fala em tupi guarani e aramaico: “deixo que me vejas”.
Miguel, conta que participou como ator em um curta interpretando um personagem que todos pensam ser bandido pelo seu “estereótipo”, mas na verdade é apenas mais um cidadão comum.
Ao chegar em casa, descubro que Miguel já estreou no Odeon durante o Festival de Cinema do Rio... mas isso ele ainda não sabe.
Pai mesmo é Fernando que com sorriso no rosto, recolhe seu isopor e sua atividade de “pai” deles, nosso... para amanhã com serenidade recomeçar...

Aí uma imagens que fiz deles:

Miguel da Lapa -

- http://www.youtube.com/watch?v=8lDbXJtPgbs

- http://www.youtube.com/watch?v=iknwZOr1pyA

Evanir da Lapa -

http://www.youtube.com/watch?v=NIYb3kqRY_E


- http://www.flickr.com/photos/melinazg/ - fotos na Lapa


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



04/09/2008 03:24
ELEIÇÕES RIO DE JANEIRO/2008

Ôooo Assessoria!


Um texto “chulo” para campanhas “chulas”



Devo confessar...
O horário eleitoral de candidatos a prefeito e vereadores da cidade do Rio de Janeiro, cansam a minha inteligência. A beleza não, porque faz rir e rir é bom pra saúde, pele, etc... .

Enfim:
Nada concreto, planos abordados superficialmente, problemas colocados de forma sensacionalista. Há até um candidato que reclama da falta de tempo e manda acessar o site. Ôoo assessoria!!! A TV vá lá que seja considerada democrática mas o acesso a internet ainda não. Essa “falta de tempo” soa como uma falta de conteúdo.

Outro dia a propaganda política de um dos candidatos, como um apelo a questão da segurança, abria com uma cena de tiro ao alvo aos cidadãos. Ôoo assessoria!!! Sensacionalismo barato assusta até quem passa fome...Bom, naquele dia, foi o único que falou em segurança.

A moda mesmo aqui é falar na saúde, abrir pronto-atendimento 24h. Se um diz que vai abrir 20, outro no dia seguinte, promete 40 e assim vai. Tem mais, todo mundo é amigo do Lula (que não aparece defendendo nenhum lado) e já disse que não faria campanha no Rio, mas é usado em propaganda que nem água. Ôoo assessoria!!! Como diz o Milton Nascimento “Amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves...”...Se usa demais estraga e ofusca!

Tem um candidato que aparece em vários perfis falando aquele discurso básico sobre melhorias e tal (igual aos demais) como se fosse modelo de revista. Ôoo assessoria!!! Global é global, candidato é candidato.

Tem outro que diz muito humildemente, mas diz, que é herói, que foi ajudar as pessoas numa enchente que ocorreu há algum tempo na cidade. Usa os eleitores para dizer que ele estava lá ajudando. Ôoo assessoria!! Se fosse sincera ajuda, não precisava usar na campanha. Se as pessoas viram, fica marcado, antes o boca-boca que um heroísmo explicito do próprio “herói”. Narciso, hello!!

Hoje vi algo novo, um candidato que nem tinha percebido direito. Ele falou diante de algum posto de saúde ou hospital fechado. Bravo assessoria!! Mostrou o problema real pelo menos, mas a solução tava vaga no discurso.


Percebe-se aqui no Rio e Niterói a quantidade de candidatos jovens entre prefeitos e vereadores, tem um que até desconfio que deram no cabelo um toque de grisalho para parecer mais velho... Ah chapinha também rola. Aliás dos vereadores, melhor nem comentar... quem é médico aparece de jaleco branco e na frente do primeiro nome está bem claro: “Dr.”.

Minha teoria é que há uma conspiração das assessorias para se votar nulo. Há uma competição acirrada sendo desenvolvida para isso. Nunca admirei tanto como agora as campanhas com menos recursos, que aparecem apenas o candidato falando num fundo de cor única...sem “blábláblás”. Se fosse padrão para todos, haveria mais política e menos publicidade e sua falta de habilidade que sempre peca pelo excesso!


Ai, ai, ainda bem que estou longe de casa para saber as barbaridades que também devem estar ocorrendo por lá. De consciência bem limpa, esse ano, longe, justifico o voto e só lamento para quem anda em círculo, sapateia, tem abelha no ouvido e tal...
Aliás o T.S.E faz essa campanha na TV porque não é ele que vota no Rio de Janeiro!



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (11)



04/09/2008 01:23

...Reticências



Um tanto cansada
Ao mesmo tempo instigada
Como uma pirata
Descobrindo um mundo novo
Não, não tá lá fora!
Tá dentro:
Livros,
Filmes alternativos,
Filosofia na madrugada,
Um pouco mais de cultura
Sempre mexe comigo!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



19/07/2008 14:57
APENAS ISTO:

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



19/06/2008 15:27
'Uma dica: o blog do primo Pantufa'


"Eles" também cozinham


Os cozinheiros: Firpo, Pantufa, SpK


Buenas... quem já viu homem na cozinha sabe que alguns gostam mesmo é do fogão. Quebrando todos os tabus, clichês, preconceitos, do gênero “lugar de mulher é na cozinha”, três guris conseguiram provar que podem ser tão bom quanto elas quando se trata de comida.

Firpo (mudo), Pantufa (Cego) e Spk (surdo), amigos de longa data mal conseguiam se ver com a correria do dia-dia. Passaram então a se encontrar somente para comer. Cansados e sem dinheiro toda hora para comprar comida pronta, resolveram começar a cozinhar. E aí a bruxa baixou e a magia se fez. Pensar no que fazer, como fazer e experimentar o resultado era a graça dos encontros.

Com muita diversão e palhaçada e a mania de fotografar do Spk, esses guris, que passam inventando algo novo, tiveram a brilhante idéia de criar um blog. Assim nasceu o "japa" (responsável pela essência de cada receita - não é real e sim referência para a criatividade destes rapazes) reunindo dicas na construção de cada prato e descrevendo um cenário perfeito.

Postando, desde então (2006), suas receitas sempre com uma boa dose de humor, um reflexo de amizade criativa, produtiva geradora de uma deliciosa refeição para quem puder experimentar, acompanhar, degustar... .


o BLOG: The Cooking Fellowship é "o que a casa oferece"! - HTTP://www.thecookingfellowship.blogspot.com


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (12)



16/05/2008 22:03
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Ondulados


Melina Guterres

É outro mundo,
Diferente da semana passada,
Onde as loiras devem ter ficado três horas,
Para estarem chapadas,
Literalmente lisas,
sem idéias,
sem nada!
É o efeito da chapinha domesticada.

Os “Shii” estão presentes,
Porque os “presentes” querem silêncio
Para o próximo conto, poesia...
As mesas e cadeiras voltadas para os poetas,
Músicos..
E estamos num bar,
Bebendo cerveja, fumando cigarros
...em silêncio.

A poesia está no fim...
Mas agora deixa marcada,
Diferente da semana passada,
Que há gente interessada,
Ondulada,
“Cheias”, cansadas...
Do vazio do nada!

* Escrito entre uma pausa que outra dos poetas no último dia do Circuito Elétrico da Feira do Livro... Num bar alternativo, um dos poucos que fazem valer o termo "Cidade Cultura" a Santa Maria, porque lá o seus frequentadores refletem isto. Onde, provavelmente, o que se veste não tem tanto valor quanto o que se pensa.

P.S (para esclarecer): Num dia da "semana passada", o circuito elétrico ocorreu em um bar, destes frequentado por um público, "menos alternativo", onde parecia até um desfile de moda. Na mesa, 3 poetas tentavam ler poemas e contos, mas era quase impossível, pois aquele "público" muito bem arrumado, não permitia, não fazia silêncio, não respeitava. Não havia "shii"porque o desinteresse era tamanho. Os poetas tentaram, tentaram, até gritaram. Uma até mudou o tema, falou da sua vida. Mas nada adiantava. Ninguém os escutava. Encerram mais cedo, voltaram para casa. Uma vergonha para uma cidade que se diz cultura e universitária.

fotos: Melina Guterres e Janaína Vedoin

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (21)



18/04/2008 04:42
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Num dia nublado em que choveu muito fui até a janela do apartamento e vi que no poste um casal de joão-de-barro construía sua casa. Eles se revezavam nas funções enquanto um saía para buscar material, outro com o bico fazia a casa e vice-versa.


O joão-de-barro é pouco menor que um sabiá, porém mais delgado. Sua cor é cor de terra, com a garganta branca e a cauda avermelhada. É uma ave alegre que gosta de conviver com o homem. Vivem em casais e passam os dias a gritar em curiosos duetos.
Fonte: http://www.saudeanimal.com.br/jbarro.htm


A paz dos duetos

Há pessoas que ferem querendo educar
Há quem use palavras duras
Há quem ofenda querendo despertar
Há quem grite de fome num urro de raiva
Há quem silencie
Há quem guarde tudo para si
Há quem exploda
Há quem não meça palavras
Há pessoas que não aceitam o diferente
Que querem trazer para si o que não podem
Que desejam interferir onde não devem
Que acabam fracassando por tentar a qualquer custo
Que perderam o limite
Que perdem o respeito
Que passam por cima
Que não perguntam
Apenas afirmam
Há pessoas que interferem na liberdade do outro
Buscando a própria paz
Há duelos e há duetos
Há guerra...
Mas não há amor...
Sem a paz dos duetos!

fotos: Melina Guterres


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (5)



23/03/2008 20:36
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PÁSCOA




Melina Guterres



Bom, a páscoa é realmente uma data que eu não entendo. Acho que nunca simpatizei com ela. Vejo na TV as representações da crucificação de Cristo e me surpreendo com as pessoas reproduzindo uma cena de tortura que teoricamente ocorreu há mais de 2000 anos.
Acho esta uma data meio macabra. Parece que metade do mundo se condena por um ato que ninguém viveu. Ficam relembrando o horror como se tornassem melhores por isso. Afinal horrores ocorrem todos os dias e a maioria não faz nada, não é mesmo? Talvez por estes serem realistas.... não se passam há dois mil anos.
Assim, no futuro é possível que representem os horrores de agora num mega espetáculo... Mas e quem seria o salvador?
Acho que estamos sem herói, a maioria deles são tão velhos que habitam só em crenças sem a mínima comprovação de que realmente existiram.
Outra coisa que não entendo, porque comer chocolate? É pra se consolar da culpa do “pecado”? ou será que tanto comer ele deixa “deprê” e é essa intenção? Descarto neste caso a lógica dos supermercados.
Bom, aviso já aos meus caros amigos e leitores que se um dia eu morrer numa situação em que venha a me tornar uma “salvadora” morta injustamente, eu não gostaria que reproduzissem a minha morte, simplesmente porque a maldade não deve ser reproduzida. Que falem, representem a minha vida e não a minha dor. Será que Jesus, se é que ele existe, gosta de ver esse cenário todos os anos?
Sinceramente acho que não. È meio sádico esse ritual de páscoa. Das datas cristãs, gosto somente do Natal mesmo, que celebra a vida.
Enfim, período de reflexão. Me recolho, desligo a TV, não leio jornais, evito conversas sobre religião e até mesmo passar próximo a qualquer “Casa de Deus” .... Fico só com o chocolate mesmo que já ta de bom tamanho...
...Em compensação, a páscoa também representa um ser que morreu por amar demais, mas então porque o ser pregado numa cruz? Acho que querem dizer, olhem o que fizeram com quem ama vocês, não amem, serão pregados também, o venerem, são todos culpados. Enfim, não entendo muito de religião, mas não vejo lógica em representar um ato tão cruel. Será que todo mundo pensa em quem “crucificou” no ano anterior? Ou será que pensam “ah coitado do Jesus lá na Cruz”, vou rezar pra ninguém me crucificar.
Essa lógica de “mocinho e vilão” tinha que ter data de vencimento. Até porque ninguém acredita que é o mal da história e quando acredita sofre uma penitência interna que pode ser tão cruel quanto qualquer condenação moral externa. Enfim, se a páscoa é um período de reflexão, é bom refletir sobre esta....vá que alguém ressuscite, desperte de um sono pra lá de profundo.

Coelhinho da páscoa o que trazes pra mim?
Um ovo, dois ovos, três ovos assim
Coelhinho da páscoa cadê aqueles ovos que tiraste de mim?


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (7)



19/03/2008 15:51
Um conto...

FOSSA



Melina Guterres



Matias acordava de um sono profundo, era um novo dia e sua vida seria a mesma de ontem, de antes de ontem, nada mudava. Sua rotina era a mesma, de manhã: café, trabalho, ao meio-dia: almoço em algum shopping, tarde: trabalho, noite: horas frente à TV ou lendo notícias na internet. Aos fins de semana namorava.
Já estava monótona a sua vida. Matias um rapaz de 30 anos, sem filhos, com espírito aventureiro, empregado numa firma em que a maior parte do tempo trabalhava em uma sala. Pelo menos a vista da janela era boa.
Antes de dormir imaginava tantas possibilidades sobre si, sua vida, futuro que ria de si mesmo ao pensar que mais tarde morreria de com câncer no cérebro de tamanha imaginação que este continha.
Seu gosto pela noite era incomum. Quando só, o silêncio e seus pensamentos o bastavam, em grupo era algum bar, boteco, festa.
Mas nessa rotina que adotara para si, nada era melhor que sua imaginação e seus sonhos. Matias sonhava todas as noites, sentia-me mais vivo dormindo que acordado. Em um sonho reunia diferentes emoções que na vida real não tinha há meses. E a vida seguia.... .
Até que um dia sonhara com sua mãe, já falecida, segurando um rolo de pão entre mãos, com farinha no avental, gritando-lhe:
- Levanta dessa cama guri, se continuar assim, não vai tocar nunca essa vida pra frente.
Acordou num susto às 3 da manha, lembrou na hora das palavras de seu pai “para um bom entendedor meias palavras bastam”. Foi até a cozinha, serviu um suco de uva, sentou-se sobre a mesa e chorou. Sua mãe tinha razão, ele ainda estava dormindo, trabalhava para se sustentar, namorava uma menina que não sabia se um dia casaria e ainda por cima não fazia o que gostava, não correrá atrás de seus sonhos e nem tentara sequer sair da sua cidadezinha.
Quando amanheceu, logo foi ao trabalho pediu demissão, passou no banco transferiu todo dinheiro da poupança para conta, foi até a namorada e pediu um tempo indeterminado. Alegava que precisava ficar sozinho e pensar.
Chegou em casa, arrumou as malas, dirigiu até a capital, deixou o carro num amigo e foi para o aeroporto.
Sentou-se num banco confortável e pensou “e agora para onde eu vou?”. Dormiu.
Acordou-se, estava na sua cama, tinha sido só mais um sonho...
Levantou-se, seguiu a sua rotina.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (9)



24/01/2008 01:07
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QUANDO...


Um resumo de algumas razões que me motivaram a escolher o cinema local como tema de monografia


Melina Guterres


Quando a banca me questionou o porquê do meu tema de monografia (UM CENÁRIO DE CINEMA/VÍDEO DE SANTA MARIA-RS – DE 2002 A 2007) na minha defesa, fiquei pensando se deveria ou não ter escrito com mais emoção num trabalho cientifico. Não sabia se de fato um interesse pessoal era conveniente contar... Mas expus neste dia e agora na escrita (um pouco mais pensado).
O porquê de realizar essa monografia começou lá no final de 2001 quando o Sérgio me convidou para trabalhar no longa-metragem Manhã Transfigurada e foi avançando a cada dia de pré-produção e gravação ao ver que embora as dificuldades fossem enormes, todo mundo tinha “gana” por construir, fazer a sua parte, gravar o filme.
Foi crescendo quando surgiu o Curso de Extensão em Cinema Digital e fazer cinema já não se limitava a um pequeno grupo.
Quando vi uma amiga que não tava bem, encontrar uma “cura” produzindo todo dia. Quando vi que saiam bons trabalhos.
Quando nos reunidos no porão da TV OVO para criar uma Associação.
Quando vi no I Festival de Cinema e Vídeo os meninos de rua da Praça Saldanha Marinho na primeira fila do Teatro, em silêncio vendo cada um dos curtas exibidos.
Quando percebi que o cinema é democrático.
Quando reparei que a cada ano, o interesse local, assim como as produções avançam, que os números crescem consideravelmente.
Quando vi uma gurizada jovem engatada em alguma produção e não perdendo tempo.
Quando vi que homenagens devem ser prestadas a estes que abrem portas e que muitas vezes nem percebem, porque o cinema é um interesse deles também.
Cinema não se faz sozinho, reúne artes, se faz em equipe, da qual cada um é importante para o todo. E se esse todo é capaz de mudar a vida de tanta gente, mobilizar a tantos, ele merece reconhecimento, merece ser contato. Religiões a parte, é preciso ter fé e muito trabalhar, muitas vezes, sem nada receber, além é claro, da satisfação de um criador.
Como santa-mariense, filha de professores, aprendiz participante dessa trajetória, resolvi honrar aos “mestres”, a produção local, o interesse da cidade, mostrando, através dos fatos, que antes de se ter uma obra pronta, se tem muita história pra contar. E que se esta existe é porque há quem a faça e acredite que se pode “transformar sonhos em realidade”, como definiu Sérgio sobre o que o move na alma para se fazer cinema.
Certa vez na escola, nas séries iniciais, a professora pediu uma redação sobre o que se tinha aprendido até aquele exato momento. Recordo-me de ter escrito de não ter aprendido nem 1% do que um dia aprenderia.
Hoje posso afirmar que aprendi um pouquinho mais. Aprendi que a melhor forma de gratidão é a ação, que não escolhi contar essa história, ela que me escolheu.

* texto escrito em 31/12/2007



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



22/11/2007 09:09
CONSIDERAÇÕES FINAIS/TFG - jornalismo/Unifra:

Um legado de angústias
Olhar sobre o cenário de cinema/vídeo de Santa Maria – RS


Melina Guterres





“Passageiros de eterno momento
Que não sabe onde pode parar
E essa angustia que corrói por dentro
Um dia tem que parar (...)
A única certeza é a incerteza do teu amor pra nós dois.”
Banda Fuga – anos 80




Estou ás vésperas de terminar a minha monografia (UM CENÁRIO DE CINEMA/VÍDEO DE SANTA MARIA-RS – DE 2002 A 2007), e faltam apenas alguns ajustes do quais estava analisando neste exato momento, quando então o computador seleciona a música “Saudade” composição de Rafael Ritzel, interpretação de Pylla, ambos da antiga banda Fuga, de Santa Maria que compunha suas músicas, teve auge nos anos 80.

E um trecho dela me chamou atenção: “passageiros de eterno momento”. Isso junto a história que descubro através da minha pesquisa sobre a produção de cinema em Santa Maria me arrepia. Por que a relação? Primeiro porque o cinema chegou bem possivelmente de trem na cidade, através da estação ferroviária, que tornou Santa Maria um centro um cultural. Segundo o cinema é uma arte imortal, se bem preservada. Terceiro, o trecho que diz “Que não sabe onde pode parar e essa angustia que corrói por dentro um dia tem que parar” me recorda toda a trajetória de quem lutou pelo cinema em Santa Maria. Não abordo aqui, o cinema comercial, nem trato do fechamento das salas, mas sim daqueles que aqui construíram e constroem a história da produção de cinema/vídeo local.

Tempos atrás acreditar que uma cidade do interior como Santa Maria poderia ser um pólo cultural, não tão distante, viesse a produzir o próprio longa-metragem, um Festival de Vídeo e Cinema, ou mais recentemente, tornar-se um pólo audiovisual pareceria coisa de malucos sonhadores. No entanto, a história local tem muito a ensinar e a realizar.

Ao constituir essa pesquisa vi o irmão Ademar, tentando compreender como funcionava a fotografia, talvez a sua “angustia que corrói por dentro”. Ele foi além da fotografia, foi aos projetores de cinema, e ainda não contente, ele tinha que mostrar a outros o que até então somente via. O irmão Ademar levou o cinema, projetando-o para quem jamais, se não por ele, conheceria. Este foi um homem, um passageiro de eterno momento que nunca soube onde parar. Talvez as únicas certezas que teve foi o seu amor ao cinema, as pessoas, e a incerteza dos caminhos que teria que enfrentar.

Esse passageiro, antes de partir, deixou uma mensagem quando foi homenageado num dos Festivais de Cinema e Vídeo de Santa Maria. Ele disse “Sejam úteis até o fim da vida”.... é de fato... ele nunca soube parar. Tornou-se eterno.

Outro nome dessa história é Edmundo Cardoso, dramaturgo, apaixonado por teatro e cinema, fundador do primeiro cineclube de Santa Maria. Edmundo além de contribuir para a história cultural da cidade, também foi um grande arquivista guardou documentos sobre a história de Santa Maria que hoje constituem em um acervo com seu nome “Edmundo Cardoso”. Assim como Ademar, Edmundo provavelmente nunca pensou onde poderia parar, mas sim na angustia dessa luta em prol da cultura. Deixou além de saudade, a memória que constitui muito desta e outras pesquisas, que ainda inspira e inspirarão outras tantas. Esse passageiro também já partiu desse mundo, foi o primeiro homenageado do festival, deixou seu “momento” marcado, talvez por não pensar nas incertezas, mas com certeza por não saber onde poderia chegar.

Já no início da década de 60 foi rodado o primeiro longa-metragem em Santa Maria. Uma produção de fora, da qual atores locais participaram, inclusive Edmundo Cardoso. Já a década de 70 é marcada pela chegada da bitola Super-8, onde começam, de fato, a surgir as primeiras produções locais, diretores que até hoje vivem na cidade como Grassi e Assis Brasil. Neste período, meio a ditadura, também nasce o cineclube Laterninha Aurélio, que apesar de fechar e abrir em determinadas épocas, existe até hoje.

No entanto é no final da década de 90 que são dados os primeiros passos para se consolidar o cenário audiovisual da cidade. Surge o cineclube Othelo, é criada a TV OVO, acontece o I Encontro de Cinema de Santa Maria, onde mostras das produções locais são exibidas, a Lei de Incentivo a Cultura Municipal é regulamentada, Sérgio de Assis Brasil começa a pensar em gravar o longa-metragem Manhã Transfigurada, o que, na década de seguinte veio a movimentar esse cenário.

Terceiro Milênio, século XXI, a pré-produção do longa de Assis Brasil começa a reunir pessoas interessadas em cinema na cidade, atores, técnicos, publicitários, jornalistas, estudantes, etc. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) passa a investir mais na produção de curtas. Surgem novos diretores de produções locais como Rondon de Castro, Kitta Tonetto, Léo Roat entre outros.
Janeiro de 2002, iniciam as gravações do Manhã Transfigurada, que veio a ser o primeiro longa-metragem produzido por pessoas de Santa Maria. A imprensa local não deixa de cobrir, fazer o seu papel. Logo é criado o Curso de Extensão em Cinema Digital, com uma edição anual e produção de dois curtas (ficção) por curso. Neste mesmo ano nasce a Estação Cinema, Associação de Profissionais e Técnicos de Cinema e Vídeo de Santa Maria, onde os envolvidos nas produções locais discutiam formas de fomentar e valorizar a produção na cidade. Em agosto do mesmo ano, acontece o I Festival de Cinema e Vídeo de Santa Maria (SMVC), com competição nacional e local.

Em 2003 é criado pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), o Curso de Comunicação com habilitações em Jornalismo e Publicidade, com duas disciplinas de cinema obrigatórias dentro da grande curricular de jornalismo e como optativas em publicidade. Neste mesmo ano, a UNIFRA também cria seu cineclube. Em 2005 o curso começa a realizar as primeiras produções de curtas e documentários, e logo, a participar do Festival de Cinema e Vídeo de Santa Maria (SMVC). Este último que começa a ter cada vez mais participações locais e visibilidade nacional.

No ano de 2007, o SMVC, na sua sexta edição, recebeu 23 inscrições de produções locais, um número relativamente bom se comparado a primeira edição que teve 6 inscrições. Na categoria nacional foram 383 em 2007, das 103 de 2002. Ainda em 2007 um outro longa-metragem com produção de fora foi gravado na cidade e incorporou atores e técnicos locais – o “Clô – Dias e Noites”, de Beto Souza. Também iniciaram as primeiras gravações de cenas do filme “Hamartia - Ventos do Destino”, de Rondon de Castro, uma produção local em parceria com a Base Área de Santa Maria.


(continua...)


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (4)



22/11/2007 09:08
continuação...


Pelo que me consta historicamente na cidade sempre houve um interesse particular pela cultura e também pelo cinema. É notável que existem grupos de pessoas que ajudam a constituir esse cenário, que há interesse na produção de cinema/vídeo e que muito tem se feito por aqui.

Agora se Santa Maria é ou não hoje um pólo audiovisual, essa é uma questão que se discute e ainda deve ser discutida. Os principais argumentos que dizem que sim, levantam o número de produções realizadas pela cidade, já quem tem uma opinião contra, dizem que falta mão-de-obra qualificada, uma faculdade de cinema, etc. Talvez essa seja uma discussão eterna assim como se Santa Maria é ou não uma cidade cultura.

Se um dia em Santa Maria, se sonhou em ver cinema seja pelo projetor do irmão Ademar ou as antigas salas de cinema, noutros tempos em discuti-lo nos cineclubes e atualmente em fazê-lo, o próximo passo deve ser em profissionalizá-lo, de fato. E que as formas de incentivos não sejam unicamente por renuncias fiscais, as de aprimorar conhecimento: o curso de extensão, oficinas do festival e TV OVO, disciplinas extras em faculdades. Que venha mais! Se existe uma demanda de produções, de pessoas interessadas e/ou “na ativa”, nada mais justo que estas que aqui buscam realizar suas produções, sejam remuneradas por isto. Enquanto Santa Maria possuir esse caráter experimental, estará mais vetada a cidade laboratório do que a pólo audiovisual.

Embora Santa Maria esteja a frente de muitas outras cidades do interior, é importante pensar que estas não devem servir de parâmetro de comparação, uma vez que o que importa é fazer movimento cinema/vídeo local progredida.

Aos meus olhos, o que se passa hoje em Santa Maria é que muitos dos que constroem ou ajudam a construir o cenário de cinema/vídeo, se esqueceram que viajam no mesmo trem, se esqueceram que alguns clichês fazem sentido como “um por todos e todos por um”, uma prova disso é que a Estação Cinema esteve praticamente parada por falta de participações em suas reuniões. Esta mesma, no momento busca realizar encontros em bares, restaurantes, cafés, na expectativa de se tornar mais atraente para quem quiser participar.
Então é visto que uma discussão sobre a cena local se faz essencial, não basta apenas fazer. E se mesmo assim o cenário cinema/vídeo de Santa Maria continua a crescer, é porque na “angustia que corrói por dentro” ninguém difere.

“A única certeza é a incerteza do teu amor pra nós dois”, como diria a canção. Ainda podemos afirmar que se o cenário cinema/vídeo de Santa Maria cresce, é porque assim como Irmão Ademar, Edmundo Cardoso, Sérgio de Assis Brasil e outros nomes desta cidade (citados nessa pesquisa), que possuíram ou possuem essa “angústia” de não saber onde parar, de fato nunca pararam! Porque aqui, quem carrega essa “angústia” sonha, e tenta supri-la, fazendo. Por haver quem tê-la, em Santa Maria se constroem caminhos, inspiram “novos passageiros”, se faz história. O trem avança!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



12/11/2007 17:17
hum...

Crise Científica - em prosa e poesia



Melina Guterres



Já não sei se gosto tanto de cinema assim
Já achava trabalho demais fazê-lo,
E agora, pesquisa-lo, então....
Gosto é de vê-lo.

Já não sei se gosto tanto das novas tecnologias,
O mic. da cam. pifou até o velho gravador falhou
Perdi as minhas entrevistas,
Gastei dinheiro em fita, dvds e pilhas

Já não sei se gosto tanto de escrever
Normas, termos, regras, parágrafos, autores
Citar referências, q coisa bem pouco criativa...
É pesquisa

Já não sei se gosto ou não do tema,
Ora paixão, ora desencanto
Trabalho é que tem dado bastante

Até o Word falhou comigo,
Comeu o meu arquivo,
Salvo e sumido

Quem não me deixa desistir
São meus amigos,
pegaram minhas fitas,
Vão trazer transcritas

Não consigo pensar direito
Ter um texto, corpo, desencadeamento
Fechou tudo, bloqueou o pensamento
Busco na prosa o sossego

Esse texto acadêmico quase me mutila
Parece robótico, sem cheiro nem lingüiça
É pesquisa

Documentos, datas,
Histórias passadas
Recontadas

1 mais 1 são 4?
Excesso de ciência, tem conseqüências
Não gosto do exato
Não sou física, matemática
Muito menos quadrado
Não uso óculos escuros
Nem claros

O tempo passa, as horas passam
É primavera, as borboletas namoram
E os passarinhos também,
Todos menos eu,
Que deito e me acabo
Pobre do coitado
Massagem no máximo
(ele não vê a hora de chegar o verão e eu também)

Eis que esse fim de ciclo
Me intimida
Me faz ser mais exigente
Mesmo perdida
Me faz crer e descrer
Improvisar
Refazer
Chorar
Aprender

O que me consome são as normas
Quem consome, os outros
Eu me consolo no meu descanso de tanto consolo exigente
Pedindo espaço
Pedindo presente
Ta feita a prosa e a merda robótica
Quem vai ler...
Vai entender que era pra ser poesia?


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (2)



07/10/2007 08:28
NULL

Eu e os outros



Melina Guterres



Há dias e há dias
Às vezes somos razão
Às vezes medo
Às vezes ilusão
Às vezes só conceito

Às vezes criamos algo
Bixo de sete cabeças
Às vezes matamos algo
Destruímos tudo
Mundo

Às vezes olhamos pra trás,
Outras o presente
A gente tenta espiar o futuro
Somos sonhos, planos... Distantes de tudo

Às vezes escrevo bem,
Outras mais ou menos
Às vezes sinto inveja,
Às vezes eu não creio

Às vezes somos egos, orgulho, ambição,
Outras, amor, caridade, compaixão

Às vezes eu perco tudo
Sou criança
Às cresço, amadureço
Adulta?

Às vezes tenho vontade de ir embora
Largar tudo e viver uma aventura
Num outro país, cidade, estado.
Quem sabe...

Às vezes to bonita, outras muito cansada
Feia só dentro de casa.

Às vezes piro na batatinha
Rodo a baiana,
Avalanche,
Ninguém me alcança.

Às vezes eu creio,
Outras desacredito,
Sinto força, sinto medo
Culpa? Nem sei direito

Às vezes sou louca
Vida ou morte
Não me reconheço
Espelho?
Às vezes conversamos a sós

Às vezes sou duas
Às vezes única
Às vezes me pergunto
“Quem sou?”
Ah.. Que dúvida!

Às vezes tenho medo de trilhas
Às vezes quero ficar parada, paradinha
Às vezes tenho que andar
Às vezes preciso me achar!




Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



03/09/2007 07:11
Essas mulheres....

Mulher dês amada, puta desalmada



Melina Guterres



Tenho pena das mulheres dês amadas
Das que choram por migalhas
Que se humilham por atenção
Submetem-se sem questionar nada
Submissas e às pacas

Tenho pena das mulheres dês amadas
Que antes de si, vêm o outro, num pedestal inalcançável
Que ela mesma criou

Tenho pena das mulheres dês amadas
Idealizam um homem
Rompem o respeito por amores platônicos.
Feito crianças mimadas insistem
Até serem pisoteadas

Tenho pena das mulheres dês amadas
Que se dizem apaixonadas
Deitam-se sem exigir o gozo
Carentes... Logo rejeitadas
“Só mais um corpo, um nome na lista, não era nada”,
Dizem delas, os outros.

Tenho pena das mulheres dês amadas
Que por inveja ou capricho, expõem-se ao ridículo.
Persistem em ser lixo.

Tenho pena das mulheres dês amadas
Que sem amor próprio
Tornam-se putas desalmadas

Tenho pena das putas desalmadas
Não das que vendem o corpo,
Mas das desalmadas que entregam o corpo vendendo a alma

Não tenho pena das mulheres,
Estas amam quando querem e se querem,
Não dispensam o gozo.
Tenho pena das “dês amadas”, “desalmadas”,
Porque estas, embora rejeitadas, insistem em ser “amadas” do seu jeito: sendo esculachadas.

Putas por romperem o respeito
Desalmadas por não encontrarem o espelho
Dês amadas são por si mesmas

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (12)



03/07/2007 17:42
Repensando...

Cultura: Local x Global



Melina Guterres



“Eu falo mal é do lixo cultural que querem nos apresentar como modelo, como parâmetro. Querem a uniformização da cultura e querem que eu ache que uniformização da cultura é universalização da cultura. Não é.”
- Ariano Suassuana -



É interessante lembrar que o resgate do cinema brasileiro se deu quando o longa-metragem “O Quatrilho” (1994), de Fábio Barreto, foi indicado ao Oscar. Premiação de um país que o Brasil habitualmente importa cultura. “O Quatrilho” foi o segundo filme brasileiro a ser indicado ao prêmio. Antes dele apenas “O Pagador de Promessas”, de 1962, havia sido indicado, ainda no auge do movimento do Cinema Novo, que logo foi censurado pela ditadura.

Entre as duas indicações, é relevante questionar por onde andaria a cultura brasileira na época de censura e pós-censura, em que apenas a pornochancada e os “importados” circulavam pelas telas nacionais. Os pasquins, o tropicalismo, o teatro e o futebol eram algumas formas que a nível “massa” poderia se dizer verdadeiramente brasileiro. O preocupante é que apenas há poucos anos está ocorrendo uma “certa” inversão de valores. Embora haja um crescimento no cinema brasileiro, em alguns locais do país, como Santa Maria-RS, os filmes nacionais não são prioritários e ficam meses sem circular na região. Chegam nas locadoras sem passarem pelo cinema local. Resquícios de viciados em “enlatados dos U.S.A”, como diria Renato Russo (nos anos 80) na música “Geração Coca-cola”?

Será que ainda não estamos acostumados a consumir a nossa própria cultura? Há alguns anos no Rock in Rio, a banda brasileira Pato Fú, foi recebida com uma “chuva” de garrafas por jovens que não viam a hora de verem as atrações internacionais. A vocalista da banda, numa atitude muito digna, não parou de cantar mesmo com a mão cortada pelo o que quer que seja que tenham jogado nela. Talvez naquele momento, a banda silenciosamente “gritava” “Eu também posso ocupar um espaço aqui”!

Bom, pelo menos, atualmente o CD nacional de novelas vende mais que o internacional, Caetano está nos filmes de Almodóvar, Ivete Sangalo conquistando a Europa. Até o Bono do U2 veio prestigiar o carnaval baiano. Será que o brasileiro precisa que o “gringo” diga que ele é bom para só então se consumir? Até quando “geração coca-cola”?

Enquanto isso o Brasil vai tentando conquistar o Oscar... Mas o que tinha mesmo no “O Quatrilho” e “O Pagador de Promessas”? Ah... Cultura, tradição, folclore de estados brasileiros que ainda cultivam suas raízes, não é?


“Em certos círculos do cinema brasileiro, ganhar um Oscar tornou-se uma obsessão. Parece até que o nosso cinema só vai ganhar a maioridade, ou uma carta de cidadania global, no dia em que for “batizado” por Hollywood. Mas eu pergunto: e daí? Será que esse prêmio é tão importante mesmo? Eu, pessoalmente, não dou a mínima. Mas sei, por outro lado, que existem pessoas que só levam o Brasil a sério quando ele é “reconhecido” lá fora, no “Primeiro Mundo”. Uma forma de pensar que antigamente se chamava de colonizada.”
Luiz Zanin, colunista do Jornal Estado de São Paulo



Geração Coca-cola
Legião Urbana
Composição: Renato Russo / Fê Lemos

Quando nascemos fomos programados
Pra receber de vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove as seis

Desde pequenos nos comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola

Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser

Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (18)



12/06/2007 05:21
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Namorar? - Parte II



Uma questão de superficialidade: "Enquanto não encontro a pessoa certa, me divirto com as erradas"... Mas vá que seja a errada a pessoa certa



Mal postei o texto e já percebo, por comentários ou conversas em msn certas pessoas que apontam outros aspectos das relações de hoje. Por isso resolvi escrever um pouco mais. Uma das questões levantadas por um amigo é haver muito mais superficialidade, interesses e relações de uso nos dias de hoje. Um outro amigo, artista, disse algo parecido: “Nunca esteve tão fácil. Há muito interesse. Quando desço do palco sempre há alguém na volta”. Isso também me lembra de outra pessoa que me disse que “na frente do palco sempre há umas 10 interessadas. É só escolher”. Mas o palco é vitrine, né? Todas essas pessoas que se expõem, correm um risco muito maior de estabelecer uma relação de interesse. Discernir torna-se mais difícil. Querer que guriazinha deslumbrada, não se ofereça também não entra em questão agora.
Em relação à superficialidade nas relações de hoje, é evidente que existe, não apenas na hora de ficar, de transar, mas também nas amizades ou nas ditas parcerias. Ninguém se permite conhecer o suficiente. Balada, festa, “bebemorar” não é sinal de amizade, mas pode ser o também o principio de uma, assim como de uma futura relação de namorados. Esse se conhecer seja de amigo, ficante, rolo, namorado leva tempo. O que defendo é que esse excesso de superficialidade, pode também permitir um discernimento maior nas próprias relações que se estabelece na vida, sejam elas de que nível for.
O individualismo que existe pode ser superficial ou não. O fato de querer um determinado tipo de relacionamento, não significa, nos dias de hoje, deixar de se envolver com alguém. Parece que todo mundo reclama que sexo hoje é muito fácil, mas ninguém deixa de fazer quando quer. Se há ou não sentimento nesse ato, é uma outra história, não?
E como não há como voltar no tempo, o melhor é aprender com esse, ou seja escolhendo melhor... Até porque tudo que é grande ou intenso se origina de alguma forma do que um dia parecia meramente superficial ou não?

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (20)



11/06/2007 23:32
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Namorar?



Ainda vale o velho ditado, mas mais utilizado atualmente: "Se é pra me incomodar, então eu fico só"


Melina Guterres




Apesar do dia dos namorados ser uma jogada de marketing, também é uma boa época pra refletir as relações e suas transformações. Será que hoje as palavras amor e paixão tem o mesmo significado de uns 30, 40, 50 anos atrás? Será que no passado, a maioria dos casais amavam quando casaram? Ou será que casavam porque estava na hora, se passasse muito da “idade” ficavam pra titia ou titio. Não que hoje não existam titios e titias, mas quem é que pensa em casar? No máximo morar junto, não? Não, na verdade muita gente pensa em casar, de branco, embora o significado desta simbologia já esteja ultrapassado há algumas gerações. Então, por que se mantém a tradição? É a emoção, a festa, a união das famílias, amigos, a comemoração de um momento único.
Mas enfim, o que antecede esse possível momento? Como é namorar hoje em dia? Passar o tempo? Ficar junto? Ou pensar que com quem se está é a pessoa certa pra o resto da vida? Bom, claro que isso vai de cada casal, de cada um. Tem gente que namora só pra não ficar só, tem gente que namora por interesse ou até mesmo para se exibir.
Mas isso é uma visão pessimista é claro! O que é bom em namorar?
Beijar todo dia na boca? Dormir de conchinha? Ouvir palavras bonitas? Cafuné? Declarações de amor? Beijo no pescoço, ver filme juntos numa noite de chuva? Ai ai como é bom namorar.... e ainda bem que hoje em dia é desse jeito, como dizem meus pais, “vida de casado: casam antes de namorar”. E se for realmente assim, quer dizer que então pra nós, casamento pode ser muito melhor ou não?
Hoje em dia variar não é o problema para quem não tem compromisso, para alguns também não é quando se tem compromisso, mas esse não é caso. A questão é que o “ficar” criou um dimensão muito maior sobre o que é namorar. Talvez antigamente se paquerasse mais de uma pessoa num mesmo mês, era galinha. Hoje se fica um mês sem beijar, tá na seca.
Essa nova “dimensão” permite que se conheça um número maior pessoas e consequentemente se escolha melhor na hora de levar alguém para apresentar para família. A possibilidade que se encontre a dita “alma gêmea” também aumenta, até porque para ser gêmea de verdade tem que saber como é o fator “cama”. Se não rola química, já não é gêmea. E hoje em dia entre jovens adultos, dificilmente se namora antes de desvendar este fato.
Essa nossa geração quer muito mais encontro intelectual, físico, químico, ousado, carinhoso, numa mesma relação. Por isso mesmo é mais exigente, ou seja namorar hoje em dia é tão sério quanto antigamente. Hoje, namorar é um encaixe perfeito de corpo e alma.
Sendo assim, ficar sozinho, não quer dizer ficar só e por isso mesmo, namorar é saber escolher. A medida que se “ampliam os horizontes”, se fica mais exigente, o que possibilita a chance de encontrar alguém deveras “especial”. Qualquer relação, traz aprendizado, assim como saber terminar e se permitir um novo momento. Essa possibilidade que a geração de hoje possui, não quer dizer promiscuidade e sim evolução. Até porque hoje na maioria das relações, a evolução pessoal é individual, mas namorar é caminhar junto. Nesse caso, a perda de certos costumes morais, quer dizer crescimento, partindo do principio de que na ausência destes há mais verdade do que mentira, que há mais sinceridade do que comodismo, mais descobrimento que ilusão, mais amor do que superficialidade. Hoje somos mais iguais.


Piano Bar
Engenheiros do Hawaii
Composição: Humberto Gessinger

O que você me pede eu não posso fazer
Assim você me perde, eu perco você
Como um barco perde o rumo
Como uma árvore no outono perde a cor

O que você não pode eu não vou te pedir
O que você não quer...eu não quero insistir
Diga a verdade, doa a quem doer
Doe sangue e me dê seu telefone

Todos os dias eu venho ao mesmo lugar
Às vezes fica longe, impossível de encontrar
Mas, quando o neon é bom
Toda noite é noite de luar

No táxi que me trouxe até aqui
O Willie Nelson me dava razão,
As últimas do esporte, hora certa, crime e religião
Na verdade nada é uma palavra esperando tradução

Toda vez que falta luz
Toda vez que algo nos falta
O invisível nos salta aos olhos
Um salto no escuro da piscina

O fogo ilumina muito
Por muito pouco tempo
Em muito pouco tempo o fogo apaga tudo
Tudo um dia vira luz
Toda vez que falta luz
O invisível nos salta aos olhos

Ontem à noite eu conheci uma guria
Já era tarde, era quase dia
Era o princípio
De um precipício era o meu corpo que caia

Ontem a noite, a noite tava fria
Tudo queimava, nada aquecia
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão

Ontem à noite eu conheci uma guria
Que eu já conhecia de outros carnavais
Com outras fantasias
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão

No início era um precipício
(um corpo que caía)
Depois virou um vício
Foi tão difícil acordar no outro dia
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha aquela solidão


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (17)



16/05/2007 03:56
?

A esperança do poeta que guarda



Melina Guterres



Guarda no peito o poeta
A lamuria,
O choro do artista
A valsa e rima

Guarda no peito o poeta
Uma “coisa” que se acumula
Uma força que imunda
Um ódio que cresce
Uma pétala de margarida

Guarda no peito o poeta
O urro que emudece
A voz que não se escuta
A forma que não se vê
Realidade e fantasia
Guarda no peito o poeta
Seu jeito de ver.

Solta no papel o poeta,
Para quem como ele não vê,
A dor da maioria que finge,
Não sentir, não perceber.

A esperança do poeta é que ao ler,
Eles possam acordar e se reconhecer.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



19/04/2007 21:51
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INSÔNIA REAL


(em período de produção do curta)



Melina Zucolo Guterres



BATE O SONO QUE NÃO CHEGA
DORME ASSUSTADA DESPERTA
DANÇA, FANTASIA DESLANCHA...
PASSO DE BAILARINA
LEMBRANÇAS

ESCALA TEMPO
PÓS, RÉVES
FUTURO EM CONSTRUÇÃO
MENTE GEME COMO VULCÃO

DORME, ACORDA
O SONHO ADORMERCIDO
PISCAM OS OLHOS
NOITE, DIA
O AMANHÃ FOI ONTEM

SONO NÃO VEM...
"DRAMIM" SALVA!
MENTE ACELERADA
EM DESCONSTRUÇÃO

LOGO MAIS...
NOVO DEGRAU
SONHO REAL
QUE CANSA...
E NÃO DESCANSA!
PRESENTE
INSÔNIA!

... blog do curta: http://asquartas.zip.net/
:)
Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



08/03/2007 21:23
BRASIL

Ele chega... e com ele a nossa falta de dignidade



Polícia fere brasileiros em manifestação.... mas quem é deveria ser defendido?

Chega o Bush com essa desculpa do Etanol... talvez agora ele tenha virado um político e percebido que é diplomacia que lhe falta. Pelos menos ele não está matando ninguém lá no Iraque hoje... Mas será que ele teria coragem de matar algum brasileiro? Aliás... não está matando? Quer um acordo unilateral que beneficia apenas os EUA, quer medir força com Chavez, que tem ganhado mais prestigio na América. E então o que esse homem quer aqui? Tirar mais um pouco do nosso “ouro”, falar de narcotráfico, sendo que somos nós as vítimas deste. O que quer de verdade o Bush no Brasil?
Hoje a polícia deteu uma manifestação publica contra a vinda do presidente americano e quem se feriu? Brasileiros!!!!!!
Algumas portas parecem estar se fechando ao Presidente Americano. Bush, agora, procura estratégias “diplomáticas” de recuperar credibilidade perante o próprio povo que já o desacredita.
Se eu estivesse em São Paulo, estaria nesse movimento e se fosse ferida, perguntaria a todas as mídias: Eu valo menos que esse americano? Ele tem poder e nos dá guerra, eu tenho revolta e busco a paz e vc me fere porque?
Achei uma brutal falta de respeito com os brasileiros a atitude da polícia, uma mostra de como nosso país é desunido e é capaz ferir o próprio povo para o “abre alas” do “gringo”. Não é a toa que ninguém crer em nós como um povo sério, não é?

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



27/02/2007 12:02
REFLETINDO...

Que “sexo” é esse?



Melina Guterres



Bom, o que não rende uma noite sem sono para quem gosta de ler e escrever! Estava na internet a buscar por notícias do mundo, país, ciência e acabei por encerrar a noite na revista feminina Criativa. O que me chamou atenção quando entrei na página, foi o Blog do Homem que é Sincero, e não contive a curiosidade de bisbilhotar no que este suposto homem diz. Não conheço, em suma, o trabalho do autor e confesso que hoje foi o meu primeiro contato com este. E sendo sincera a minha primeira impressão ao ler, é de encontrar um homem atormentado, depressivo e muito parecido com as mulheres.

No entanto, ele é um homem e tem suas diferenças logo questionadas por diversas mulheres no texto “Preliminares”, publicado no dia 13/02/2007, que relata o quanto é “extenuante” tentar agradar uma mulher nos “primeiros 10, 20 minutos”. A dúvida: estaria ele cansado da “ausência feminina” nesse momento? Afinal homem também é gente e gosta de ser tocado. Ou estaria apenas dispensando preliminares porque ele “é homem e homem está sempre “pronto””? Quem é o egoísta? Ela, ele, os dois? Qual é o fato? A razão da crise masculina?

Bom, embora o Fábio Hernadez se descreva como um escritor barato, o blog, os textos e os comentários que há nele me fazem recordar as histórias que escuto ao meu redor. Por mais que hoje a juventude pareça possuir uma vida sexual mais ativa e com mais liberdade, as reclamações e dúvidas quanto ao sexo ainda parecem permanecer. Homens reclamando de mulheres inibidas que não interagem na cama, “bonequinhas”. Alguns também reclamam das que interagem e querem sexo sem compromisso. Já ouvi homens dizendo que se sentem usados e mulheres que os usam para suprir uma necessidade e vice-versa.

Bom...com isso há um número, e imagino que grande, de encontros e casais em “desarranjo”, paixões desequilibradas, amores platônicos e ainda um monte de pessoas atormentadas como diz Hernandez em “querer agradar” o outro quando sentem por este algum sentimento ou peso da responsabilidade em proporcionar prazer. E quando agradar o outro, seja na cama ou no cotidiano, é um peso, também é uma violação para consigo mesmo, uma traição, uma falta de respeito e amor próprio. Quem é mais importante nessa história toda? O outro ou “eu”? Mesmo aquele que estabelece relações fugazes e, muitas vezes é rotulado por isso, sabe que a pessoa mais importante de todas é ele mesmo. Agradar por agradar é um desequilíbrio. Onde não há um bom dialogo, onde não há troca, não há relação verdadeira.

Sendo assim, Fábio Hernandez não é um homem sincero, é um homem que trai a si mesmo e, consequentemente, ao outro. É um como tantos outros homens e mulheres casados, solteiros, que acham que sexo é uma questão de agradar e não de encontrar no outro e com o outro, a satisfação plena...Se há “ausência” ou “agrado” de alguma das partes, antes de maldizer, não é hora de parar e questionar: que sexo é esse?
Eis aí a “sinceridade”!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (10)



27/02/2007 05:46
NOTÍCIA!!!

64% americanos desaprovam guerra



Uma pesquisa da ABC News/Washington Post feita por telefone com 1.082 adultos entre os dias 22 e 25 de fevereiro nos Estados Unidos, mostra que:

- 64% dos norte-americanos desaprovam a guerra no Iraque, 6 pontos a mais que no mês passado.
- 56% acreditam que as forças dos EUA devem deixar o Iraque mesmo que a ordem não seja restabelecida naquele país.
- 53% apóiam a marcação de uma data para a retirada dos militares.
- Dos que apóiam um prazo para a retirada querem que os 139.000 solados norte-americanos no Iraque voltem para casa dentro de um ano e metade deste grupo gostaria de vê-los de volta em seis meses.
- Dois terços (2/3) se opõem ao plano do presidente George W. Bush de enviar mais 21.500 soldados para o Iraque. Um número igual é a favor da redução do apoio militar e financeiro caso não haja ordem no Iraque.
- 70% dos pesquisados acreditam que o principal culpado pela falha no controle da violência é o próprio governo, não os Estados Unidos

Informações retiradas de: G1 – Reuters – 26/02/2007

***

TOMARA QUE ELES ACORDEM E DEIXEM DE SER CÚMPLICES!!!

***

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (0)



20/12/2006 20:29
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Eu quero a arte do espetáculo



Melina Guterres




Grupo Viladança em cena


Eu quero...
A ansiedade de um cineasta
A criatividade de um bom músico
A vida corrida de um jornalista
As cores do artista plástico
As emoções de um ator em cena
O passo de uma bailarina
O tom de um violoncelo
O sopro da gaita de boca
A nota “sol” de um piano
A elegância de um saxofone tocando

Ser personagem de uma revista em quadrinhos,
E cair sem me machucar
Ser um desenho de animação,
Poder pegar a cabeça nas mãos.

Também ser...
Um palhaço gozador que dá piruetas pelas ruas,
“O bêbado e o equilibrista”,
O capoeira que joga sem corda e distinção,
Navegar pelo mar à noitinha,
Mergulhar entre os peixes e dar bom dia,
Ver estrelas do mar.

Eu quero ser
Um percussionista no atabaque
Uma dançaria de salsa e tango
Ter o olhar de um diretor de novela das 8
E rir sentada entre amigos num bar de esquina

Ouvir um violão
Cantar uma velha canção
Recordar a criança que fui
Sentir que ela vibra em mim

Pular carnaval mais uma vez em Salvador
E na Barra amanhecer com a certeza de que
“Viver é não ter vergonha de ser feliz...”

Eu quero
Entrar numa música
“Voar” ao compasso da melodia
Ver além do olhar
Fazer cinema nacional e internacional

Eu quero
Pisar num palco com todos os personagens em mim,
Interpretar com paixão, como vulcão em chamas
Aos aplausos, ser música em nota crescente.

Eu quero a calmaria do escritor,
Que mescla letras como se fizesse acorde,
Que cria frases como se pintasse um quadro,
Que faz diálogos como se fizesse teatro,
Que imagina como se fosse cinema,
Que escreve com mãos de escultor,
Que reúne arte em palavras.

Eu quero o espetáculo de todas as artes,
Em meus dias...
Essa paz que cresce em mim quando estou criando
E o sorriso na conclusão!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (8)



12/12/2006 13:30
Mídia em pauta II:

O filme “Turistas” vale um “palavrão”?


Estereótipo brasileiro industrializado direto para o Brasil



O filme "Turistas" que inaugura a Fox Atomic (Fox pra jovens) e primeiro longa-metragem americano com produção totalmente rodada no Brasil gera conflito e polêmica. O filme mostra um grupo de jovens norte-americanos em férias que acaba vítima de uma quadrilha de tráfico de órgãos em algum lugar da costa brasileira. Além de receber uma crítica feroz, já se fala em boicote quanto à estréia no Brasil, e aos mais curiosos que pretendem assistir sem "colaborar" financeiramente, em baixar o filme pela internet.


Como se não bastasse um episódio do Simpson no Brasil, tratar do brasileiro como um povo “agressivo sexualmente”, ainda está para estrear o filme “Turistas”, em 16 de janeiro no Brasil. Inaugurando a Fox Atomic, empresa da Fox voltada para um público de 17 a 24 anos, o longa de terror fala mal do país, além de usar estereótipos pra lá de incoerentes. Já causa polêmica antes da estréia e provoca até mesmo campanhas de boicote na internet. Só no orkut, duas comunidades reúnem mais de 2000 membros entre as diversas existentes.

Um vereador da cidade de Ubatuba (SP) , onde o filme foi gravado diz “Não assistam, não dêem $$$ a uma produção que só visa acabar com nossa imagem”. É terrível fazerem cinema em outro país sem qualquer tipo de pesquisa... E pelo visto, neste, a produção não sabe qual a língua e tão pouco sobre a cultura brasileira... Já que no filme tem carioca falando espanhol e brasileiro dançando salsa na praia.

Até o jornal americano “Los Angeles Times”, diz que “mais da metade do longa é construído em cima de idéias idiotas. (...) o cenário brasileiro estereotipado, com caipirinhas rolando soltas e gatinhas de biquíni, se encaixa naturalmente no gênero terror-adolescente, que no fundo é enraizado na noção puritana de punição” e o texto ainda termina com a frase: “ ‘Turistas’ é mais a encarnação do que uma crítica à paranóia xenófoba”.

Pelo menos, o ator norte-americano Josh Duhamel, protagonista de “Turistas”, admite, após fazer um pedido de desculpa formal aos brasileiros, que “A única coisa verdadeira que o filme mostra, são as belezas naturais do Brasil.".

Entretanto, o pior foi descobrir que o produtor do filme, Raul Guterres, além de ter o meu sobrenome, é um brasileiro radicado em Los Angeles há 11 anos e colaborou no roteiro do filme. O cara ainda diz: “Mudem a realidade do país para a imagem também mudar”, mas o que ele está fazendo para que tal realidade mude?

Adorei as críticas quanto ao filme:
A revista especializada “Variety”, afirmou “qualquer um que julgue os EUA por meio de nossos filmes vai chegar à conclusão de que somos bem burros”

O “New York Times”, mais agressivo:“(...) "esses estúpidos do horror" levariam chicotadas na prisão se a estupidez fosse crime.”.

Eu, particularmente e sinceramente espero que essa campanha do boicote ao filme no Brasil vingue. Michael Ross (roteirista), John Stockwell (diretor) e sua produção toda não valem um palavrão brasileiro, eles conseguiram ser piores que qualquer um que os pudesse definir, principalmente por esta notícia dada no G1 – Portal de Notícias da Globo:
“(...) A crítica norte-americana foi feroz com a produção, classificando a fita de "retardada" e "construída em cima de idéias idiotas". Para promover o filme, entretanto, o diretor Stockwell e outros envolvidos na produção disseram que "Turistas" se inspira na realidade brasileira.”

Raul ainda diz que fez pesquisa na internet e descobriu que no Brasil há tráfico de órgãos... Ora, ora... Pesquisa na internet não é coisa pra cinema. Se uma produtora é capaz de gastar 30 milhões de dólares só em divulgação porque não gastar em pesquisa?

Guterres e a Fox Atomic, empresa, agora acatam as conseqüências. O filme “Turistas” arrecadou apenas US$ 3,5 milhões em um final de semana, estreando em 8º lugar e é considerado um fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, comparado aos atuais "Jogos Mortais 3" que arrecadou US$ 33 milhões no primeiro fim de semana, e as refilmagens de "A Profecia" e "Quando um Estranho Chama" fizeram US$ 16 milhões e US$ 21 milhões, respectivamente.

Ah, vale lembrar que já rola na internet uma petição, que deve ser encaminhada a ANCINE - Agencia Nacional de Cinema - para que seja vetada a proibição do filme, que até o momento tem 1335 assinaturas. Eles ainda descatam um artigo da Lei brasileira:

"To: Fox Atomic

(...) De acordo com a LEI Nº 5.536, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1968 esse filme não está de acordo com o seguinte artigo:

Art. 3º Para efeito de censura classificatória de idade, ou de aprovação, total ou parcial, de obras cinematográficas de qualquer natureza levar-se-á em conta não serem elas contrárias à segurança nacional e ao regime representativo e democrático, à ordem e ao decôro públicos, aos bons costumes, ou ofensivas às coletividades ou as religiões ou, ainda, capazes de incentivar preconceitos de raça ou de lutas de classes. (...)".


Para acessar ao link, clique em:
http://www.petitiononline.com/12022006/petition.html

Se “Turistas” não vale um “palavrão”... Então não sei o que vale! Um “Salve” a crítica, aos críticos e ao boicote!!!... E a Almodóvar que nunca produziu um filme no Brasil, mas que conhece e coloca a música e a cultura brasileira num pedestal.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (14)



12/12/2006 01:27
Mídia em pauta I:

Que programa na TV vale um “palavrão”?


MTV- Americana X Peoples&Arts



Bom, não achei nenhum dicionário o significado das frases “vai tomar no cú” e “vai pra porra”, ideais pra expressar um “ar” de revolta quanto aos que fazem certos programas serem exibidos em canais de televisão. Só o Dicionário de Carioquês, me falou que “porra” é um advérbio de intensidade, mas nem mesmo a palavra “carioquês” está regulamentada. No entanto, elas são ouvidas no dia-dia e também ditas em diversos programas na TV... Acho que nem preciso ficar explicando o que tais expressões pretendem dizer... É importante apenas todos as compreendam.

Dias atrás, pela tarde, vi um programa na MTV que acompanhava uma guria no seu cotidiano prestes a dar uma festa de aniversário nos seus 18 anos, e na qual gastou 300 mil dólares! O pior era ouvir o que a aniversariante dizia: “Eu quero que todo mundo veja o quanto eu sou rica”. Durante o programa a moça ganhou um carro de 92 mil dólares do pai. Ela ainda se “gabava” em dizer que já tinha ganho concursos de beleza, nos quais destacava o do “mais belo sorriso”.

Para sua festa fechou uma boate local, com DJs famosos e uma banda cujo nome não lembro, porque mudei de canal. Mas enfim, a guria fez um mega evento para um monte de gente que ela nem conhecia; entrou vestida de Cleópatra em uma espécie de carruagem carregada por alguns homens musculosos e com uma cobra enrolada no braço (porque ela tinha visto num vídeo clipe a Britney Spears fazendo o mesmo). Ao aparecer no palco, todos chamavam seu nome como se ela fosse uma pop star.... Mas todos quem? E ela era pop do que mesmo?

No mesmo horário, num outro canal, o Peoples&Arts, o programa “Reconstrução Total” em que arquitetos reconstroem em 7 dias uma casa, já tinha começado. A escolhida da vez era uma senhora de um bairro muito pobre, que parecia esquecido por todos, exceto os próprios moradores. O local havia sofrido há poucos dias uma enchente, e todos os que lá viviam passavam dificuldades. A mulher idosa escolhida era uma pessoa muito querida por ajudar a todos do seu bairro.

Buenas... Mas qual a relação entre os dois programas, ou melhor qual a diferença entre eles e seus personagens?

No Peoples&Artes, na hora da reconstrução, as crianças do bairro se reuniram e queriam colaborar com as obras; na MTV, o pai da guria pagou todo trabalho da festa, nem um “amigo” precisou ajudar na arrumação.

No Peoples&Artes os amigos da Igreja próxima se reuniram para cantar em coro na chegada da família; na MTV o nome da guria era “gritado” por uma galera que só queria era estar naquela festa.

No Peoples&Artes o programa, além de reformar aquele lar, reformou também a quadra de esportes do bairro, comprou computadores para o local em que a senhora “instruía” os demais, além de ter distribuído colchões e reformado os jardins dos moradores do bairro. Na MTV o programa mostrava o quanto a guria tinha medo de cobra, e como seria difícil para ela usar uma em seu braço como desejava, tentando parecer alguém que ela só conhecia pela televisão.

No Peoples&Artes da família escorriam lágrimas e abraços eram constantes, assim como as palavras “Oh, my God!”. Na MTV a guria distribuía sorrisos, provavelmente iguais aos que usava para posar nas fotos quando foi “Miss Smile”.

No Peoples&Arte a senhora estava emocionada mais pelo que foi feitos aos seus vizinhos e ao bairro do que a si mesma; na MTV a guria descia de sua carruagem com a ajuda e proteção dos seus “súditos”.

No Peoples&Artes a senhora estava cercada por muitos amigos; na MTV a guria era rodeada por muitos estranhos.

Será que se ela estivesse na situação da família do outro canal, alguém daquela festa teria a inscrito no programa de reconstrução?

De longe se percebia que mais “rica” era aquela a família com a reconstrução, do que a guria com a sua festa; de longe percebia-se que os amigos daquela família eram verdadeiros, de longe se percebia que embora a guria estivesse rodeada de pessoas, ela só podia chamar um de amigo, o seu pai.

O Peoples&Artes mostrou sorrisos que jamais se classificariam em um concurso de beleza, no entanto são incomparavelmente melhores do que qualquer um que se inscrevessem para estes.

A MTV mostrou o quanto uma pessoa pode gastar para simplesmente ter o “status” que buscava na “sociedade”, “status” esse que programas como estes criam, “status” que a mídia vende diariamente para qualquer um consumir... A MTV mostrou a guria de sorriso bonito, mas vazio.

O Peoples&Artes surpreendeu e mudou a vida de muitas pessoas. A MTV conseguiu cumprir o desejo da guria, mostrar para todo mundo o quanto ela era rica.

Mas o que a MTV pretendia em exibir a ostentação de uma adolescente rica num país como o Brasil? Humilhar? Afinal de contas toda juventude brasileira tem 300 mil dólares para gastar em uma festa, não é? ...Ou será que eles queriam dar uma de Tarantino, que usa do ridículo para ridicularizar? Sinceramente prefiro que seja a segunda opção.

E se nesse mundo “Mídia”, tudo é marketing, então fico com o Peoples&Arts, que teve uma sacada que não “fere”, pelo contrário, beneficia. E que, neste caso, esteve bem mais próximo da realidade brasileira, ao mostrar um bairro de negros que ninguém lembra que existe.

Vale lembrar que em 2004, a 4º Cúpula Mundial de Mídia para Criança e o Adolescente, realizada no Rio de Janeiro, conclui que os jovens não estão satisfeitos com o que vêem e ouvem pelo mundo. O recado deixado pela juventude na solenidade de encerramento do evento, que durante cinco dias reuniu cerca de 2 mil participantes – com jovens de 60 países foi:

“Permitam-nos a oportunidade de praticar o nosso direito. Sabemos que precisamos de orientação e apoio, mas queremos trabalhar em conjunto com os adultos. Trabalhem conosco, não para nós”.

Algo que a “senhora da vez” já mostrou que faz quando as crianças se ofereceram para reconstruir a sua casa.

Agora e a mídia???? Será que esta não tem nenhuma responsabilidade para com seu público além do entretenimento? Será que sendo ela um instrumento capaz de influenciar milhões de pessoas, não se questiona além do valore$$$ comerciais? Esses dias ouvi falar que a MTV não exibirá mais vídeos clipes ano que vêm porque eles não rendem lucros. Se é verdade ou não, só esperando pra saber e se o realmente fizer, pelo visto, não será nada surpreendente.

São tantos os programas na TV que valem um “palavrão”, e é uma pena que existam, e uma alegria que existam os que não o mereçam... Cabe aos telespectadores definir que o palavrão ou elogio se dariam por apreciarem ou desprezarem o que vêem na TV. Aí vale até um “clichê”: “O futuro é feito de escolhas”.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



19/11/2006 08:56
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Eu não passei!!!!!!!!




“Prezado(a),

Agradecemos o interesse em fazer parte da nossa empresa, porém nesse momento você não foi selecionado para a próxima etapa do processo seletivo. Seus dados serão mantidos em nosso cadastro para futuras oportunidades. Cordialmente,

Estagiar, o Programa de Estágio da TV Globo.”



Quanta educação para dizer um não! Ahhhhhhhh que raiva, não passei!!!! Faz parte, é pelo menos é isso que vou ouvir nessa semana inteira...hehehe. Por mais difícil que seja, sempre há uma esperança que se acredita até então o fim, que neste caso, não foi como eu queria. Mas tudo bem eu já andava mesmo desconfiada.... Um dia antes da prova para um estágio sonhei que eu chegava num outro país, que seria meu local de trabalho por um tempo. Quando acordei, não queria pensar nisso, queria mesmo era passar naquele teste... É mas parece que meus planos de fazer uma pós no exterior fazem mais sentido agora.
Bom, também já era de se esperar um “não”. Foram mais de 9000 inscritos sabe se lá para quantas vagas no “tal” programa Estagiar da Rede Globo de Televisão. E é bem provável que eles tenham dado preferência a quem more já no Rio de Janeiro. Pensei se caso eu passasse, talvez tivesse problemas referentes ao tema da minha monografia que é “Jornal Nacional: notícia X cultura”,...Ao menos, agora, não preciso me preocupar em dar uma de ombusman .
Que me desculpem se sou sincera, mas na hora de escrever uma redação sobre violência urbana durante o teste, fiz uma relação direta com os programas de entretenimento, usando termos até como “lixo comercial” ao me referir a certos vídeos clipes e músicas, consumidos pelas grandes massas... E ainda fui mais além, colocando que violência não era uma questão apenas de segurança e sim de educação, sendo assim à medida que se investir nisso, teremos menos violência e mais qualidade na TV.
Pra que né? Quem leu deve ter achado que foi provocação, mas acontece que escrevi o que me veio na cabeça e quando terminei não tinha mais tempo para escrever algo novo e também nem queria, vá que eles apreciassem o espírito crítico.
Enfim, fiz uma ótima viagem, conheci diversas pessoas e até me descobri devota de São Jorge, que parecia estar do meu lado pelas diversas coincidências que aconteceram naquela terra. Mas, talvez não fosse a hora me mudar pra lá ainda.
Alguns dias atrás, estava numa ansiedade imensa para saber o resultado que parecia nunca sair, fui até um oráculo on-line que se chamava “tarô do trabalho”, louca para ler uma resposta positiva como “tudo vai dar certo, você terá muito sucesso, etc., etc.”.... Que nada!!! O tarô foi bem prático comigo, “comece a traçar suas metas, faça uma lista de objetivos e blá, blá!”.
- Puta que pariu, tarô filho da p... - essa era eu, fechando a página depois de ler.
O que fazer então até lá? Abri o Word e comecei justamente a tentar fazer o que o Tarô mandou, mas com um pouquinho mais de criatividade e com a mente livre para imaginar... Escrevi, criei, viajei muito.
E o que saiu é justamente o texto abaixo desse... hehehe
Eu posso não ter entrado, mas meu mundo continua e meu humor, .... Ahhh... Esse eu levo para o túmulo!!!!!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (18)



19/11/2006 08:48
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E se a resposta for não???


Viajarei pelos 7 mares e acordarei no infinito ao som de alguma “velha” canção



Que ansiedade braba... Ainda faltam alguns dias para saber.... E SE A RESPOSTA FOR NÃO?????? Bom, pelo menos eu viajei....Mas qual será o próximo passo? Terminar a faculdade... E trabalhar onde nesse 1 ano? Cansei de ficar em casa...Quero um trabalho que me de prazer... Vou criar de vez meu guia cultural, lançar sozinha... Só eu e o diagramador.

Mas e depois? “Vou-me embora para Pasárgada, onde sou amigo do rei...”. Não, não!... Vou para a Espanha a cata do Almodóvar para cruzar belíssima em sua frente, o suficiente para ele me notar e de repente me tornar a próxima musa dos seus filmes....

Não, não....Vou para Itália estudar belas artes e pintar as famílias reunidas em meus quadros.

Vou para os Estados unidos, ser qualquer coisa na Broadway e assistir a todos os espetáculos de graça, cruzar por Hollywood e pedir para um grande diretor como o Spielberg fazer um filme americano sobre o Brasil sem aquelas caricaturas ridículas onde a capoeira é jogada no meio da Amazônia pelos índios, talvez os únicos habitantes desse país que não deve ter nem televisão para ver o seu próprio futebol ser pentacampeão.
Mas não vou esquecer de cumprimentar o casal Pitt pelas boas ações que fazem e o incentivo que dão pelo simples fato de serem artistas e preocupados com a humanidade.

Sendo assim, mais leve, vou para Escócia, dançar suas danças, namorar um escocês com saia, e de lá para a Irlanda, cantar “Sunday blody sunday” com Bonno. Se ele deixar toco pandeiro para disfarçar a minha voz de “Elis”.

Depois vou para o Tibet, descansar em algum templo budista, ouvir os ensinamentos e silenciar minha mente e inquietude. Ouvirei os passarinhos e talvez até compreenda o sentido da existência. O importante serão os mantras que me farão dispensar meu cigarrinho habitual. Saio de lá, limpa de corpo e alma, no sentido literal da palavra.

Depois disso volto ao Brasil, revejo alguns amigos, familiares, vou para o Rio de Janeiro e desfilo em alguma escola de samba na Sapucaí, abano para as câmeras enquanto estou na avenida e me delicio com toda cultura brasileira... Até acabar pela manhã numa roda de samba na beira da praia da Urca e ser acordada por algum milico fardado.
- Moça, acho que a senhora já tomou sol demais – diria ele ao ver meu rosto branco virado num tomate ao meio-dia.

No dia seguinte, pego um avião e pronto, já estou na Bahia, em cima de um trio elétrico, dançando com Ivete Sangalo e cia. Desço para pipoca e pulo com o povo toda aquela alegria. Bebo uma água no camarote da Daniela Mercury e dou uns beijos em algum ator global... Saio na Caras na semana seguinte... “Quem era aquela que pulou o carnaval com o Gianecchini?” Depois ainda leio em algum tablóide sensacionalista do RS "Ahhh, só podia ser gaúcha, tchê!!!". hehehe

Passo minha quarta-feira de cinzas já na África, onde a vida recomeça, volto ao trabalho e as causas sociais, me filio em Ongs, trabalho com freiras, médicos, voluntários, tiro fotos e sobretudo escrevo, escrevo e escrevo...Choro pela tristeza e me sinto feliz por poder ser útil. Publico todos meus textos em meu blog e vendo matérias para revistas e jornais no intuito de abrir os olhos de tantos para essa realidade. Passado uns dois anos, vou para o mar....Navegar com o Greenpeace e zelar pelos nossos animais e oceanos....

Bom, depois de viver tudo isso acho que já poderia morrer em paz

Mas certamente, eu não pararia por aí.....

Aos 90 anos, vou ao Vaticano, me confessar com o Papa, depois de já ter publicado milhões de livros e viajado os 7 mares, e dormido com homens de diferentes raças e classes, ter visto Jesus Cristo na África e a Virgem Maria em alguma na Guerra. Vou lá e me confesso ao Papa que perdoa meus pecados por algumas Aves Marias, alguns Pais Nossos e muito incentivo$$ financeiro$$$ para a bondosa Igreja.
Depois ele então até abençoa meu casamento com um senhor muito bem humorado que conheci em Roma.......Mas morro na hora de dizer sim!!! Hahahahhah....Vou para os céus ao som de alguma música do Caetano Veloso e sigo minha jornada... com a mesma emoção dos meus 20 anos.... explorando um local diferente..... só q agora infinito.... assim como meu desejo correr mundo.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (7)



18/09/2006 22:20
Eu

A sorte de um final tranquilo



Melina Guterres



Quero a sorte de um final tranqüilo
Onde tudo possa acontecer
Onde não haja medo
Nem perda de tempo....

Quero sorte de um final tranqüilo
Que nem final de filme de cinema
E que amor cure uma vida inteira

Quero a sorte de um final tranqüilo
Com o saber de fruta proibida
Quero uma vida de aventuras
E nenhumas escolhidas

Quero a surpresa, a indignação
Quero a revolta e a pacificação
Quero o novo e inalterável
Quero alterável e o inexplicável
Quero os meus problemas todos na gaveta
Quero viver muito e não me arrepender
Quero um espelho pra me compreender
Quero dançar chula...

Quero reboliço, agitação
Carinho e compreensão
Quero o silêncio e a solidão
Estar despercebido numa multidão

Quero esquecer tudo
Apagar o futuro
Quero um carro, um camelo
Quero uma casa, um novo conceito
Quero amizade e compaixão
Quero ver tudo e não saber de nada
Quero um copo, um prato cheio
Quero o louco e o desprezo
Quero o certo e o duvidoso
Quero gostar de tudo e de só um pouco
Quero ser louco, quero ser poeta
Quero criar um novo.. acorde
Quero escrever todos meus poemas
Quero que meus projetos, dêem certo
Quero plantar qualquer coisa
Quero a caneta e o corretivo
Quero escrever um bom livro
Quero paz mas não a estagnação
Quero alteração, visão
Quero rever tudo, mudar junto
Quero ver em mim crescer um novo país

Eu quero apenas uma garantia que tudo vai dar certo!
E ter a sorte de um final tranqüilo.




Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (16)



08/09/2006 04:09
Cinema:
De Gramado ao Oscar?

Anjos do Sol, o filme mais premiado em Gramado, disputa vaga para representar o Brasil no Oscar




O filme Anjos do Sol do gaúcho Rudi Lagemann que dividiu o Kikito de melhor filme este ano em Gramado com "Serras da Desordem" de Andrea Tonacci é resultado de 9 anos de pesquisa sobre a prostituição infantil no Brasil e seu roteiro foi livremente inspirado em reportagens sobre o tema.

Anjos do Sol, rodado na Bahia, Amazônia e no Rio de Janeiro, narra a história de Maria (Fernanda Carvalho), uma menina de 12 anos, que é vendida pela própria família, e então enfrenta a triste realidade de não ter mais domínio sobre seu corpo. Maria passa a ser submetida até 30 programas em uma noite. Faz então algumas amizades e através delas tem raros momentos de cumplicidade e acolhida que a fazem perceber-se pessoa.

Segundo a crítica de cinema, Angélica Bito, http://br.cinema.yahoo.com/filme/13919/critica/9368) “Sensível, contundente e real, Anjos do Sol mostra não somente a miséria social, mas, principalmente, a humana, tornando-se uma das melhores produções brasileiras deste ano”.

O filme ganhou 6 Kikitos de Ouro no Festival de Gramado, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Antônio Calloni), Melhor Ator Coadjuvante (Otávio Augusto), Melhor Atriz Coadjuvante (Mary Sheila), Melhor Roteiro e Melhor Edição, sendo o mais premiado neste ano durante o Festival.

A tensão agora é qual filme brasileiro deve ser indicado a concorrer ao Oscar. O MinC (Ministério da Cultura), por meio da Secretaria do Audiovisual, recebe até amanhã as inscrições para a seleção dos filmes. Pelas regras da Academia, cada país indica um filme, escolhido por uma comissão de seleção de seu próprio país, que concorrerá a uma vaga na lista dos cinco indicados ao 79º Oscar, na categoria de melhor filme de língua estrangeira. A comissão brasileira deste ano é formada por personalidades do cinema nacional. São eles: o cineasta Andrucha Waddington; a roteirista Carolina Kotscho; a diretora de festival e distribuidora Ilda Santiago; o cineasta, produtor e roteirista Jorge Bodansky; o produtor Moisés Augusto; o editor Ricardo Miranda e a cineasta Sandra Werneck. O resultado será divulgado no dia 20 de setembro.

Para Marlene Vaz, socióloga, pesquisadora e co-autora do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes (coordenado pelo Ministério da Justiça), “o filme "Anjos do Sol" sendo indicado pelo Brasil para o Oscar de Filme Estrangeiro dará visibilidade internacional a nossas meninas prostituídas e forçará o governo, a iniciativa privada e o cidadão comum não só a reconhecer que as relações de desigualdade social tornam as meninas pobres vulneráveis aos aliciadores e aos clientes, mas a se questionarem: O que eu posso fazer?".

A Folha Online está fazendo uma enquete para saber qual filme seus leitores gostariam que representasse o Brasil no Oscar. Para votar basta ir em:
http://polls.folha.com.br/poll/0624201/
Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (4)



01/09/2006 17:37
Eleições 2006


*texto publicado em: www.agenciacentralsul.org

Melina Zucolo Guterres






Alguém sabe como se vota nulo?

Segundo o site http://www.quatrocantos.com/LENDAS/283_voto_nulo_branco.htm, para anular um voto na urna eletrônica é necessário digitar um número de candidato inexistente, “o eleitor tem de digitar um número inválido e, depois que a máquina informar "Número incorreto, corrija seu voto", ele deve confirmar o número incorreto, isto é, o voto nulo” ou seja, você poderá passar horas e horas tentando anular um voto para deputado federal e mais algumas para estadual até encontrar um candidato que não exista.

O site ainda lembra que era mais fácil nos tempos em era usado cédulas, “Bastava escrever uns palavrões, xingar a genitora de um ou de todos os candidatos, mandar os candidatos para um lugar impróprio ou próprio para todos eles e pronto: o voto era decretado nulo pelo juiz eleitoral. A coisa ficou ficou mais complicada com a chegada das urnas eletrônicas. Falta ao teclado delas, por exemplo, a opção "Vá à merda" como sugeriu o Millôr Fernandes”

Não me surpreenderá se esse ano houver pessoas querendo quebrar a urna, por não constar lá a tecla “nulo”, já que o voto branco é uma palhaçada, já esclarecida pelo site do TSE:

16. Se 50% dos votos forem brancos ou nulos, faz-se nova eleição?

O Código Eleitoral prevê que se mais da metade dos votos for de votos nulos, será convocada nova eleição ("Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do País nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais, ou do Município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias”).
Os votos em branco, de forma diversa, não anulam o pleito, pois não são considerados como nulos para efeito do art. 224 do Código Eleitoral (Acórdão nº 7.543, de 03/05/1983)
.




Há uma alternativa muito interessante para quem ainda não escolheu seu candidato. O jornalista, Fernando Rodrigues, em seu livro “Políticos do Brasil”, traz dados inéditos coletados em 3.570 registros sobre o patrimônio declarado de candidatos vencedores em 1998 e em 2002, compilados ao longo de mais de cinco anos de análise e estudo. O conteúdo do livro pode ser dividido em três partes principais: o patrimônio dos políticos, o perfil estatístico e as características do sistema político, com considerações sobre o voto.
Mas o mais importante é que o acesso a esses dados estão disponíveis pela internet, no site www.politicosdobrasil.com.br . “É uma contribuição à transparência do processo eleitoral no país e ao avanço da democracia. Pela primeira vez, os eleitores e estudiosos terão acesso facilitado à informação dessa natureza sobre os políticos escolhidos para comandar o Brasil”, finaliza Fernando Rodrigues.
Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (9)



21/08/2006 17:56
Nem Inter, nem Grêmio - “Ah... eu sou gaúcho”, quero paz!

Melina Guterres



“Necessidade todo mundo passa qualquer raça, qualquer massa
O português, o gringo, o italiano, o alemão, o índio, o africano
Somos todos irmãos sob esse céu azul, Nós somos brasileiros do Rio Grande do Sul”

- Trecho da música Peleia da banda gaúcha Ultramen -




Nas últimas três quartas-feiras o Rio Grande estava vermelho. Bares, ruas, casas, universidades, onde quer que se fosse, havia alguém com a camiseta, manta, boina, bandeira do Internacional. Assim mesmo nem todos gremistas se intimidaram. Alguns secavam os colorados, outros se arriscavam a sair numa dessas quartas-feiras, este último é o meu caso. Na antepenúltima quarta-feira, eu e alguns amigos saímos da aula fomos a um bar. Chegamos cedo, antes das 22h esquecidos do jogo. No bar, uma TV ligada e uma massa vermelha frente a ela. Bem de canto, pegamos uma mesa, próximo da janela. Meio a cerveja, cadernos e fritas descobrimos então que éramos todos gremistas!
Como a maioria possui uma veia meio literária, resolvemos escrever, cada qual uma frase. O texto crescia, saia algo confuso, abstrato, o personagem tomava vida, meio aquela festa toda. O jogo acaba, o personagem se suicida, só não ficou claro que ele se tratava de um gremista ou colorado. Em seguida um amigo telefona, dizendo que não nos acompanharia, pois seu carro é azul e não queria correr risco. Bom, alguns foram embora, outros chegaram e a festa continuou.
Na penúltima quarta-feira, assisti o primeiro tempo em casa com minha avó colorada, no segundo fui com uma amiga (gremista) para o bar da esquina da faculdade. O pai dela que é colorado nos levou e apenas pelo rádio ouviu o gol do Inter. Ao chegar, muitas risadas, e um conhecido saía correndo do bar, era um gremista, que secava o Inter e foi escoltado pelos colorados presentes. Entramos em silêncio, sem anunciar “somos gremistas”. O “escoltado” voltou e continuou a secar o time, mas como estávamos entre amigos, nada mais que alguns palavrões, brincadeiras e boas risadas ocorreram. No final do jogo, fomos a uma festa de música brasileira e latina. O clima era leve. Neste dia, pôde se ver numa mesma roda pessoas com a camiseta do Inter e do Grêmio. Amigos ou não todos se divertiram sem se importar com tais diferenças.
Enfim, a última quarta-feira, antes de sair de casa pensei duas vezes antes de me vestir, cheguei a pegar algo azul, mas como era provável que fossemos para alguma festa e era a final da Libertadores da América, coloquei algo vermelho, era mais seguro. Após a aula fui com dois amigos gremistas ver o jogo num churrasco ao qual o dono era colorado, e o único presente. Foi divertido. No segundo tempo fomos ao bar da esquina da faculdade. Fim de jogo, os colorados comemoravam, se abraçavam e choravam emocionados. Cumprimento meu amigo colorado fanático que em silêncio e reverência deixava escorrer as lágrimas. Entre ora e outra discutia com uma amiga, o que faz as pessoas chorarem por um time. Neste mesmo dia, ainda fomos para a passeata dos colorados na Av. Presidente Vargas, encontramos vários amigos entre eles alguns poucos gremistas. Fizemos festa e alguns conhecidos, que ao me verem de vermelho, me abraçavam. Nessas horas eu ficava até sem jeito e me retirava de fininho, mas tudo bem, a festa é deles mesmo, e o Inter é um time gaúcho, eu torcia para ele nestes dias, só não comemorava como eles. Ficamos até começar uma briga e então ir para casa entre gremistas e colorados pacificamente.
No dia seguinte, acordei com a música “colorado, colorado...” na cabeça e mais tarde fiquei sabendo de três gremistas que foram esfaqueados frente a um bar onde só estes se concentraram para ver o jogo... e então me pergunto, o que faz uns chorarem e abraçarem até mesmos os diferentes nesta hora, também faz outros quererem matar, por quê???? No dia em que a torcida gremista fez o que fez no Beira Rio, senti vergonha de ser gremista, e agora depois desta notícia, se eu fosse colorada, também teria vergonha de torcer para o Inter. Como se não bastasse a violência das guerras e do tráfico, temos que suportar ela no esporte? E então.... será possível ter paz no futebol um dia? Se alguém souber de algum time e torcida que levante essa bandeira, me avisem, que eu “viro a casaca” na mesma hora, quem sabe assim possamos sair todos de branco e literalmente vestir essa camiseta! Enquanto isso o preto nos cairia bem!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (10)



22/07/2006 07:09
LIVRO:



Peguei esse livro pra ler nesta madrugada e consegui chorar e rir num mesmo capítulo. Chorar ao ler e ver a imagem de mulheres onde a cultura a qual são educadas, são multiladas, através da clitoridectomia (remoção do clitóris), ainda sobre os aplausos e gritos de outras mulheres já multiladas.
E rir de como o autor na sua indignação (sempre com razão), consegue ser irônico e bem humorado.

OBRA:
O SEXO DA MULHER

AUTOR:
GERARD ZWANG - médico ginecologista

SINOPSE

Falar de forma franca sobre o sexo feminino e seus mecanismos. Isso bastou para que O sexo da mulher se transformasse em um daqueles livros que arrastam polêmicas atrás de si. O ano era 1967, e suas abundantes referências médicas e antifreudianas fizeram sucesso. Vinte anos depois, uma terceira edição revisada chegou às livrarias francesas, com o mesmo espírito crítico e simplicidade. Esta é a edição em português. (sinopse retirada do site da editora)

TRECHO DO LIVRO

"A curta vida humana já é plena de dores e de pesares. Será que os "reformadores" anticlitoridianos ou antivaginais não poderiam deixar as mulheres gozar em paz com suas zonas erógenas? Deveríamos é estar gratos ao clitóris por apimentar de maneira tão agradável as relações eróticas. A saciação proporcionada pela copulação pênis-vagina é, no fim das contas, um tanto simplista, um tanto aborrecida por sua monotonia mecânica. Em razão da necessidade de sua excitação, em razão da possibilidade de prazer suplementar que ele oferece, o clitóris impede que a união dos sexos naufrage na rotina, para o maior benefício dos dois parceiros. Ele permite ao homem exercer toda a sua engenhosidade erótica, seus pequenos talentos de primata curioso e jeitoso.
Será que conseguimos convencer os partidários retardados da excisão, criminosa ou psíquica? Desejamos que o clitóris, pequenino mas tão importante, uma vez colocado no lugar que merece, pelo menos como gracioso ornamento natural, só inspire ao companheiro da mulher sentimentos altruístas.... e a vagina ficar-lhe-á muito agradecida."


(Parte II - Mitologia ou a idéias que temos da Coisa, p. 221)

TRADUÇÃO: J. M. BERTOLOTE CAPA: REX DESIGN
ASSUNTO: ANTROPOLOGIA
ANO: 2000
EDITORA: UNESP

Encontrei na internet um artigo que dá mais informações sobre a circuncisão feminina: http://www.anis.org.br/serie/artigos/sa11(diniz)mutilacao.pdf

Mais informações sobre o livro "O sexo da mulher" em: http://www.editoraunesp.com.br/index.php?m=1&codigo=378&PHPSESSID=a1caac3d6e40dda4b711d17c3d7bf413

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (4)



19/07/2006 15:28
...

AMOR?



Melina Guterres


Hoje me perguntaram o que é amor...


Quando já não se trata de um jogo de sedução
Quando já não se trata apenas de paixão
Quando é possível raciocinar sem ser racional

Quando os instintos já tornaram-se nobres
Quando o pão não é tudo
Quando a mão ao fogo não é tudo
Quando a confiança ultrapassa qualquer limite
Quando a razão e a emoção se fundem
Quando o mundo se perde com a mesma capacidade de se encontrar
Quando a ilusão não tem vez com a intuição

Quando o saber está no olhar
E nesse, os segundos pareçam uma vida,
Um raro momento, um reencontro talvez
Poucos minutos, milhares de horas, arranjos, amor?
O que está por trás de um olhar?
De um olhar profundo?
Vidas, amor?

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (15)



30/06/2006 14:29
...

A RUA TAMBÉM SONHA



Melina Guterres - Clarissa Pippi




Lá vai o menino com sua pipa na mão escrever nos muros da felicidade
Sua paixão
Sua vida vadia de casa em casa sem muito a dizer
Já basta sua imagem, seu pedido por qualquer tostão
E cresce e corre entre os carros, vidrado nas vitrines
Que um dia pensa em poder não apenas olhar
Esse encanto bate na sua porta e ninguém lhe escuta
É só mais um menino na rua, mas ele não desiste de não ser
Cada dia que passa a briga é maior e a resposta de onde vem?
Ele é só mais um...
E quem se importa?
Negro, mulato veste trapos, vive pelas ruas, marginalizado?
As luzes a sua volta brilham mais do que sua presença
Suas lágrimas ninguém vê, seu choro ninguém escuta, seus olhos ...
Sobe no chafariz da praça e canta para esconder a solidão
- menino louco, vadio, desce daí! – diz a mulher que passa
Agora ele já tem um nome e alguém se importa ...
Ri sozinho, gargalhadas tristes saí da água sem casa para voltar
A fome agora é sua maior companheira , e segue cambaleando atrás de sapatos brilhantes
Cinderela da rua, menino de rua, sonha divaga no conto que ouviu de outra menina
Onde ele será que ele deixou de ser um príncipe? Cadê toda aquela magia?
- Em pensamentos sou príncipe, tenho um castelo, brinco com meu cavalo, almoço, janto,
tenho mãe, pai, irmão –
Acorda deitado entre jornais no chão
Pega a pipa, com sorriso no rosto, segue o destino. Pela noite ele teve um sonho bom.


Zoinho, 10 anos, menino de rua, enfrenta a PM de S. Paulo.
Foto vencedora do Prêmio Digna Imagem para o fotógrafo Evandro Monteiro
.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (6)



09/06/2006 16:37
Texto de: TIAGO NOVAES

Cidade diversão


Findo meus passos por onde passo
E tudo parece ser de brinquedo neste espaço
Minha cidade é um parque de diversões
Diurno, noturno, todos se divertem

De domingo a domingo, observo os bares
A cerveja, amarga, chama muita atenção
Enlouquece a cabeça dos que não querem ser padres
Indigna o pensamento dos sacristãos

As igrejas pregam sempre o mesmo sermão
365, espalhadas por todos os lugares
Os turistas adoram, mas não fazem comunhão
Ao contrário, aproveitam o fogo da baiana
Que queima sua alma com uma pitada de paixão
Desacostumados com o sangue apimentado
Eles não hesitam em gastar o tostão

Depois passeiam maravilhados com a beleza
Em seus rostos não se vê tristeza
Como poderia?
O suingue desta terra provoca luxúria e tesão

Os humildes daqui terminam sua caminhada com enorme sufoco
Os snobes de lá, param e bebem água de côco

Eles sempre voltam com seus passos
Os meus passos continuarão passando a observar
Minha cidade, de pernas abertas, continuará a esperar
Que no próximo verão, tudo possa recomeçar

*

TIAGO NOVAES É ESTUDANTE DE JORNALISMO DA FACULDADE SOCIAL DA BAHIA (FSBA), SALVADOR, UM GRANDE AMIGO E ESCRITOR! SEU BLOG:
http://www.doprogressoaotropeco.globolog.com.br/


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



04/06/2006 05:12
...
NO TRAMA



"Frilas em ação

A partir desta semana, você pode ler os textos enviados pelos novos colaboradores do portal: os universitários que participaram do concurso Você é o Frila. A primeira selecionada é Melina Guterres, de Santa Maria, RS. Saiba como participar também

Tatiana Dias


Se depender do conteúdo das matérias e entrevistas enviadas pelos novos frilas do portal, a comunidade universitária do país está a mil. A temática é muito variada: cultura, política, educação e sociedade. Os universitários estão mostrando que têm muito o que dizer sobre o lugar em que vivem ou a faculdade em que estudam.
Foi analisando a cena musical de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que Melina Guterres, aluna de jornalismo no Centro Universitário Franciscano, tornou-se uma das colaboradoras da Agência de Notícias do TU. Inicialmente, a matéria “Santa Maria cidade cover” era um trabalho que a estudante fez para a faculdade. “Era uma reportagem muito maior, com muito material das bandas. Tive que reduzi-la”, explica Melina. A estudante contou que pretende seguir a área de jornalismo cultural. Pelo jeito, está no caminho certo.
Ao longo do mês de junho, serão publicados outros textos de universitários colaboradores. No final do mês, será escolhida a melhor matéria e seu autor ganha um frila: a Agência dá uma sugestão de pauta que, se cumprida, vale R$ 500. O selo "Você é o frila", como o que está à esquerda deste texto, indica que a matéria foi feita pelos frilas colaboradores."

Santa Maria cidade cover?


"Primeira selecionada do Você é o Frila, Melina Guterres, aluna da Unifra (RS), escreve sobre a cidade universitária que quer mais espaço para cultura local"

2/6/2006

Melina Guterres - Centro Universitário Franciscano


Na noite nos bares, boates, onde quer que se vá em Santa Maria, são poucos os locais que abrem espaço para o músico reproduzir suas próprias composições. Em conversa com dez integrantes de bandas locais, a maioria tem críticas à cidade por não valorizar a música produzida aqui. Santa Maria, que nos anos 80 e 90 chegou ser chamada de pequena Seattle, hoje guarda na memória a cena de uma onda cultural forte, onde as músicas que aqui eram compostas estavam na boca do povo, nas rádios, nos shows.

Um exemplo disto é a música "Saudade", da banda Fuga, que é tocada nos bares da cidade até hoje e cantada por uma geração que não a vivenciou. Alguns ainda recordam do período em o que "Elo um", primeiro CD de bandas independentes de Santa Maria foi lançado, com as bandas Nocet, Doce Veneno, Felling e Fuga. Os shows ocorriam nas praças, ginásios, clubes e reuniam um público fiel que cantava e pedia as músicas do disco. O cover, na época quase não havia. Sua função era apenas para identificar as influências da banda.

Atualmente, gravar um CD é mais fácil, mas fazê-lo tocar nas rádios e fazer shows apenas com músicas próprias tem se tornado cada vez mais difícil. A solução que algumas bandas têm encontrado é na internet. Em sites próprios ou de músicas, colocando material, fotos e algumas de suas composições. Rádio Riff, Rua XV, Stink, Bomb Man são algumas das bandas locais que já possuem espaço na internet.

Os estilos podem variar, mas a reclamação é geral. Hoje Pirisca Grecco, que começou fazendo pop rock, é cantor regionalista. "É muito complicado a aceitação do que é novo no estilo pop. (...) Num bar, shopping, ninguém escuta de fato o músico, num festival de música gaúcha as pessoas vão para ver, escutar o que se compôs", diz. Neste ano Pirisca lança seu terceiro CD no estilo regional. O músico Pedro Ribas, recorda que em alguns shows que fizera com a banda Pedrada, onde tocavam sambas de raiz e músicas próprias, as casas noturnas pediam que o repertório fosse mais popular e o público não reconhecia certos sambas.

A banda terminou justamente pelos músicos estarem divididos quanto a continuarem seu trabalho ou cederem aos apelos comerciais. "A banda foi perdendo a identidade", diz Pedro. O estudante e cantor, Léo Dias, atual vocalista da Rádio Riff, lançou um CD solo em 2003 no estilo soul, que não foi bem aceito no sul. Atualmente, Dias voltou-se ao rock, mas não deixou de compor. "Quero fazer o meu som também", ressalta.

As casas noturnas de Santa Maria, geralmente contratam bandas covers. O objetivo é "animação", "reunir pessoas que querem se divertir". Pelo menos é que afirma Sandor mello, produtor da Absinto Hall. Para ele, o caminho de uma banda crescer inicia do cover, "o caminho é a transição do cover para o próprio, foi assim com o Armandinho", lembra. Segundo Pylla, ex-vocal da Fuga e atual da Pylla C14, o que falta em Santa Maria é quem invista, empresas e pessoas qualificadas para preparar shows. Pylla diz que Santa Maria é uma cidade laboratório, onde tudo é "teste".

"A prefeitura e empresas que se organizam para produzir eventos poderiam fazer parcerias com as universidades, para que os estudantes também se envolvessem de forma prática nos eventos culturais", comenta. Gerson Rios Leme, músico e proprietário da GRL áudio produtora, diz que quem curte as bandas da cidade deve procurar olhar com mais atenção o que acontece na cidade, se interar das opções que há e procurar ajudar a se criarem estes espaços diferenciados, "Porque um artista não é nada sem seu público e o público não tem como ver um artista que não se mostra...sendo assim, para o panorama mudar e melhorar, deve ser um esforço conjunto", conclui. Enquanto isso, como diz Beto Vaccari, músico, "A gente está sem pai nem mãe!".

O texto está em: http://www.tramauniversitario.com.br/tuv2/noticia/noticia.jsp?id=13109

e a notícia da seleção em: http://www.tramauniversitario.com.br/tuv2/noticia/noticia.jsp?id=13110
Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (5)



03/05/2006 16:25

Relato de uma viagem ao Sertão



Melina Guterres




Foto: Fábio Bito Caraciolo


Éramos sete, na quinta-feira, 16 de setembro, e aguardávamos o ônibus na Rodoviária de Salvador para o município de Cícero Dantas. Dois professores da Curso de Artes Cênicas, quatro alunos do mesmo Curso e eu, estudante de jornalismo, todos da Faculdade Social da Bahia, integrantes do Projeto Santo Inácio.
Nunca havia saído de Salvador, desde que cheguei do sul em fevereiro deste ano. Até Feira de Santana, as ruas estavam limpas e bem calçadas, mas o clima já apresentava sinais de mudança. A entrada da cidade já dizia, chegávamos ao “Portal do Sertão”.
Pronto, já não era mais o sul do gado gordo e mato verde, estava mesmo no nordeste, no interior do nordeste. A medida que avançávamos, entre as conversas e paradas para lanche, percebia a nova paisagem que se apresentava. Cactos e árvores secas. Próximos aos municípios, a vegetação melhorava um pouco, mas continuava rala e baixa.
Araci, uma cidade pequenina, um cobra circulava pelo posto de gasolina. Havia homens querendo matá-la, ma a lenda vingava. Uma cobra assustada, volta para dar a picada.
Nova parada, Tucano, o verde já quase nem existia, o lixo espalhado pelas ruas surpreendia qualquer um do sul.
Ribeira do Pombal, a terra já era rosa, uma areia seca. Os urubus passeavam pelo céu, numa altura tão baixa e assustadora. Na porta do ônibus, entre a subida e descida de passageiros, uma senhora vendia castanha e amendoim. Seu filho, a minha esquerda, simbolizava os primeiros sinais de uma saúde municipal precária, havia manchas brancas por todo corpo. Quando indaguei, a senhora se escondia, parecia ter vergonha, reclamava da saúde local. Ou seria apenas relaxamento? A minha direita, ainda na estação, as cinzas de uma fogueira recente.
Fomos adiante, a estrada que já estava ruim piorava, o motorista se esforçava em zig-zag procurando o melhor caminho.
A tarde já havia passado, era noite e a lua sorria quando chegamos em Cícero Dantas. Uma noite se sono, na Casa das Irmãs, pela manhã serviço.
As artes davam início a primeira parte prática do projeto Santo Inácio. Preocupei-me tanto em registrar, que esquecia o que estava sendo feito. As mulheres, em sua maioria, professoras leigas entre índios e negros de quilombos, se reuniam naquela casa, com os “mestres brancos de Salvador”, embora negros também estejam envolvidos no projeto. Parecíamos gringos, forasteiros, como disse uma das educadoras naquela cidade.
As brincadeiras foram variadas, a dinâmica de grupo surpreendeu, a população não era
tão ingênua quanto se imaginava. Os primeiros sinais de uma boa consciência da realidade projetava-se nas improvisações do professor Raimundo e do “Círculo de Ética” da professora Lúcia, mas ainda era pouco.
Por que os lixos continuavam na rua? Por que grande parte das crianças apresentavam alguma doença? A moça negra com ar de arteira, dizia que o prefeito não pagava o caminhão de lixo para recolhe-lo. Contraditório ou não, pela noite vi o recolhimento. O moço que passava dizia que o hospital existia e não existia, há quatro meses os funcionários não recebiam. A criança que ia pra escola, não sabia dizer o que gostaria de mudar em sua cidade. E o idoso na porta da casa, tinha medo de fotografia.
Eram 18h, o trabalho estava feito, concluído e registrado nos filmes ainda não revelados.
Iniciava a avaliação dos trabalhos das artes com a comunidade, e eu inquieta, aguardava para registrar a foto de todos. Numa vontade súbita, resolvi sair do local. No banco, frente à porta de entrada do salão, uma mulher negra com uma criança de pouco meses no colo e outra que aparentava ser índia discutiam o que responder. Simpáticas, me pediam ajuda para responder um questionário. Elas não compreendiam algumas palavras como “expectativa”, “metodologia”, até mesmo “em parte”. Me esforçava para não demonstrar a surpresa. Como poderiam aquelas mulheres lecionar? Já não me surpreendiam as palavras da professora Josefa Santana, que em Cícero Dantas, há crianças que chegam à quinta série sem saber escrever.
A noite encerrava, apesar dos “detalhes”, os jovens pareciam mais instruídos que muitos adultos, para iniciar, agora fora da Casa das Irmãs, uma cidade melhor. O primeiro passo foi dado. A fotografia então, foi tirada.

* Fatos ocorridos e texto escrito em setembro de 2004 na Bahia

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (8)



13/04/2006 02:17

Será que tem photoshop pra TV?


Crise de feiúra após aula de telejornalismo

Melina Zucolo Guterres

Curso de jornalismo, primeira aula de telejornalismo I. Gravar até que nem foi tão difícil... Era o começo, brincadeiras, erros, etc... Ninguém acertava de primeiro... Havia quem dizia “não consigo ficar olhando pra essa coisa preta (câmera)”... Tudo bem passou. Segunda aula de telejornalismo mais brincadeiras, textos fictícios, ensaio geral...risadas.
Terceira aula de tele – o susto. Hora de ver as gravações.... hahahahaha Risadas mil dos erros... Mas então de repente “oh... aquilo ali sou eu?” È chegou a hora de se ver com um monte de luz pra destacar cada marquinha e expressão indesejada do rosto. A pele parecia mais seca, o cabelo parecia uma vassoura, os dentes nem tão retos e nem tão brancos, o rosto mais quadrado, mais redondo... Sou mais pálida do que imaginava, EU SOU MAIS FEIA DO QUE IMAGINAVA!!!!!!!
Quem não saiu daquela aula depois pensando: “Meu Deus, eu sou assim mesmo?”, que terror, aquilo foi uma aula de terrorismo! Nem a voz colaborava, o espelho em casa também não mostra o que vemos ali, a TV consegue ser mais “dura”.
Pior é ver que todo mundo na volta é exatamente como mostra a tela... E perceber que o que se viu em alguns segundos... Sim, sim... É nós mesmos... É assim que somos. “É inacreditável mas era eu mesmo ali, aquela coisa naquela coisa”...Ai! Já nem se sabe se tem mais ódio daquela câmera que te “enfeiura”, de Deus que não te fez “um deus grego”, uma “deusa” ou de si mesmo.
Que final de aula mais triste. Certo que já pensamos nas próximas gravações, na chapinha, pó, baton, os guris no gel e não duvido que peçam um pouquinho de pó emprestado. Quero só ver se não vai ter mais pessoas com escovas de cabelo na bolsa e se o camarim vai ficar tão vazio. No elevador, já diziam “temos que nos preparar para as gravações. Tomar susto toda terça não dá”.
Gente! Já que não tem mágica...Vamos contratar um cabeleireiro e maquiador? Vaquinha já! Tô passando o chapéu!!!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (15)



29/03/2006 15:25

Meus agradecimentos



Melina Zucolo Guterres



É incrível como uma música nos leva pra qualquer lugar,
É incrível sua capacidade de nos tocar...



Caríssimo...
Hoje vi um filme que me entristeceu muito por saber que é baseado em fatos reais. Por um lado enriqueceu meu senso de justiça, apurou a minha sensibilidade para aqueles que sofreram e sofrem lá do outro lado do mundo por outro me fez sentir vergonha, vergonha de ser gente...
Como dizem ao se dirigir a ti, primeiramente devemos agradecer e depois então fazer pedidos...
Nem preciso dizer o quanto sou grata por nascer num país que a principal guerra é do tráfico e que fica lá longe em cima do morro, onde só sobe quem pode e desce... bom nem todo mundo desce de lá.
Mas mesmo assim agradeço por viver nesse país tropical e possuir a Amazônia... que há anos é nossa apesar de já querem comprá-la. Então agradeço pelo Pantanal que embora hoje, assim como a Amazônia, pareça rico daqui há 4 gerações vai saber o que será. Se governo fosse parceiro de todas ONGs ambientais, eu agradeceria mais, já que até IBAMA anda se vendendo. Entretanto, imagino que até eu morrer ainda haverão árvores e por ainda estar entre elas, agradeço.
Agradeço pelas plantas que nos fazem respirar ainda, pelas medicinais que ajudam a curar.... entretanto há quem extrai delas certas substâncias que misturadas com outras químicas tem levado muitos ao vício, a morte ou permanecerem trancafiados em clínicas até uma longo trabalho de recuperação. Mas mesmo assim não me canso de agradecer, afinal pelo menos agora existem os NA, AA etc... onde estes se unem para tentar levar a vida normal que antes tinham... é uma pena que nem todos conseguem e acabam tendo recaídas.
Agradeço Senhor pelas nossas estradas e jovens, apesar de eles serem os mais inconseqüentes quando dirigem.
Agradeço Senhor pelas escolas e educadores que existem, apesar do menino da favela dizer na televisão que quer ser bandido quando crescer.
Ah Senhor, agradeço pelo prazer, pelo sexo... é bom não há como negar.... ops... infelizmente nem todos homens sabem lidar com os próprios desejos, alguns tornam-se animais, seguidos de instintos apenas... esquecem sua humanidade e então... bem , o Senhor deve saber mais que eu quantos são os abusos sexuais que ainda ocorrem e quantos são aqueles que por um prato de comida vendem o corpo.
Agradeço de todo coração por termos família, pai, mãe, irmãos, etc .... mas como todos sabem em muitos lugares os abusos iniciam dentro do próprio no lar.
Ah... o turismo é ótimo no Brasil, agradeço pelo dinheiro que entra a cada ano, mas infelizmente a nossa imagem da mulher brasileira no exterior continua sendo de prostituta.
Agradeço pelas praias maravilhosas do nordeste, pelo pôr-do-sol no mar... porém abaixo da tua imagem mesmo há crianças oferecendo-se às vezes por menos de cinco reais.
Ah Senhor, agradeço as suas Igrejas, se é que são suas pois muitas delas tem utilizado seu nome para enriquecer-se. Nem se pode dizer que seus líderes são como aqueles dos contos heróicos que tiravam dinheiro dos ricos pra dar para os pobres.... eles tiram dos pobres para dar para quem?
Senhor, quer um advogado?
Desculpe oferecer ... nossa justiça tem lutado pra ser cega... infelizmente ela só é assim nas estátuas.
Mas enfim, apesar do Brasil ter vivido um período cruel na ditadura, onde muitos foram torturados e/ou simplesmente desapareceram, agradeço por aqui viver.
Sabe Senhor, a única coisa que fico me perguntando é onde estão os nossos heróis?
O filme do qual estava falando retrata uma guerra num país africano, onde muitas pessoas morreram à facadas, onde diversas famílias suicidaram-se para não ter uma morte tão cruel. Onde milhares de pessoas estão marcadas pelas lembranças, pela brutalidade, violência, humilhações. E onde apenas umas pessoas conseguiram salvar muitas vidas e estes são os heróis. Mas Senhor não seria melhor que os heróis ficassem só na ficção, afinal pra eles existirem precisa existir um certa dose de maldade, crueldade.
Sabe, uma vez eu li e também me disserem que o homem foi feito a sua semelhança, mas será mesmo verdade?
Ás vezes, tenho minhas dúvidas sobre o que dizem esses livros antigos...
Ah... esqueci de dizer o nome do filme é Hotel Ruanda, mas assim como ele existem muitos outros que tem retratado o mesmo tipo de imagens, mesmo tipo de realidade.
O filme Hotel Ruanda, possui uma música... um coro de crianças, talvez o que tenha me feito escrever tudo isto ao Senhor. Ela se chama “Um milhão de vozes” e diz assim:

Quando o sol retornará sobre nós?
Quem se revelará mais uma vez para nós?-
Eles dizem: "Muitos são chamados e poucos são escolhidos"
Mas eu queria que alguns não fossem escolhidos
pelo sangue derramado de Ruanda
Eles dizem: "Meshach Eshach and Abednego,
Jogue-se no fogo, mas você nunca se queimará"
Mas eu queria não me queimar em Ruanda.
Eles dizem: "O homem é julgado de acordo com suas ações,"
Então diga-me, África, qual o seu valor?
Não há dinheiro, nem diamantes, nem fortunas
Nesse planeta que possam substituir Ruanda…
Este é o choro das crianças...
Ruanda Ruanda
Alguém ouve o meu choro?
Se a América são os Estados Unidos da América
Então por que a África não pode ser os Estados Unidos da África?
E se a Inglaterra é o Reino Unido,
Então por que a África não pode unir todos os reinos
E se tornar o Reino Unido da África?
Ruanda Ruanda, Ruanda Ruanda
Yeah, yeah.
Este é o choro das crianças...
Alguém lá fora nos escuta chorar?
Yeah, os céus choram ... Jesus chora.
Deus, você nos ouviu lhe chamando?
Yeah, Ruanda Ruanda,
Deus, você nos ouviu lhe chamando?
Você pode fazer algo por Ruanda?
Ruanda Ruanda, Ruanda Ruanda
Estou falando de Jesus, falando de
Ruanda Ruanda Ruanda
Falando de... falando de...
Falando de... falando de...
Eu quero tocar meu violão por Ruanda
...


E por fim sinceramente agradeço Senhor, a Arte, aos homens, que crendo em ti ou não, fazendo parte de uma “indústria” ou não, nos mostram a realidade. Talvez eles não sejam a sua semelhança, mas assim como eu e muitos outros, não aparentam estar contente com a imagem que temos hoje uns dos outros e diante de ti que tudo vê.

Jesus Cristo, na verdade acredito que sejas todo amor, e que um dia o homem possa chegar a sua semelhança. Mas evidentemente que isso também não vai ocorrer enquanto eu ainda viver.... quem sabe daqui há várias gerações nos aproximemos.... se continuarmos tentando a não calar....

Desculpe Senhor, me sinto muito envergonhada pela nossa humanidade para lhe dirigir algum pedido, por isso encerro nos agradecimentos na esperança de que um dia todos os homens possam erguer a cabeça e fazer digna a própria existência.


"Você que tem medo de chuva
Você não é nem de papel
Muito menos feito de açúcar
Ou algo parecido com mel
Experimente tomar banho de chuva
E conhecer a energia do céu
A energia dessa água sagrada
Que nos abençoa da cabeça aos pés

Oh chuva
Eu peço que caia devagar
Só molhe esse povo de alegria
Para nunca mais chorar ”

- Fala Mansa -

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (20)



28/03/2006 12:28
CONVIDADO: THOMAZ MAGALHÃES

A M I G O S

Thomaz Magalhães
Jornalista
www.tremazul.blog-se.com.br


Chegou do trabalho, cansado, parou o carro na porta de casa e não entrou. Saiu andando, caminhava devagar e despreocupado, absorto, feliz. Engraçado, pensava, porque não havia comprado o terreno da sua casa para este lado, que era plano, ao lado do parque e mais barato? Vejam só, uma coisa que era mais barata, passados vinte anos fica melhor e mais valiosa.

E ia em direção ao tal terreno. Um prazer, rua arborizada, pouquíssimo movimento. Bem, movimento não havia no lado da sua casa também. Aliás, não havia movimento nenhum no bairro inteiro. Bairro? Nem disso o lugar podia ser chamado, era muito pequeno, um condomínio metido a chique. Sentiu raiva, pequeno e metido coisa nenhuma, quem diz isso é aquela abelhuda, que começou com essa história na inauguração da minha casa, criando um mito que dura até hoje.

Abelhuda gostosa do cacete. Nem ia morar aqui, o que tinha que dar palpite? Acontece que ela não vivia sem dar palpite. Ainda bem que desmanchou o noivado e não casou com ela. Tá certo que casou pior, mas não foi com ela.

Quem casou foi o seu amigo, arquiteto, que fez o primeiro projeto da sua casa. Como não gostou, pediu outro. Que ela conseguiu mudar a fachada, convencendo a sua mulher e causando as primeiras grandes brigas do casamento, porque usou a tal fachada na dela. Parou em frente a casa, no terreno que não comprou. Era melhor que o seu, a casa mais bonita, e ela estava lá. Também estava bonita, mais que a sua mulher. O que o tempo não faz quando passa, estava pensando, quando o amigo apareceu.

Quer comprar? ele perguntou. Nem respondeu porque o cara era um cínico, estava na verdade oferecendo a mulher, de novo. E ela prontamente disse que a casa não estava à venda, uma idiota, levantando a bola para o marido sacar. Na mosca, disse que estava vendendo a mulher. O casal é assim há vinte anos. Mas a casa era melhor. E o terreno também. E ela também.

Falou que não precisava comprar, porque já a tinha comido, o amigo partiu prá cima dele, se encheram de porrada, os vizinhos apartaram, bate-boca, gritaria, deixa disso vocês são amigos, e blá, blá, blá. Lhe dão uma carona, ele entra em casa todo sujo e rasgado e a mulher pergunta: foi lá se divertir de novo com o meu amante?


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (6)



24/03/2006 18:23
CONVIDADO: PAULO F.

Minha evolução ideológica de militante de esquerda a executivo de multinacional

PAULO F.
Executivo


Começo com o seguinte: não tenho um problema com a esquerda especificamente. Meu problema é com fanatismo. Qualquer tipo de fanatismo.. Partido Político, Religião Evangelista, Exército, Seita, Culto, Torcida Organizada, tudo isto.
Quando eu tinha 14 anos de idade passei por uma fase forte de ativismo político. Ia lutar pelos fracos e oprimidos, ia dar um sentido para a minha vida. Era perfeito. De uma hora pra outra eu não precisava mais me preocupar com as complexidades e com as contradições do ser humano e da sociedade. Tudo podia ser classificado como bom ou mal de acordo com a nova lógica da minha ideologia, o mundo passava a ser simples, e a minha vida tinha propósito!
Era uma grande vantagem ver as coisas assim, e um grande conforto. Com esta nova classificação a vida era muito fácil. Eu não precisava mais responder as perguntas difíceis: como pode ser que as pessoas que a gente ama nos façam sofrer ? Como pode ser que eu faça sofrer as pessoas que eu amo? Porque tanta coisa ruim pode acontecer a pessoas boas? Agora era tudo simples. Ou as coisas e pessoas eram "boas" e "ajudavam à causa" e eram "amigos", ou as coisas e pessoas eram "más" e estavam "contra a causa" e eram "inimigos".
Além do mais, ter uma causa tinha duas grandes outras vantagens. A primeira era de que a minha crença me dava uma identidade. Eu não era mais uma pessoa comum que tinha lidar com todos os problemas do dia a dia. Era muito mais, eu tinha um propósito! A segunda era que eu não estava mais sozinho. Tinha pessoas ao redor meu que compartilhavam minha causa! Tinha "companheiros"! Crentes que como eu tinham a mesma lente, e nossa fé se reforçava mutuamente. Era tão bom estar no meio de um grupo, não estar sozinho, não ter mais incerteza!
Tudo isto durou um tempo e me ajudou. Acho que foi pela mesma razão que algumas famílias gostam de mandar os filhos pro exército. Numa época difícil da vida da gente estes grupos, seitas, religiões, e outras similaridades reduzem a complexidade do mundo a quantidades administráveis, e nos dão ferramentas básicas, ainda que toscas, para lidar com ele. Para mim era "não gosto de ir a aula! Sistema opressor!", "tenho medo de competir? Precisamos de um sistema igualitário!", e várias outras. Me estabilizou um pouco em uma época que eu precisava de algo assim. Poderia ter sido outra coisa. Poderia ter sido religião, esporte etc. No meu caso foi ativismo político.
Meu problema começou quando eu cometi o mesmo pecado que fez com que a igreja católica condenasse o Galileu Galilei à fogueira: teste de hipótese. A hipótese era: se as pessoas "boas", "da causa" eram tão diferentes das outras, elas agiriam muito diferente das pessoas "más", e "de direita". A minha observação empírica foi de que em poucas palavras "era tudo a mesma merda". Era abismal ver como a esquerda era mesquinha internamente, como os ciúmes, egoísmos e mesquinharias eram tão fortes como em qualquer lugar. E eu via com grande decepção a esquerda se fragmentar, a formação de grupos de interesse compartilhado tão mercenários como os da direita, e de eternas divisões em grupos cada vez menores e mais fanáticos, iguais aos das religiões onde uma seita se acha mais "santa" que a outra.
Eu estava decepcionado, mas o erro não era da esquerda, ou das pessoas da esquerda. O erro era meu de seguir tentando enquadrar o que eu via com os meus olhos com a minha medida de "bons" contra "maus". Minha experiência era muito clara. O ser humano é mesquinho, covarde, competitivo, pequeno. Também é generoso, corajoso e grande. Tudo ao mesmo tempo e muito contraditório. Isto era verdade tanto a respeito dos "inimigos" da "direita" quanto aos "companheiros" da "esquerda".
A coisa começou a mudar quando eu comecei a ler sobre tecnologia e o efeito na sociedade. Era 1986, e internet, e-mail, e telefones celulares eram só conceitos. Mas eu vi as transformações que estavam por vir. Ou melhor li sobre elas. Não tinham nada que ver com esquerda ou direita, capitalismo ou comunismo. Tinham que ver com progresso. Eu vi o seguinte em um livro se ciência no segundo ano do segundo grau: "a água é o ambiente no planeta mais parecido com o interior dos organismos, por isto a maior parte dos organismos da terra são aquáticos". Muito interessante, me deixou pensando...O ambiente mais favorável a que os organismos prosperem é o ambiente que mais se parece com os organismos internamente... Como isto se aplica às sociedades? A sociedade que mais se aparente à contradição interna do ser humano vai sobreviver e prosperar. A sociedade que tentar ignorar ou oprimir isto vai ser destruída por estas mesmas contradições. Muitos anos depois e já na minha condição atual de capitalista internacional eu tive a oportunidade de comprovar isto com meus próprios olhos. Nada como trabalhar com ex ou atuais sociedades "igualitárias" para ver como a coisa realmente é. Arrepiante! Eu vi o capitalismo mais selvagem imaginável na China, o desastre de uma economia planificada na Rússia, a corrupção desenfreada em países da América Latina e do Caribe. Tudo isto em primeira mão, sem ler reportagem ou livro, só viajando e lidando com as pessoas e situações.
As pessoas... esta é a chave. Por todos os lados, seja onde seja isto foi o que eu encontrei. Gente. Egoístas, amigos, cretinos, contraditórios, adoráveis! Pessoas enfim. Na vida eu já tive conversas fantásticas com motoristas de táxi em Buenos Aires, discussões muito bonitas sobre religião com um cliente Hindu no Suriname, fiz carinho em um gato de rua em Moscou, eu abismado que era um gato moscovita de verdade, o gato impávido a este fato da geopolítica mundial.
A chave para tudo isto eu achei em uma mendiga de rua no centro de Cruz Alta há uns 15 anos: eu andava com um amigo que era bem magrinho e começou a chover. O meu amigo disse que para ele não tinha problema, pois ele desviava os pingos de água, e começou a caminhar todo engraçado. Uma mendiga de rua, de uns 60 anos viu a cena e deu uma enorme risada. Nada controlado, nada histérico, só uma sincera e saudável gargalhada. Na hora eu não entendi como alguém naquelas condições podia rir assim. As minhas condições eram muito melhores e eu não ria assim. Demorei muitos anos para entender que ela era que tinha razão, e que naquela risada estava o sentido de tudo. De perdoar, de esquecer, de desfrutar os poucos momentos que a gente tem, de tentar viver sem ontem ou amanhã.
Eu ainda não cheguei ao elevado estado de iluminação espiritual daquela mendiga de rua. Mas eu sigo tentando. Pelo menos me reservo o direito de dar risada e fazer piada com absolutamente tudo e todos, de tomar as coisas com leveza, de não perder uma chance de rir e fazer rir. Minhas desculpas pelas vezes que eu me passo. Eu sei que eu me passo, mas é uma disciplina, é uma religião verdadeira. Dar risada e perdoar é a minha solução.


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (11)



21/03/2006 17:15
A reportagem pode ser conferida também na revista PLURAL dos alunos de jornalismo da UNIFRA
Uma forma “livre” de se viver
Melina Zucolo Guterres



Toda vez que se cruza o calçadão de Santa Maria é praticamente impossível não reparar naquelas pessoas sentadas no chão, vendendo brincos, colares, pulseiras... os chamados hippies. Entretanto, eles que levam este rótulo, não se consideram como tal e chegam a afirmar “hippie é coisa do passado”.
E então, quem são eles? “Sou artesão”, afirmam.
É, parece que aquele velho ditado “as aparências enganam”, mais uma vez tem razão. Ou então eles são hippies e não sabem , ou pouco se sabe sobre o que é hippie em Santa Maria.
Embora sem rótulos, são pessoas que optaram por uma forma alternativa de se viver e têm como bem maior exaltado, a liberdade. Dependentes apenas do que criam e vendem, sua casa é rua, o mundo. Alguns chegam a viver anos num mesmo lugar, outros estão apenas de passagem. Ficam algumas semanas e partem para um novo destino. O importante é viajar.
A realidade e filosofia de vida é bem diferentes por trás dos panos negros carregados de arte na calçada.
O material para fabricação em sua maioria vem do norte e nordeste do país. Para eles, assim como a filosofia hippie, a felicidade não se baseia na aquisição de bens materiais, mas na vivência da própria . O dinheiro, mesmo necessário, não é a preocupação da maioria destas pessoas. Segundo a artesã Leila Silva, 28, entre os artesões que viajam junto, tudo é compartilhado, desde diárias de hotel à comida que possuem.
Abayuba, 22 , diz que há internet, televisão, telefone, apontando para o calçadão como se este fosse seu lar.
“As oportunidades e experiências que tenho hoje, jamais vivenciaria se trabalhasse em um escritório com férias só no verão”, diz Leila , que era funcionária pública e deixou tudo para poder viajar, mudar de vida. Ela não se mostra arrependia, mas conta que no início foi difícil a família aceitar.
Alguns acabam tornando-se artesão por necessidade, outros, por acaso e também por livre escolha.
Com Marcos Faleiro, 22, a história já toma rumo diferente da de Leila. Assim que aprendeu a fazer artesanato, resolveu sair de casa aos 18 anos e hoje estuda no Colégio Agrícola da UFSM, e reside na Casa do Estudante. Marcos pensa em fazer faculdade.
Já Abayuba diz que cresceu fazendo artesanato e esta foi sempre sua vida, embora já tenha tentado exercer outra profissão.
Ele conta que como artesão, conheceu diversas pessoas e fez muitos amigos. Para ele a saudade também pode ser uma vantagem, pois a cada lugar que se volta, é sempre muito bem recebido.
Entretanto, o alternativo num mundo cheio de preconceitos pode ser intolerável para algumas pessoas. Abayuba foi perseguido por um grupo de neonazistas por simplesmente ser diferente. “Eles não nos aceitam e queriam me matar por isso”.
O preconceito é lembrado por todos, embora apenas Abayuba tenha contado sua experiência.
Daniel, 30, viaja há três anos como artesão e já possui umafamília. “Algumas pessoas querem um carro, uma casa, um bom casamento. Eu só quero é ser feliz”. Para ele, a liberdade e a felicidade devem vir acompanhadas “com muita responsabilidade”.
Daniel e Leila, que hoje espera um filho de Abayuba, dizem que desejam educar seus filhos longe da idéia de preconceito e sempre lembrando-lhes que a felicidade não está na aquisição de bens materiais.
Para quem tem desejo de uma mudança radical , vale umas palavras de Leila “não há saída se não fazer o próprio caminho”.



Mas o que ser hippie afinal?

Se os artesões do centro de Santa Maria não são hippies, quem é hoje em dia? Mais fácil conferir em Arembepe, uma praia da Bahia, onde há uma aldeia hippie desde a década de 60.
Os “hippies” (no singular, hippie) eram parte do que se convencionou chamar movimento de contracultura dos anos 60. Adotavam um modo de vida comunitário ou estilo de vida nômade, renegavam o nacionalismo e a Guerra do Vietnã, abraçavam aspectos de religiões como o budismo, hinduismo, e/ou as religiões das culturas nativas norte-americanas e estavam em desacordo com valores tradicionais da classe média americana. Eles enxergavam o paternalismo governamental, as corporações industriais e os valores sociais tradicionais como parte de um establishment único, e que não tinha legitimidade.

Origens
O termo derivou da palavra em inglês hipster, que designava as pessoas nos EUA que se envolviam com a cultura negra, e.x.: Harry “The Hipster” Gibson. Em 6 de setembro de 1965, pela primeira vez, em um jornal de San Francisco, um artigo do jornalista Michael

Estilo e comportamento
Como grupo, os hippies tendem a usar cabelos e barbas mais compridos do que o considerado “elegante”. Muita gente não associada à contracultura considerava este cabelos compridos uma ofensa, em parte por causa da atitude iconoclasta dos hippies, às vezes por acharem-nos “anti-higiênicos” ou considerarem-nos “coisa de mulher”. Quando a peça musical Hair saiu do circuito chamado off-Broadway para um grande teatro da Broadway em 1968, a contracultura hippie já estava se diversificando e saindo dos centros urbanos tradicionais.

Legado
Por volta de 1970, muito do estilo hippie se tornou parte da cultura principal, porém muito pouco da sua essência. A grande imprensa perdeu seu interesse na subcultura hippie como tal, apesar de muitos hippies terem continuado a manter uma profunda ligação com a mesma. Como os hippies tenderam a evitar publicidade após a era do Verão do Amor e de Woodstock, surgiu um mito popular de que o movimento hippie não mais existia. De fato, ele continuou a existir em comunidades mundo afora, como andarilhos que acompanhavam suas bandas preferidas, ou às vezes nos interstícios da economia global. Ainda hoje, muitos se encontram em festivais e encontros para celebrar a vida e o amor, como no Peace Fest.
No início do século XXI surgiu uma moda designada neo-hippie.

Retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hippie

A aldeia hippie de Arembepe

A aldeia hippie, na praia de Arembepe no litoral da Bahia, surgiu a partir do final dos anos 60, é para quem realmente aderiu ao estilo hippie de ser.
Na Aldeia vive uma comunidade baseada em um diferente estilo de vida em amor e liberdade de expressão (busca pela ecologia) remodelando valores antigos, que se mantém tendo como sua principal atividade o artesanato. A sua representação sócio-cultural atinge a quase todos os campos desde a música até a luta em defesa da ecologia com campanhas defendidas por moradores da própria Aldeia.
Bem diferente dos artesões de Santa Maria, que transitam entre hotéis e pousadas de uma cidade e outra, a Aldeia Hippie apesar da beleza dos coqueirais e a exuberância da praia que possuem um ar paradisíaco, o rompimento com a sociedade tradicional pode ser constatado pela aparência pessoal e hábitos de vida.
Lá rede de esgoto e telefone não existem. O lixo produzido é levado até o Projeto Tamar, (próximo da Aldeia), onde é recolhido pela empresa de limpeza. A iluminação fica por conta da lua ou de lampiões a gás. A água é comprada em Arembepe ou pode ser encontrada num poço que abastece a área. As cabanas ainda procuram conservar o mesmo lay-out de décadas atrás, apesar de algumas terem sido feitas com madeira e tijolos. A maior preocupação dos cerca de 50 hippies entre adultos e crianças que fazem parte da comunidade é garantir a forma natural de vida.
A aldeia foi visitada por muitas figuras ilustres de cenário mundial como Janis Joplin e Mick Jagger vocalista da famosa banda de rock Rolling Stones e outros não menos famosos como Caetano Veloso.
Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (6)



06/02/2006 02:52
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CENAS DE GUERRA
Uma carta ao Presidente Bush
Melina Guterres


Silêncio
Quero falar
Estou buscando encontrar o que perdi
Era uma parte de mim
Que se foi ao me mostrar do que és capaz
E você não viu o que eu vi
Você não sentiu dor
Estava longe, distante
Em sua casa talvez
Você não viu nada!!!
A ferida mais forte que tenho
Está impregnada em minha alma
Porque você me fez ver!
Mas porque? porque? porque?
Antes a dor fosse apenas minha..
Você consegue dormir a noite?
Você sonha ou tem pesadelos?
Eu não durmo faz tempo...
As recordações sempre vêm na minha mente
- Mamãe, mamãe, papai, papai!!!
Gritava a criança inocente
Enquanto corria buscando segurança nos braços de seus “heróis”
Você acredita em super-man?
Ele não estava lá enquanto eu presenciava tal cena
-Bum!
Uma bomba...
Jamais vou esquecer o olhar daquela criança que antes corria com que a ação soprasse palavras “me deixe viver”.
Não vou esquecer do choro de sua mãe antes de ser atingida
E tampouco do desespero do homem que perdera o filho e a esposa diante de seus olhos, sem nada poder fazer...
Não vou esquecer dos seus gritos, da sua raiva, dor...
... e nem do som do disparo do tiro contra si mesmo.
Você seria capaz de imaginar?
Ás vezes me questiono se ainda és humano...
E se és .. cadê seu coração?
Você me fez ver de que ainda estamos longe dos sonhos de paz
Pensei que não haveriam mais atrocidades no século XXI
... me enganei.
Hoje eu não escuto as suas palavras
Nem o vejo nas telas e jornais
Mas ainda posso falar
Ainda carrego comigo a lembrança daqueles olhos da criança, as últimas que meus olhos puderam ver.
Apesar da cegueira e surdez que teu espetáculo me causou sinto, sinto e como sinto por todos nós, seres humanos que permitimos de alguma forma cenas de guerra novamente ocorrer...
E você não sente nada?


* Texto inspirado nas guerras deste século que inicia


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (16)



18/01/2006 23:11

Rabo


(parte 1)


Segundo a ciência somos descendentes de macacos, evoluímos e por isso o homem possui esta forma a qual conhecemos hoje. Agora, imagine se parte dessa evolução física não acompanhasse o resto do corpo... imagine agora se a humanidade possuísse rabo.
Rabos longos, rabos curtos, rabo grosso, fino médio... Será que vestiríamos o rabo também? As mulheres o depilariam com cera quente? E os homens, seriam mais atraentes os mais peludos? Comparariam qual é o melhor?
Cães e gatos abanam o rabo quando estão contentes de forma involuntária. Com o homem seria diferente?
Haveriam formas comportamentais para o rabo? Igrejas que o condenariam?
Suas emoções estariam todas expressas pelo movimento inconscientemente ou seria controlável?
Os homens diriam “fiu, fiu, que rabo lindo!” , as mulheres gostariam ou dariam uma rabada no atrevido?
E quando ambos tivessem atração um pelo outro, o rabo levantaria abanando? Diriam, “acho que gostou de mim, olha como ta o rabo dele (a)” ou “amor, para de abanar o rabo pra aquela mulher, se não parar agora, quero divórcio já”! etc, etc....
Haveria psicólogos especializados em tratar o complexo rabal? |Ahh...haveria novas ciências, teorias, etc.
Bom, certamente haveriam os acessórios, brincos, piercings, tatuagens ... até “roupas”.... Cada um faria o que quisesse com o rabo... ou será que um rabo “nu” seria imoral? ... ou então símbolo de beleza?
As calças, saias, vestidos viriam com um furo para a passagem do ... e nos bailes, seriam estes decorados com um círculo dourado, prateado.... e brinco de strass na ponta?
Haveriam mercados, lojas, shoppings, fabricas, empresas que trabalhariam em função do rabo.
Haveriam seguros de rabos, tipo bumbum da Carla Perez?
Ah... salão de beleza então, imagine os anúncios, “Cuide aqui do seu rabinho, tratamento capilar completo com massagem terapêutica anti-estresse. Para festas, maquiagem completa por..”
Enfim, o rabo seria um comércio assim como tem sido tudo até hoje. Talvez houvesse o lado positivo, a indústria do rabo seria enorme e portanto haveria muito mais pessoas empregadas.
Se o rabo “mexesse” de acordo com as emoções” o mundo seria mais sincero ou mais confuso?
Ah pior coisa seria pra quem tivesse rabo grande “pisaram no meu rabo, filho da p...”
A medicina também teria médicos específicos pra tratar deles.
Seria interessante analisar esta idéia.... se a humanidade tivesse rabo.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (35)



09/01/2006 15:36
Minha reportagem dividida e publicada em 3

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (5)



09/01/2006 15:34



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (1)



09/01/2006 15:33



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (4)



04/12/2005 08:00

Se há um caminho


Melina Z. Guterres



Se há um caminho
talvez a natureza
use seus sinais e
eu escute no canto dos pássaros
a direção

Se há um caminho,
saberei pelo gosto
das águas que percorro

Se há um caminho
talvez eu o veja
com os olhos que
nao podem ver

Se há um caminho
será pelo perfume da primavera
que vou me guiar

Se há um caminho
talvez eu o encontre
no interior da alma
e me perca
em plenitude
Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (10)



24/11/2005 23:39

Estupidez



Melina Zucolo Guterres




Miséria, fome, doença

Tudo na esquina

Ela era da vida

Procurava emprego

Mas quem daria?

Trazia no ventre

O filho de um homem qualquer



Prostituta, vagabunda, puta

Preto, branco, rico,

Pobre, mulher, bixa,

ela atendia



E quando o dia amanhecia

Não tinha lenços

Pra enxugar as lágrimas

de uma noite que

Nem Deus acreditaria



Miséria, fome, doença

Tudo numa vida

País de merda

Por que mataram essa menina?



Ela não tinha 18

Ela não tinha 18

Ela não tinha nem 18 anos!!!


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (4)



24/11/2005 08:07

Os espectadores mais importantes


Uma história real em frente as telas do cinema



* texto publicado em 2003 em www.melinaguterres.blig.com.br

Melina Guterres




Em 2002, estava frente ao I Festival de Vídeo e Mostra de Cinema de Santa Maria, sentada em uma mesa ao lado do Rodacine (telão na praça com mostra de filmes e vídeos), na praça Saldanha Marinho, tomando um refrigerante e esperando uma amiga. De repente, ao me lado se senta a minha frente um menino de rua, de uns 10 anos aproximadamente.
- Oi, sabia que tu é muito bonita?
Educadamente respondi “obrigada”.
- Tu vai ser minha namorada, dizia ele inocentemente.
Aquele, garoto tão extrovertido e sorridente me intrigava e o meu lado Madre Thereza, se fortalecia quando ele pedia 25 centavos que faltavam para comprar um pastel.
Em seguida chegou um outro garoto dizendo:
- Não dá dinheiro pra ele que ele vai gastar tudo em droga
O menino ficou quieto e um pouco amedrontado, percebi que o diziam tinha um fundo de verdade e que ambos tinham fome.Para me livrar de qualquer dúvida, resolvi ir comprar o pastel. Logo eles se tornaram meus “amigos” e continuamos a sentados na mesa, dividindo o mesmo refrigerante.
Já como “amiga”, me contaram histórias de todas as pessoas e garotos da rua que circulavam pela praça. Estas variavam apenas entre duas alternativas: tráfico e prostituição, em sua maioria tráfico.Ouvia coisas do tipo:
- Aquele lá é o fulano, tá vendo aquela mochila, pois é ta cheia de cola e agora ele tá vendendo prós pia.
Pensei:
- Meu deus, imagina se eu fosse da polícia, eles nem sabe pra quem tão contando essas coisas.
Continuei a ouvir:
- Aquela guria, só tem 13 anos e já se vende pra comprar drogar.
“Meu Deus”, pensei novamente, essa realidade tão próxima e nunca “vista”.
Estavam todos na praça, traficantes, prostitutas, crianças, burgueses ,....todos reunidos no mesmo local. Logo senta, um dos garotos que vende cola. Muito tímido e “cheirado”, quase não falava. Certamente não teria se aproximado se os amigos não o chamassem. Tentei conversar e consegui até tirar um sorriso do rosto daquele adolescente, que deveria ter no máximo uns 16 anos.
Descobri que o “meu namorado” e o garoto que o censurava eram irmãos, e que o “censurador”, mais velho, não usava drogas e condenava o uso dos amigos e do irmão. Perguntei sobre suas famílias e o maior dizia apenas que iria a noite para casa o menor nunca, pois seu padrasto batia nele. Dormiam todos em um “mocó” que variava a cada noite.
A praça tava agitada, haviam palhaços e pernas de paus, gente bonita, feia, gorda, magra, feliz, triste. Percebi que para os moradores daquele local, crianças drogadas e prostituídas, receber toda aquele povo era uma festa.
No teatro 13 de Maio eram exibidos alguns curtas e no Rodacine, eram exibidos outros que não estavam em competição. Os dois irmãos me fizeram diversas perguntas sobre o que estava acontecendo, o que era cinema, por que estava ocorrendo aquilo tudo, o que tinha no teatro, se tinha que pagar, etc. Respondi todas as perguntas possíveis e logo chegou a minha amiga esbanjando todo o contraste social.
- Acabei de gastar 10 reais em uma loja de um real. Olha o que eu comprei.
Logo ela começou a mostrar, cinto, batons e outras bugigangas. O meu “namoradinho” olhou pra ela e disse:
- Tu gastou 10 reais ?
- Sim - respondeu ela
Percebi nos olhos dele, o espanto. Não tardou chegou outra amiga minha, que apesar de ser também de origem muito humilde, parecia mais preocupada e preconceituosa com a presença dos meninos, que a toda hora se somavam.
A única coisa que me incomodava no momento não eram eles e sim os assuntos fúteis que ambas conversavam aumentando o alarme das diferenças sociais. Logo se levantaram e me convidaram para sair, como se eu quisesse achar um pretesto para sair daquele local.
Obviamente preferi ficar, disse que ia esperar e que em breve entraria no teatro para assistir a mostra competitiva. Elas disseram que logo voltariam.
Para mim, naquele momento, era muito interessante ouvir aquela realidade e falar de cinema do que ficar sabendo o que cada uma delas fez, ou quem ficou com quem.
Os meninos ficavam cada vez mais curiosos sobre o cinema e o meu namorado era o que mais queria entrar ao teatro.
Quando vi, já estava na hora, as minhas amigas não voltaram, e o convite de uma delas estava comigo, pensei em levar comigo o meu suposto namorado, mas gelei:
Pensei ...ele fala demais, agita demais, não vai ficar em silêncio e além do que, o que os outros vão pensar:?
Já estava frente ao teatro e o meu namorado já flertava uma garotinha burguesa que acompanhava sua mãe. Logo, tentou brincar com a garota, que até respondia a suas travessuras, porém a mãe os afastou.
As portas estavam quase fechando, a minha amiga não voltou. Olhei o namorado, ele agora brincava com os palhaços de pernas de pau.
Guardei a minha “madre Thereza”, junto com o bilhete no meu bolso, que poderia ter dado aquele garoto, e entrei no teatro.
No outro dia vi, na TV, que todos os meninos da praça eram os primeiros da fila, no Rodacine. E por amigos do meio, que eles tentaram entrar no teatro, mas foram barrados no primeiro dia com a desculpa de que haviam de levar um kilo de alimento, apesar da entrada ser franca. Nos dias seguintes, eles passaram todo o tempo que podiam assistindo o Rodacine e a até que conseguiram entrar no teatro, pois já estava ficando constrangedor os barrar, uma vez que a entrada era franca e o cinema para todos.
Após o fim do festival, ouvi que entraram uns oito garotos, todos na primeira fila e diferente do que pensei: todos em silêncio.
Lembrei da minha atitude burguesa e suas contradições.
Glória ao cinema para todos, pois durante aqueles dias ou aquelas horas daqueles dias, aquelas crianças e adolescentes deixaram de ser traficantes, prostitutas ou usuárias de drogas, para simplesmente conhecer e apreciar, mais que todos nós, o cinema nacional.

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (4)



24/11/2005 05:59

Yemanja & Oxum


For my mother






Melina Zucolo Guterres





Só tu que conheces esta flor que trago no peito

Só tu que me enxerga num jardim florido

Só tu que sabe quanto o meu mundo é mágico

Só tu que conhece minha alma lúdica

És tu que vê em mim beleza e não vaidade

Que me incentiva a seguir meus sonhos, embora eu nem sempre acredite neles

És tu que me tira do céu, mas não do paraíso que é o meu lar eterno

És tu que me convida a descer a Terra quando estou tempo demais nas nuvens



Ès o teu olhar o mais brilhante quando prospero,

Teu colo o primeiro a sentir quando sofro

E tuas as lágrimas mais lindas quando tentas conter as minhas.

És a tua mão a primeira a se estender quando preciso de três, quatro...

És as tuas palavras as primeiras a me encorajar

Depois de uma tempestade, ou

Uma dura queda



São tuas as primeiras dúvidas quando saio do paraíso

És tu que primeiro me procuras

Quando estou a vagar nos meus umbrais,

Mesmo sabendo do riscos que corres em ficar por lá,

És tu que me faz recordar qual é o meu lugar

Me leva ao fundo do lago (espelho)

Para então eu me

Despertar



És tu que questiona minhas ações,

Quando nem eu mesma me reconheço

És tu que diz, “esta não és tu”

És tu me leva aos parques

E busca na minha criança

A esperança que me faltava



És tu que me reconhece á léguas

E és capaz de navegar o mundo

Para um encontro



És teu o amor

Que me comove

Pois és só tu que me conhece

Em todas fases,

És tu que conhece minha profundidade,

Não maior que a tua

És tu que sabes minha sede de aventura,

És tu que me aguarda em todos os caminhos

És tua a corrente sábia que me guia

E por mais que eu circule, corra,

É nos teus braços abertos,

O encontro mais importante,

Das águas doces com as do mar.



Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



11/11/2005 21:21

...



Melina Zucolo Guterres

Certo dia o amor ficou brabo. Os casais não estavam mais se amando e se separavam várias vezes, deixando um vazio no peito. As pessoas, no inconsciente, vagavam, buscando um sentido. O amor vendo tudo isso, cansou e se recolheu.
Neste dia, o Cupido ficou doente, muito doente. Mesmo assim resolveu ir trabalhar. Soltou várias flechas, mas elas não continham a magia do amor. E os casais começavam a ter relacionamentos rápidos que, às vezes, não passavam de um dia apenas.
E assim foi. Uma geração inteira à procura de sentido. E nela as relações pediam amor, mas não passavam de instantes de sedução e prazer.
Deus vendo tudo aquilo foi conversar com o Amor, que já não saia mais de casa.
- Amor, deve trabalhar. Não vê como esta geração está?
- Vejo sim, por isso me recolho. Ninguém quer saber do Amor!
Então Deus convidou o Amor para dar passear na Terra entre os homens.
- Veja Amor! As pessoas buscam o amor, desejam-no, guardam no peito. Algumas no inconsciente, outras consciente. Mas veja...
Deus convidou agora o Amor para se aproximar um pouco mais, e então passearam por vários lares, quartos, bares, etc.
O amor então chorou.
- Oh meu Deus, como pude deixá-los tão só!
- Sim Amor, a humanidade clama teu nome no inconsciente coletivo.
Veja essa pequena luz branca que há em seus corações. Eles ainda possuem a esperança, mas temem. Temem amar porque já sofreram demais, temem falar sobre seus sentimentos, temem um envolvimento porque perderam a confiança, temem e temem e, às vezes, acreditam numa moral que nunca fez sentido, porque só tu és verdadeiro, Amor.
És um servo de grande valia minha, confiança. Sei que és incondicional, e jamais se apegaria a preconceitos. Veja Amor, com seus próprios olhos, como buscam o amor de forma errada.
A humanidade precisa de ti.
O amor então abraçou a humanidade, num calor profundo e todos adormeceram ... até serem despertos por um grande amor.
E desde então, os homens dormem porque se baseiam ainda nas próprias leis e moral e não nas de seus corações. Deus, muito justo e sensato, deixa que os homens façam suas próprias escolhas. Só cresce aquele que busca e descobre o próprio caminho.
A humanidade é uma criança que dorme no berço. Mas quem é que o balança?





http://melinazguterres.zip.net/
Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (6)



03/05/2005 15:39

Cadê o artista?


Melina Guterres

Jornalista
Cadê o ato?
Cadê a cena?
Cadê as personagens?
Cadê o teatro?
Cadê a música?
O dançarino?
O palhaço?
Cadê o cenário?
Cadê o músico?
O palco?
O rádio?
Onde está a televisão?
Onde está o cinema?
Cadê a sinceridade?
A emoção?
O sentimento?
A alma?
O público?
A verdade?
Cadê a senhora que chora?
O padre que condena?
O moço que solta gargalhadas?
Cadê, Cadê, Cadê a alegria e a tristeza?
O circo,
A fantasia,
A criatividade,
Cadê o espetáculo?
O teatro está vazio!
Cadê o artista?

Artista

Estou aqui
Escondido,
Esquecido,
Desvalorizado,
Desmoralizado,
Tudo “zado”,
U-sado.
Quem paga mais?
Leiloado!
Não vou ao teatro
Não tenho “tempo”,
Estou fora do pedaço,
Não me condeno,
Guardo os meus sonhos,
Busco um emprego
Por onde andarão os meus colegas?

Jornalista
Entenda sou quem questiona,
Você quem responde.
Sou quem procura,
Você quem encontra.
Sou o homem,
Você o espelho...
Mas e a minha, a nossa, a vossa, a sua, imagem no banheiro, cadê?

Artista
Quem é você?
O que você quer?

Jornalista
Sou a dúvida
A curiosidade
Aquele que busca
E instiga a verdade....

Artista
Já sei você é o bilheteiro do teatro,
Aquele que perdeu o emprego?

Jornalista
Antes fosse
Mas agora já é tarde
Sou quem vê e registra
Sou quem implora compaixão,
Caridade e tem sede de justiça!
Sou o olho, a voz,
O ouvido, a boca
Do povo.
Sou a verdade
Sou a mentira,
A vaidade.
Sorrio, choro
Esqueço, apago
Tudo no final
Da tarde.
Sou quem conhece a verdade,
A verdadeira realidade.
Não sou mito,
Nem fantasia,
Sou jornalista.
E por isso hoje eu grito:
Quanta falta faz um artista!!!!
Por favor, comece o espetáculo!


Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (5)



11/06/2004 16:54
O mundo e a moda

In ou out, que estação estamos?

A moda da guerra e a moda que governa



Melina Guterres


O que? quem diria? Aquela “desencanada” da escola agora é fashion? Pois é, isso sim! Seis meninas brasileiras com estilos “desencanados” ganham destaque nas páginas da edição de junho/ julho da revista norte-americana "Teen Vogue". É bem provável que as escolas amanhã estejam cheias de pessoas desencanadas! Opa, desencanadas não, com o estilo desencanado. Ser desencanado é mais que modismo, corresponde a uma falta de preocupação com o que se está em alta (in). Mas agora quem estava em alta (in), vai vestir o que quem estava em baixa (out) veste, para continuar em alta (in).
O que está acontecendo com a moda? finalmente ela está olhando alguém que não era visto, estava escondido, o a verso a ela? A moda está mudando, o que será que está acontecendo? Ela está cansada de si mesmo? dos seus velhos padrões e conceitos?
O mundo também parece mudar... quem é que anda em alta (in)? Os Estados Unidos da América? Essa nação parece ter saído da coluna social e ido direto para páginas policiais contra violação dos direitos humanos e liberdade de imprensa, enfim estar totalmente out!
Nos últimos dias, o uso de câmeras e máquinas digitais no Iraque foi proibido pelo Ministério da Defesa dos EUA, devido, é claro as fortes e verdadeiras imagens onde os iraquianos são humilhados por soldados americanos. Em que estação se vive? Que roupas veste-se até agora? As da conformidade, da fantasia, do cinema? Ou as da realidade? Da inconformação?
Atualmente o jornal New York Times se retratou sobre a cobertura no Iraque, da qual sempre se mostrou a favor do governo. Segundo eles, as fontes consultadas sobre a suposta armas químicas no Iraque, não foram devidamente investigadas. “Nós, junto com o governo, fomos trapaceados”, afirmam. Trapaceados? Uma guerra está acontecendo e talvez seja porque NYT e governo americano não buscaram com veracidade as informações de suas fontes?
Quantas famílias morreram e estão morrendo? Quantos estão aleijados? Quantos ficaram sós? Quantos são torturados? E agora, eles vêm como se um simples pedido de desculpas bastasse. Desculpar-se é algo bem diferente de admitir um erro, o que os EUA, a “nação herói” nunca fez, afinal herói não erra, não é mesmo?
Mas quem deve não tarda, a mídia e governo americano inventaram outra “fuga” para continuar a ser mocinho (“in para EUA”): O ministro da Justiça americano, John Ashcroft, anunciou nesta quarta-feira que existem informações "confiáveis" de que a rede terrorista Al-Qaeda está pronta para atacar nos Estados Unidos nos próximos meses.
Bush e sua cambada não querem mesmo é perder o poder, (ser out), por isso o “medo” será muito apropriado nos próximos meses...até as eleições.
Quanto ao Brasil, Lula não deveria nem ter dado importância ao jornalista no NYT, Larry Rohter que fez a matéria sobre os “excessos alcoólicos” do presidente brasileiro. A apuração desta parece ter sido feita igual ou pior que as sobre o Iraque (totalmente out). Sem questionar a veracidade das fontes, utilizando o passado como referências e ainda com caráter opinativo, o NYT, assim como o governo americano perde credibilidade no mundo. Lula não precisava se defender, o mundo já compreendeu quem são os Estados Unidos da América (são totalmente out) e o quanto são capazes para alcançar seus objetivos “heróicos”.
Só eles que não entendem... a Casa Branca rejeitou denúncias da organização Anistia Internacional (AI), que em seu relatório anual acusou os EUA de manterem uma política externa "sem princípios" e de fazer do mundo "um lugar mais perigoso".
Os EUA não entendem, mas seus modistas já parecem ter compreendido que está na hora de mudar os conceitos sobre o que é in ou out. Esperemos para ver se o estilo out corresponderá a pessoas verdadeiramente in ou se será só mais uma moda passageira.
Será que os modistas da Vogue não inventarão um estilo mais “estação guerra” (out)? Como seria esta camiseta? Quem a usaria?
Acho que não, o seu governo proibiria as imagens de tortura, ameaças, escritas e mostradas durante a “coleção inconformado” (in).
A moda muda, mas quem muda o mundo será mesmo que é quem está em “in” agora?

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (3)



25/05/2004 17:18
Mundo

Ciranda Americana

Quando “os poderes” invertem



Melina Zucolo Guterres

Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar vamos dar a volta meia, meia volta vamos dar. O anel que tu me destes era de vidro e se quebrou o amor que tinha nele era pouco e se acabou. Portanto seu Iraque entre dentro desta roda diga um verso bem bonito diga adeus e vá embora....
- Não sou perfeito. Sou pobre, mas tenho petróleo. Querem me expulsar do meu território?
Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar vamos dar a volta meia, meia volta vamos dar. O anel que tu me destes era de vidro e se quebrou o amor que tinha nele era pouco e se acabou. Portanto Dona “ONU” entre dentro desta roda, diga um verso bem bonito diga adeus e vá se embora...
- Até quando os anéis serão de vidro? Até quando se quebrarão? Até quando não me ouvirão? O mundo paga o teu erro. O meu amor foi você que não aceitou... faço o que posso, mas o fim foi você que iniciou.
Ciranda cirandinha, vamos todos cirandar vamos dar a volta meia, meia volta vamos dar. O anel que tu me destes era de vidro e se quebrou o amor que tinha nele era pouco e se acabou. Portanto seu jornalista entre dentro desta roda diga um verso bem bonito diga Adeus e vá se embora...
- Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, vamos dar a volta meia, meia volta vamos dar. Até quando vamos dar a volta meia e a meia volta e parar no mesmo lugar? Já era hora de ir embora, volta doida, volta maluca, volta estrangeira, volta americana, até quando matarás?
Pá, pá , pá .....
No dia 3 de maio, 14ª Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), divulgou em seu relatório anual de 2003, que cerca de um terço da população mundial viveu privada da liberdade de imprensa. Segundo ela, 501 veículos de comunicação foram censurados em todo o mundo, 766 jornalistas foram presos, mais de 1.460 foram agredidos ou ameaçados e 130 estão presos neste momento.
Os índices aumentam na região da Ásia e do Oriente Médio. Por que será? Ninguém sabe.... Todo mundo sabe, por causa desta guerra miserável, inútil, que só mostra que o ser humano se assemelha cada vez mais com um mostro, sem piedade, compaixão. Grande roda, grande ciranda. Porra de roda, porra de ciranda, me surpreende como existem pessoas que ainda glorificam os Estados Unidos da América. Engraçado seu nome né? Unidos da América? Estados ,,, América. A América é só os Estados Unidos? Essa ciranda é muito fechada, só pensa em si. Pra que o diferente? Quem a critica, quem a instiga é morto! Quanto será o número de jornalistas mortos pelo governo americano. Oh, oh, oh, não os americanos jamais cometeriam tal crime. Eles jamais passaram esta imagem, só que agora pegaram um presidente diferente, que não consegue organizar o que fica “por trás dos panos”. Um presidente que quer ser herói mas planta ódio. E o povo americano é inocente? Será só culpado seu presidente? a maioria votou a favor da guerra. O anti-americanismo cresce e os americanos justos ou não, corruptos e crianças, estudantes e doentes, a favor e contra a guerra...todos, todos, todos sofrem e sofrerão as conseqüências da ciranda americana.
Mas, enfim, o que mais me surpreende é a evolução da mídia americana, finalmente atacando o próprio governo. Nos últimos dias jornais americanos noticiaram a violência e a humilhação que sofrem os presos iraquianos nas mãos dos soldados dos Estados Unidos da América. Oh, oh, oh, os americanos não são tão bonzinhos assim? Oh, oh, oh, quem é o herói agora? A minha dúvida é o que aconteceu com a mídia americana, será que endoideceu? Sempre fora vista como grande auxiliar do governo - a população tinha que buscar informações fora para saber os verdadeiros fatos da guerra.
Pobre povo americano, tanta liberdade de imprensa, tão democrático, tão confuso, tão perdido, sem rumo, sem sentido e agora sem herói. Será a mídia o mocinho ou o vilão? Ou será que jornalistas americanos também estão sendo mortos, presos, ameaçados, violentados?
Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar, vamos dar a volta meia, meia volta vamos dar, o anel que tu me destes era de vidro e se quebrou. O amor que tinha nele era pouco e se acabou, portanto, Presidente Bush, entre dentro desta roda diga um verso bem bonito, diga adeus e vá embora!

Melina Guterres | Deixe sua loucura aqui (6)

 
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